A viagem latinoamericana em fotos e música

10 07 2014

Oi, gente,

Depois de muito tempo, finalmente consegui reunir algumas das imagens feitas durante a viagem para a Bolívia e o Peru e montar um pequeno vídeo com elas. Escolhi a música Latinoamérica da banda Calle 13. Essa banda de Porto Rico me emocionou muito com essa música. Sempre que a escuto ou vejo o maravilhoso clipe que fizeram, fico tocada. E não é exagero dizer que foi por causa desse vídeo que decidi ir viajar.

A minha intenção era fazer um pequeno resumo do que vi. Compartilho aqui com vocês!

Espero que gostem! =)

 





Os últimos dias em Cusco e a volta para a Bolívia

12 11 2012

Após os incríveis dias em Machu Picchu, estava de volta a Cusco. Eu ainda teria mais dois dias antes de voltar para La Paz e viajar rumo ao deserto do Uyuni.

Aproveitei para explorar um pouquinho mais a cidade, e no meio das andanças pelo centrinho, encontrei os brasileiros com quem havia viajado para MP. Eles conheciam um pequeno restaurante ao lado da catedral e lá fomos. Provei o ceviche como primeiro prato e a carne de alpaca como segundo.

Ceviche em Cusco

Ainda teve uma repentina apresentação ao vivo de três músicos que passavam pela rua. Dois deles eram argentinos e o outro, peruano. Tinham acabado de formar um trio. Assista a um trechinho da apresentação aqui.

Rua da cidade de Cusco

Me despedi dos brasileiros e continuei minha última voltinha pela cidade – ainda tinha algumas atrações do boleto turístico para gastar. Fui ao monumento ao inca Pachakuteq, grande governante e responsável pela expansão inca. O prédio é interessante e, do alto, pode-se ver Cusco de um ângulo privilegiado.

Monumento a Pachakuteq

Foto de dentro do monumento a Pachakuteq

Pela noite, encontrei com os brasileiros novamente e fomos jantar em outro restaurante, perto da Plaza de Armas. Dessa vez, a pedida foi uma massa, que estava bem gostosa. Esperamos a chuva passar para olhar algumas lojinhas e tirar fotos na praça, que fica ainda mais bonita à noite.

Camisetas divertidas

Plaza das Armas com Catedral, ao fundo

Arcos no entorno da Plaza das Armas

Último dia na cidade: descobri um restaurante indiano barato, que com 15 soles, comia-se à vontade. O lugar se chamava Maikhana e, para mim, a comida não foi das mais gostosas, mas a dona era simpática, o lugar era limpinho e a mesa posicionada no balcão, um charme só. (nota: uma amiga almoçou lá outro dia e amou! Talvez eu não tenha dado sorte). No dia, 15 de janeiro, comprei o jornal para entender que raios havia acontecido com um cruzeiro italiano que encalhou, descobri o incidente com o Costa Concordia, e fiquei fazendo hora até chegar a noite.

Detalhe do balcão do Maikhana

Durante a tarde, havia pesquisado algumas empresas de ônibus que faziam o trajeto Cusco-La Paz, e acabei optando por uma que tinha um bom preço, a Transportes Litoral Miramar. Pedi para o rapaz me escrever no flyer da empresa quanto sairia a viagem, só para deixar registrado. E assim ele anotou: 85 soles (guarde essa informação para algo que conto a seguir).

Em Cusco, você encontrará muitas pessoas na praça ou em pequenas lojinhas de viagem que oferecerão passagens. Há essa opção de comprar antecipado e “mais garantido”, como dizem, ou comprar na hora, na rodoviária. Optei por chegar mais cedo na rodoviária e comprar lá mesmo; fiquei encanada com a possibilidade de ter alguma porcentagem e ter algum prejuízo, apesar deles me garantirem que o preço era o mesmo. Continue lendo »





Para conhecer Machu Picchu – parte 1

17 06 2012

Depois da noite anterior, na qual tivemos mais informações de como seria o passeio, o dia 11 de janeiro começou promissor. Logo às nove da manhã o grupo que iria para Ollantaytambo se reuniu na recepção do hostel Loki, em Cusco, e pegou o carro, uma espécie de van pequena, em direção ao povoado de onde sai o trem para Aguas Calientes.

Duas horas de viagem depois, já de conversa com os outros brasileiros do grupo – entre um tapa de fusca azul e outro – chegamos ao local onde eu já havia estado alguns dias antes. Em Ollantaytambo, há um dos sítios arqueológicos do Valle Sagrado e é passeio certo, quando você está em Cusco (leia mais aqui).

