Por um final de ano mais colorido.

29 11 2009

Tem dias que a felicidade é tanta, que não cabe dentro de um apartamento. Tem que ir para rua. Aslfato e vento. Só assim.

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De repente.

24 11 2009

A vida tinha que ser assim. Uma sequência de coincidências e oportunidades que aparecem quando você menos espera.

Hoje foi um dia muito rápido, cansativo, aliviante e inesperado, de diversas maneiras.

Finalmente, entreguei meu TCC para a banca. Detalhe: a reportagem chegou hoje mesmo da gráfica. É, se não tivesse emoção, não teria graça.

Falei ao telefone, super sem querer, com a jornalista que convidei para estar na minha banca. Espero que dê certo.

Fui convidada para ir em um evento bem bacana amanhã na Sala São Paulo. Acho que vou gostar bastante.

Resolvi entrar na Livraria Cultura, às 21h45 (a loja fecha às 22h), para tentar comprar um presente de aniversário para a minha irmã (Parabéns, Jubas!). Eis que estava tendo uma sessão de autógrafos com o americano Benjamin Moser, um apaixonado pela obra da Clarice Lispector. Já havia lido boas críticas do livro que escreveu da autora, “Why This World – a biography of Clarice Lispector” (lançado no Brasil como, “Clarice, uma biografia”) – saiba mais aqui. Mas, com toda certeza, não esperava encontrá-lo ao vivo, a cores e a poucos metros. Não tive dúvidas: comprei o livro e fui pedir o autógrafo.

Na fila, já tentava pensar em frases não muito toscas em inglês para conversar com ele, quando o ouvi falando um alto e claro português. Ufa. Deixei para treinar o meu “fantástico” segundo idioma um outro dia. O escritor, bastante novo (33 anos), foi bem simpático e me disse que já está com saudades do Brasil. Ele parte amanhã para o Rio e depois para outros estados, em função da divulgação do livro, entretanto volta depois para a Holanda (se não me engano), país que mora.

Benjamin conheceu o Brasil quando tinha 19 anos e passou um semestre na PUC do Rio. Foi aí que melhorou seu português (uma das seis ou sete línguas que fala). Depois de cinco anos de pesquisas, veio com o livro de Clarice.

Benjamin Moser

 

Fiquei toda feliz com o meu livro autografado (não foi uma das aquisições mais baratas, mas o Natal está aí, não é? Alegria, alegria!) e não vejo a hora de começá-lo. Clarice é uma das minhas autoras prediletas e os textos que mais se aproximam de uma espécie de “autobiografia” são os que acho mais bacanas. Esse livro vai me cair bem. Principalmente, nessa época. Final de ano. Final de curso. Finais. Odeio finais. E Clarice sempre me atinge de uma maneira muito estranha. Às vezes, faz muito bem, às vezes, muito mal. Vai entender.

Ah, e quase esqueci! Enquanto pegava um livro para ir para a fila de autógrafos, um simpático senhor me perguntou se era mesmo o autor que estava assinando a obra, ou se era o tradutor. Afirmei que era o autor mesmo. O senhor perguntou se o livro era bom. Respondi que parecia ser muito bom. Depois a conversa continuou e ele quis saber se fazia Letras.

– Não, jornalismo.

– Ih, filha, sou jornalista há quase 40 anos e não posso deixar de concordar com uma frase que li uma fez: uma pessoa que mata um jornalista sempre o faz em legítima defesa.

Desconversei um pouco, disse que não era bem assim. (Me formo esse ano, poxa! Tenho que ter um pouco de amor próprio). Mais alguns minutos de conversa e o senhor virou para mim e disse: “Você não vai ser jornalista, acho que vai ser escritora”. Depois de rir um pouco, falei que talvez não, afinal, gosto mais de fotografia. Perguntei o que ele fazia agora, já que não dava mais aulas. Ele afirmou que escrevia. Já tinha alguns livros publicados e ia lançar mais outro essa semana. O convite informal foi feito, agora espero a confirmação por email que ele ficou de mandar. Ficarei no aguardo.

Depois de tudo isso, para acabar a noite, entro em casa e descubro que uma das cartas que estava aguardando, finalmente, chegou. Mas essa só vou poder contar depois.

Sim, foi um dia rápido e inesperado, e foi ótimo. Que ele se repita em breve.





Minha cachorra Leide.

20 11 2009

Foto tirada semana passada.

A Leide cabia em uma caixa de papelão, junto com sua irmã, quando a ganhamos de uma família de São Paulo.

Quando era mais nova, ninguém apostava nela. Achavam que a cachorra iria ficar com seu pêlo acinzentado, suas pernas finas e seu andar desajeitado para sempre. Foi ai que a Leide mostrou a todos que a adolescência pode ser cruel com qualquer ser vivo, mas que chega uma hora que isso passa. Revelou-se uma linda pastor alemão fêmea, com uma tonalidade dourada pelo corpo e um porte cheio de importância. Rendeu até um quadro, pintado pela minha mãe.

Escolhemos o nome Leide antes de qualquer dica a respeito de sua personalidade. E não é que combinou certinho? Sempre que ia comer a ração ou beber um pouco de água, a Leide se acomodava toda, cruzava as patas e só então começava se alimentar ou se refrescar. Uma verdadeira Lady, afinal.

Ela morreu hoje. É triste pensar que, de todoa as cachorras que já tivemos em casa, a Leide foi a primeira que eu pude acompanhar praticamente toda a sua vida, desde quando era bem pequena, até os últimos momentos quando já estava bem velhinha. Bate uma série de sentimentos quando essas coisas acontecem e você está… longe. Fico pensando que não passei tempo suficiente, não cuidei o quanto deveria e não dei o tanto de carinho que ela precisava.

A verdade é que só pensamos nisso, quando não há mais nada a se fazer. De qualquer forma, eu gostava bastante da minha cachorra Leide. Lembro de ter tentado ensiná-la a andar na coleira, sem sucesso, e também de ter passado horas e mais horas sentada na varanda tentando estabelecer um diálogo qualquer. Mas isso foi há muito tempo.

Acho que o pior é ter que receber notícias como a de hoje em lugares onde não há mais nada que se pode fazer a não ser continuar trabalhando.

Amanhã vou para Pinda. Vai ser melhor, pelo menos.





TCC represa da Guarapiranga: a arte final.

19 11 2009

Com relatório final pronto e reportagem na gráfica, posso voltar a pensar em ter uma vida social.

Queria compartilhar com vocês a arte das três partes da reportagem: água, terra e homem.

Os créditos do planejamento gráfico vão para o Fernado Kataoka (mais conhecido como cara-torta…hehe), não faria nem 1/5 disso sem ele. Obrigada mesmo!

Água

Terra

Homem





Medicina sem fronteira.

7 11 2009

Trabalho na Amazônia traz experiência profissional e muita saudade de casa para o jovem Filipe, médico recém formado.

Estavam todos lá. A mãe, o pai, a irmã e a namorada. O aeroporto não poderia estar mais completo para Filipe. No dia que embarcava para a Amazônia, com toda esperada ansiedade e correria para arrumar suas coisas, estava feliz e triste ao mesmo tempo. Afinal, ele teve pouco meses entre a formatura na faculdade de medicina, a prova para ingressar na Marinha e a viagem para Manaus.

Era cedo, mas mesmo assim o aeroporto de Congonhas já tinha bastante movimento de pessoas, malas e despedidas. Muitas despedidas. Entre estranhos vindos de tantas partes do país, o aeroporto mantém seu ar frio. Diversos anúncios e avisos, lojas de roupas, de produtos importados ou apenas cafeterias e lanchonetes. Ambiente um pouco impessoal para reunir tantas despedidas. Mas o que faz dele o que é são as pessoas, e para Filipe, elas não poderiam estar em outro lugar.

Aqueles que mais amava estavam ali para que o rapaz pudesse distribuir abraços, lágrimas e saudade entre todos. O pai, Wilson, trazia seus óculos escuros, para quem sabe disfarçar as lágrimas que não hesitaram em cair. Já Marina, não desgrudava da mão do namorado, em uma tentativa de poder aproveitar ao máximo o momento que demoraria a se repetir. Seu rosto inchado entregava que também havia deixado algumas lágrima irem embora.

Manaus 09 054

Filipe nunca imaginou trabalhar camuflado. A roupa que hoje veste é uma mistura de variados tons de verde, uns mais fortes, outros mais fracos. Nada de roupa social, jaleco branco e sapato. Para ser médico da Marinha, no meio da floresta amazônica, o pé tem a proteção de uma grossa bota marrom e o corpo, a cobertura de um pesado uniforme militar.