Vista de Ollantaytambo

Nós tínhamos cerca de duas horas até pegarmos o trem que nos levaria até Aguas Calientes, última parada antes de Machu Picchu. O jeito era, então, conhecer um pouco mais da cidade, que é bem pequena e basta uma hora para rodá-la. O pessoal do hostel havia comentado que poderíamos subir um pequeno monte, cerca de 20 minutos, onde a vista era muito bonita. Fomos então, nós, os brasileiros, mais um alemão que estava no grupo, para ver Ollantaytambo de cima. Eu já parei no meio do caminho, o joelho ainda estava ruim e queria guardar forças para MP. Esperei o pessoal voltar e fomos almoçar.

Almoço em Ollantaytambo antes do trem

Macarronada tradicional

O restaurante era bem familiar e a comida uma delícia! Pedi uma macarronada que há tempos não comia, acompanhada de uma tradicional cerveja Cusqueña. Nos apressamos para ir em direção à estação de trem – algo em torno de 10 minutos andando.


Com os bilhetes já comprados, fomos logo nos acomodando no trem – coisa finíssima. Comparado ao contexto latino-americano, ele é caro e para isso te dá uma impressão que está indo a algum país europeu (para o trajeto de ida e volta, o valor saiu por cerca 80 dólares). Não sei se precisava de tudo isso, mas enfim, querendo ou não é a única maneira de ir até Aguas Calientes. (Até há formas mais alternativas, como descobri depois, mas é BEM mais complicado).

Mapa dentro do trem Peru Rail

Peru Trail a caminho de Aguas Calientes

Fiquei toda animada com o serviço de bordo servindo café, mas a decepção veio logo depois com a bebida era fraca e morna. Delícia! Decidi ficar só nas fotos mesmo. A vista é incrível, passamos ao lado de rios e plantações de milho, entre outras. O passeio dura cerca de 1h45. Como combinado com o hostel de Cusco, uma pessoa estaria nos esperando na estação para nos levar até o hostel, a hospedaje Jairito. Tudo nos conformes!

Hospedaje Jairito

A hospedagem era bem simples, com um restaurante embaixo. Dividimos os quartos entre homens e mulheres e fomos explorar a pequeniníssima Aguas Calientes. O povoado se resume em subidas e descidas cercadas por hostels, hotéis, restaurantes, pequenos comércios e bares. Mais turístico impossível. Alguém comentou dos banhos termais, que como diz o nome do povoado, havia ali algo de águas quentes. Não me lembro quanto paguei, se foram 10 ou 15 soles, só sei que não valeu a pena. Os banhos são em pequenas piscinas, com uma água que cheira um pouco mal. Acabei nem me empolgando para entrar, então logo voltei para o “centrinho”.

Banhos Termais

A noite veio e ficamos ali no restaurante, entre uma porção de choclo com queijo e outra de pão com alho, até finalizar com uma pizza no forno à lenha da Hospedaje Jairito. Foi bem bacana! (Ah, para passar o dia em Machu Picchu, lembre de comprar todas as comidas e bebidas que precisa em Cusco, pois ali a inflação turística é impressionante. Acabei comprando alguns lanchinhos por ali, e me ferrei, além de ter pago a água mais cara da viagem – pechincha não existe em Aguas Calientes).

Por volta das oito da noite, chegou o guia que iria nos acompanhar no dia seguinte por Machu Picchu. Ele era bem baixinho e aparentemente sério, mas logo soltou algumas frases em português e se mostrou um cara muito bacana. Ele era recém-formado em Turismo, e adorava o “trampo” dele, como dizia. O tour com ele duraria cerca de duas horas, depois estaríamos livres para rodar por lá, até o horário de voltar. Quem tivesse pago a entrada para subir a Huayna Picchu (meu caso), também poderia subir depois do tour.

Hotéis e restaurantes

Para você que vai para Machu Picchu sozinho, sem uma agência, lembre-se de comprar a entrada para o parque de Machu Picchu com antecedência, pois na hora pode não haver. E caso queria subir a Huayna Picchu, também tem que comprar antes (US$9). Antigamente, era só chegar cedo e ficar na fila para subir nos dois horários disponíveis por dia, mas hoje você deve pagar antes. Só para constar, todo o passeio com a agência do hostel Loki, de Cusco, saiu por US$195, um valor bem OK, para quem não quer se perder ou ter dor de cabeça para buscar os transportes e as hospedagens por conta.