O rapaz forte e alto, dos cabelos escuros e curtos, nascido no interior de São Paulo, tem a fala calma, porém cheia de determinação. Com a companhia dos pais, enfrentou os desgastantes seis anos da faculdade de Medicina, em Taubaté, no Vale do Paraíba. Com a conclusão do curso, em 2008, a vida tomou novo rumo. Nunca havia morado sozinho e talvez por isso mesmo, optou pela oportunidade que apareceu de forma um tanto inesperada.

Seu Wilson recebeu a notícia da mudança do filho caçula em uma terça-feira de dezembro, dia dezesseis. Depois de ficar mudo por alguns instantes, disse “Mas como assim Manaus?”. O pai sempre foi muito apegado a Filipe e, a princípio, demorou a aceitar a nova fase da carreira do recém-formado Dr. Alborghetti. “Sou muito emotivo e a gente fica com o coração pequeno, mas tem que dar força para ele. Não é moleza, tem que segurar a onda”, diz.

Até mesmo o filho levou certo tempo para digerir a ideia. Sempre houve o pensamento de bater as asas, sair do conforto da vida em família e adquirir a independência, mas não tinha como prever que seria para tão longe. “Foi complicado, teve muita conversa, tentei passar bastante tempo junto com as pessoas que eu ia deixar logo mais. Eu tinha esse receio, essa preocupação de como seria a vida nova que eu ia começar”, diz Filipe.

9 cópia

O palmeirense doente aprendeu a lidar com a saudade como pode, entre um telefonema e outro e algumas trocas de emails pela internet, tenta minimizar a distância e a falta que a família e a namorada, Marina, fazem. Mesmo assim, não é a mesma coisa, “esse contato virtual é bem difícil, falta a presença física das pessoas, o contato humano…”, desabafa.

Ao saber da notícia que realmente fora convocado para ir à Amazônia, a primeira ligação do recém-formado médico Filipe foi para o pai. Era dezembro e já fazia bastante calor tanto em São Paulo, onde estava Filipe, como na cidade mineira de Pouso Alegre, lugar onde Wilson trabalha em uma empresa de vidros.

A ligação foi um tanto quanto repentina. Apesar de toda a família Alborghetti já saber da possibilidade de viagem do caçula para um ano de trabalho com a Marinha, o destino ainda não estava definido. E logo para o norte do país, tão longe.

Wilson conta que o caçula desde pequeno já sonhava com a profissão. Tinha até especialização escolhida: queria ser cirurgião. Montava e desmontava os brinquedos que tinha, para assim poder consertá-los, curá-los. Um ensaio do que faria no futuro, mas não mais por brincadeira. “A gente nunca induziu a uma profissão, sempre deixamos à vontade. E ele escolheu essa área, que é de bastante responsabilidade e cuidado”, diz o pai orgulhoso.

A descendência italiana faz com que a família seja bastante unida e queira, sempre que possível, passar um tempo junto. “O importante é não perder o vínculo familiar, isso não tem o que paga”, diz o pai de Filipe.

papagaio

O médico de roupa camuflada trabalha com o batalhão dos fuzileiros navais e, entre populações ribeirinhas e indígenas, já pode perceber, nesse pouco mais de seis meses, que a precariedade da realidade da saúde no país não é exagero. “As pessoas não tem energia elétrica, saneamento básico. E por mais que a gente saiba das condições do estado de São Paulo, aqui é pior. Muitas vezes, os pacientes são atendidos ao ar livre, com a luz do dia, pois não temos condições de atender à noite. Quando existe essa opção, é com o uso de velas”, diz.

Filipe aprendeu a trabalhar com as adversidades, como a falta de recursos para conseguir exames e remédios para seus pacientes, e também a confiar na bagagem adquirida durante a faculdade e a recente experiência profissional para atuar em um das mais belas paisagens do mundo. “As pessoas não têm recurso nenhum para conseguir um exame, um remédio.  Você tem que trabalhar com hipóteses, acreditar na sua intuição para tratar e orientar essas pessoas da melhor forma possível”, diz.

Ao final do mês de janeiro de 2010, quando completar um ano de Marinha, Filipe deseja voltar para tentar as concorridas provas de residência em diversos hospitais do país. O rapaz pretende entrar em cirurgia-geral e depois escolher alguma outra especialização que ainda não decidiu.

Até lá, o jovem médico enfrentará mais uma despedida, talvez não tão impactante quanto a primeira, do começo do ano. Mas com toda certeza, ela deixará as marcas de todas as experiências e situações vividas no quente clima amazônico. E como diz o pai, seu Wilson, “Filho é igual a pássaro. Cada um tem que voar e fazer a sua vida”. E assim, Filipe vai fazendo a dele.

SDC11598