Praça de Aguas Calientes

Fui dormir super ansiosa. Imagine só, depois de tanto planejamento, tantas possibilidades, tantas fotos já vistas e leituras em blogs e guias, eu finalmente ia ficar cara a cara com Machu Picchu! Quase não dormi direito. Bom, na verdade, não dormi mesmo, tive cólica no meio da noite, meu joelho ainda dava umas fisgadas e ainda de madrugada, ouvi um barulho forte de chuva. Pronto, a única oportunidade de ver uma das novas maravilhas do mundo, e essa era a situação.

Rezei para os meus santos e para todos os deuses incas que havia conhecido nos últimos dias – eu estava apelando geral. Acordamos cedinho, às seis da manhã. Peguei um remédio para cólica com a outra brasileira da viagem (a minha farmacinha havia ficado em Cusco), passei mais cataflan no meu joelho e enfaixei. Ainda chovia, mas era uma garoa mais fina. O dono da pousada garantiu que quando chegássemos lá em MP, o dia já estaria melhor. Nós, por precaução, já compramos uma das capas de chuva que ele vendia por ali mesmo. Tomamos o café da manhã e logo estávamos na fila para o ônibus que vai até a entrada do parque. São mais U$9 na ida e US$9 na volta para o ônibus (você pode ir a pé e não pagar nada, ok?). O caminho é uma rápida serrinha em zigue-zague, que leva meia-hora. A neblina estava forte e a garoa, diminuindo.

Pronto. Ali estava eu, na entrada do parque, quase não acreditando. Esse era um dos pontos altos da viagem e eu estava muito feliz. Encontramos nosso guia, com sua bandeirinha roxa – “mas não igual àquela dos gays da Paulista, lá de São Paulo”, dizia ele, na brincadeira.

“Vamos começar?”. E assim entramos no Santuário Histórico de Machu Picchu.





Cusco, umbigo do mundo – parte 2

19 04 2012

11/jan

O que mais você vai encontrar em Cusco são agências de turismo oferecendo transporte para os sítios arqueológicos do Valle Sagrado. Os agentes de turismo – homens e mulheres de diversas idades – ficam na praça principal da cidade (Plaza de Armas) abordando todo e qualquer turista para oferecer pacotes de um dia, uma tarde e – claro – o passeio mais procurado por todos: Machu Picchu.

Se você não tiver uma indicação, não tem muito segredo: vá perguntando e tente achar o melhor preço e qualidade, na medida do possível. Eu escolhi um lugar pequeno que fica ao lado da catedral, se chama Ñustas Del Inka. O vendedor me pareceu confiável e o preço estava bom. O passeio foi para os sítios de Pisaq, Ollantaytambo, Chinchero, com uma parada em uma feira de artesanato e o almoço em Urubamba. Tudo me saiu por 50 soles (25 do transporte + 25 do almoço). Partimos às 9h e voltamos às 19h.

Foi um passeio bacana, mas o guia não era nada espetacular. A impressão que deu era que ele ligava o piloto automático e ia falando sem parar sobre os Incas, as ruínas, o glorioso império e tudo mais, mas sem emoção nenhuma. Ok, essa é a rotina dele e sabe-se lá quantas vezes ele faz isso por semana. Até que é compreensível. Tirando o fator guia desmotivado e o almoço, que é a maior enganação – se puder, não pague adiantado, mesmo que o agente diga que na hora é mais caro, porque primeiro: não é mais caro e segundo: você pode tentar comprar algo melhor ao lado do lugar que vocês pararem para comer. Fica a dica.

Enfim, pegadinhas latinoamericanas a parte, acredito que a sensação de ver um sítio arqueológico Inca pela primeira vez é incrível. Apesar de já ter lido e visto algumas fotos, poder ver aquelas moradias, desenhos e funcionalidades agrícolas é realmente impressionante. Eu fiquei toda boba quando cheguei Pisaq (30km de Cusco). O dia estava lindo, quase sem nuvens, o que deixou o cenário ainda mais bonito.

Depois do almoço, a parada seguinte foi Ollantaytambo (97km de Cusco). Muitos turistas, já desembarcam ali mesmo e continuam seu caminho a Machu Picchu, já que é nessa cidade que você pega o trem para Aguas Calientes. O sítio de Ollantaytambo é também muito impressionante, principalmente pela inclinação – a quantidade de degraus que temos que subir é impressionante – e pelos templos feitos de pedras maciças que pesam toneladas e que vieram de montanhas próximas. Do alto, além do ventinho-maravilha, é possível ver na montanha à frente, o perfil de um Deus Inca esculpido na pedra. É lindo e um pouco difícil de acreditar que foi feito pelo homem. Muitas casas da cidade são da época do Império Inca e hoje são seus descendentes que moram ali. Demais, né?

Voltamos para a van que nos transportava, rumo a última parada do dia Chinchero (28km de Cusco), onde a grande atração é uma Igreja Católica construída sobre um templo Inca. Ali, também há uma parada estratégica para os turistas, na qual mulheres vestidas com roupas típicas peruanas – dentro de uma grande tenda que vende de tudo um pouco – demonstram como são feitas as malhas de lã de alpaca. Todo o processo: lavar, ferver, colorir e tecer. Aqui, de novo, elas ligam o piloto automático, o texto decorado, e é isso. Depois, todos podem ficar à vontade para comprar. Gostei menos dessa parte.

Em Chinchero, o por-do-Sol estava maravilhoso! O friozinho da altitude e aquele cenário encerraram bem o passeio, junto com uma porção de choclo bem quentinho. O milho branco e “gigante” é tradicional do Valle Sagrado e é uma delícia.

Começamos a voltar para Cusco. Na van, um músico local nos acompanhou cantando e tocando flauta + bumbo durante todo o trajeto. Difícil. Mas ele estava ali, honestamente, tentando viver de música…antes assim.

Já no hostel, a agência de turismo marcou um encontro com todos que iam para Machu Picchu no dia seguinte. Era mais para saber como iria funcionar o passeio, entregar nossos bilhetes de trem, entrada ao parque, essas coisas. Por coincidência, no grupo de seis pessoas, todos ali eram brasileiros, com exceção de um alemão.

O itinerário foi o seguinte:

Dia 1

9h – Todos na recepção para pegar o carro que nos levaria a Ollantaytambo.

11h – Chegada em Ollantaytambo.

13h – Trem de Ollantaytambo com destino a Aguas Calientes.

19h30 – Encontro com o guia no hostel para explicar o dia seguinte no parque. Dormir em Aguas Calientes.

Dia 2

6h – Partir para Machu Picchu. O ônibus leva 30 min até o parque. Passar o dia todo ali.

15h – Volta para o hostel em Aguas Calientes.

19h – Trem de Aguas Calientes para Ollantaytambo

20h45 – Chegada em Ollantaytambo. Ônibus nos leva de volta a Cusco

23h – Chegada em Cusco.

 

No próximo post , conto como foi! Até lá!





Cusco, umbigo do mundo – parte 1

19 04 2012

10/jan

Depois de Puno, Cusco foi a segunda cidade peruana que fiquei hospedada – e adorei. Hoje, com seus 300 mil habitantes, Cusco – ou Qosqo – sabe trabalhar bem com todo o tipo de turista. Desde aquele que vem para conhecer mais da cultura Inca, entre passeios diários ao Valle Sagrado ou aqueles que chega com destino certo a Machu Picchu.

A antiga capital do Império Inca era chamada de “umbigo do mundo” e ainda guardou muito da arquitetura, história e cultura tão bem criadas pelo seu povo, apesar dos colonizadores espanhóis.

Obviamente, que cheguei ali já pensando em Machu Picchu. Havia pesquisado muito pela internet, na tentativa de encontrar a melhor maneira de chegar até MP. Não havia ficado segura de ir por conta própria, então optei por fechar um pacote com a agência de turismo do hostel Loki, mesmo hostel que fiquei em La Paz. E foi a melhor coisa que fiz.

Bom, primeiro: foi o hostel mais legal que conheci na viagem. Organizado, limpo, equipe super bacana e prestativa e o bar mais animado das redondezas (!). Além de também servirem almoço e jantar, com bons preços, e ótima qualidade. Enfim, adorei. Na noite que cheguei estava rolando uma festa no bar, mas como não conhecia ninguém, acabei ficando pouco. Conversei com alguns brasileiros que estavam no mesmo ônibus Puno-Cusco que eu (curiosamente, encontrei com eles em mais vários outros momentos) e comecei a preparar meu próximo dia. Um dos caras do bar anunciou que, no dia seguinte, eles iriam a um dos orfanatos da cidade para que, quem tivesse o interesse, pudesse conhecer mais da situação local, brincar um pouco com as crianças, etc. Infelizmente, essa visita acabou não rolando por alguma confusão com o transporte que nos levaria até lá.

Bom, com as mudanças de planos, resolvi começar a andar pela cidade. De acordo com meu guia, e com algumas indicações de amigos que já haviam ido para Cusco, era ideal comprar o tal do boleto turístico (vendido na prefeitura), para me dar direito a entrar em diversos sítios arqueológicos do Valle Sagrado + museus e outros pontos turísticos por nove dias. Realmente, vale a pena comprá-lo (130 soles – algo em torno de R$90). Pode parecer caro, mas no fim, é mais vantajoso, porque uma vez que você está ali, vai acabar querendo conhecer esses lugares e se optasse por comprar as entradas, em separado, sairia mais caro. Lógico, né?

O centro de Cusco se concentra na Plaza de Armas, onde estão a famosa Catedral, de 1556 (que você paga para entrar, mas se for – discretamente – entre 6h e 8h da manhã, horário reservado para a missa, não pagará; foi o que fiz) e a Igreja Sagrada Família, de 1733. Na catedral, você poderá ver a curiosa “Última ceia”, pintada pelo pintor peruano Marcos Zapata, que dá um toque regional para o quadro ao acrescentar alimentos como milho e  mamão na ceia de Jesus e companhia. Há também a escultura de um Jesus Cristo negro, “El señor de los Temblores”. Muito bacana.

Fui até o templo Qorikancha – Templo do Sol (atual Convento de Santo Domingo), para conhecer um pouco mais da cultural inca. Peguei carona em vários guias que iam explicando para grupos escolares e turistas as principais características da arquitetura, agricultura e adoração aos deuses na época do Império Inca.

Os incas acreditavam que existia um deus maior que o Sol e que a Lua. Nunca o viram, por isso não sabiam bem como representá-lo, entretanto confiavam em sua existência. Seu nome é um pouco complicado: Uiricochan Pachayachachi – ou simplesmente – Wiraqocha. Seu templo ficava em Raqchi, cidade que estive antes de chegar em Cusco.

Caminhei mais um pouco e fiz uma parada estratégica na farmácia para comprar antiflamatório. Meu joelho doía e não era brincadeira. Confiei na indicação da farmacêutica e achei curioso saber que poderia comprar os comprimidos avulsos. De qualquer forma, comprei a cartela inteira, já que precisaria tomar por mais de um dia. Depois aproveitei e comprei um bastão de caminhada, meu amigo inseparável dos próximos dias até Machu Picchu.

Chegou a hora do almoço e parei em um pequeno restaurante, super simples, no qual pude comer o tradicional pollo com papas fritas, acompanhada de uma Inka Cola bem gelada e amarela. Tudo isso por 13 soles. Os correios ficavam bem em frente e já aproveitei para comprar alguns postais e mandar para a família e alguns amigos – era aniversário da minha mãe nesse dia!

Depois do almoço, passei pelo Museu Histórico Regional, muito interessante, por sinal! Tirei foto dessa frase do Mario Vargas Llosa, que achei muito linda:

O dia estava quase acabando e depois de passar por um grupo de músicos que tocavam na rua (veja o vídeo aqui), acho que eram estrangeiros, estava seca por um café. Claro, o forte aqui é o chá, quase não tomei café na viagem! Mas nesse lugar que encontrei, o café era dos bons. Ainda pedi um bolo de chocolate com doce de leite para acompanhar e fui surpreendida quando ele veio quentinho e com duas bolas de sorvete de creme. Pronto, tava feliz da vida. Se não me engano, o nome do lugar era Café del Inka.





De Puno a Cusco em 9 horas

12 03 2012

Caminho entre Puno e Cusco, de ônibus

O caminho entre Puno e Cusco, no Peru, optei por fazer com uma companhia turística, Inka Express, que encontrei na internet. O trajeto de 380 km saiu por 50 dólares. Claro que você pode optar por uma passagem bem mais em conta se comprar com uma empresa que faz essa linha regularmente, sem paradas. Inclusive, pode pegar um ônibus direto de Copacabana até Cusco. De qualquer forma, eu gostei dessa opção, pois a companhia faz algumas paradas, onde o guia explica mais sobre a cultura inca. Passamos e paramos nas seguintes cidades/povoados: Pukara, La Raya, Raqchi e Andahuaylillas.

Em Pukara, conhecemos a igreja e o museu local. Descobrimos que ali é a cidade na qual são feitos os touros de barro que se colocam em cima das casas de muitos peruanos. A tradição é ter dois pequenos touros no telhado para proteção e sorte. A única dúvida que fica é por que touros, se o país não é conhecido pela sua criação? De acordo com o guia, a explicação mais lógica é a influência espanhola, que veio com o fim do Império Inca.

Touro na coluna da igreja de Pukara

A paisagem que via pela janela do ônibus não era tão diferente das paisagens que temos aqui, no interior do Brasil, a única “sutil” diferença é a altura das montanhas. Os vales que atravessamos são compostos por montanhas bastante altas, que impressionam e te deixam com dor no pescoço, de tanto olhar para cima. Eu só pensava como seria chegar em Machu Picchu e ver toda aquela vista!

O frio e a altitude de La Raya

A viagem continuou em La Raya, ponto mais alto da viagem – 4.335 metros acima do nível do mar. Ali a temperatura era baixa e podíamos ver a neve das montanhas bem pertinho. Fizemos uma parada em uma espécie de comércio na beira da estrada, na verdade. Ficamos ali um pouco, tiramos algumas fotos e eu quase fiquei sem meus óculos! Essa mania de tirar os óculos para aparecer na foto, sabe? Então, havia colocado no bolso em um momento, e quando voltava para o ônibus vi que estava sem eles! Rolou um mini-desespero já que sem eles, eu sou mais uma míope com astigmatismo andando por aí. O pessoal da companhia de ônibus foi bem atencioso comigo. Eles até começaram a gritar “Gafas, gafas! Han perdido un par de gafas!”. Depois dessa mobilização, uma senhora veio ao meu encontro com os meus óculos nas mãos. Estava caído por ali. Agradeci horrores e voltei feliz para ônibus.

Eu, ainda com meu óculos no bolso

Estava sozinha e por acaso sentei ao lado de um homem que também viajava sozinho, ele era holandês e ficamos conversando durante a viagem. Ele havia ido ao Peru a convite de um amigo que estava correndo a Dakar Race. A intenção era que ele apenas o visitasse na chegada, em Lima, mas ele acabou decidindo tirar mais alguns dias e conhecer mais o país, inclusive Machu Picchu. Íamos fazer praticamente os mesmos roteiros (não tem muito do que escapar quando se vai a lugares turísticos como esses) e era provável que nos encontrássemos em outro momento – que foi o que aconteceu, por sinal.

Paramos para almoçar em um restaurante bonito, no meio da estrada. Houve apresentação de música peruana, ao vivo, para nós, turistas (mas é claro). Foi ótimo, com comida típica – carne de alpaca – e bebida típica – inka cola! Só aquele café depois do almoço que ficou difícil, né? O forte deles é o chá de coca mesmo. Durante o almoço, sentamos em uma mesa com mais duas turistas espanholas, uma era jornalista e a outra bancária. Muito simpáticas e falantes.

O próximo povoado que conhecemos foi Raqchi, famoso por ser o local do templo a Uiricochan Pachayachachi ou, simplesmente, Wiraqocha. De acordo com a cultura Inca, ele seria o deus maior, deus de todas as coisas: do sol, da lua, das nuvens, da chuva, dos homens, etc.

Templo de Wiraqocha

A parede que ainda resta da construção é impressionante. O guia ainda mostrou uma ilustração de como seria o templo, ainda construído.

Representação de como seria o templo

Andamos ainda pelos arredores do templo, entre casas e outras moradias, que ainda permanecem em pé.

Casa do povoado de Raqchi preservada

A última visita da viagem foi em Andahuaylillas, algo mais breve. Entramos na igreja principal, mais uma herança da colonização espanhola. Ali, não podíamos tirar fotos. Havia uma grande quantidade de espelhos e o guia nos explicou que a intenção era mostrar ao povo inca, que ali estavam suas almas e se eles quisessem se salvar, deveriam se converter ao catolicismo. Como eles não conheciam os espelhos, acreditavam. Pelo menos essa foi a explicação do guia. Na igreja também há uma imagem de Cristo com traços andinos, provavelmente para atrair a população, aproximá-la da religião que estava sendo inserida ali.

Igreja em Andahuaylillas

O dia estava quase no final, logo voltamos para o ônibus e seguimos direto para Cusco, nosso destino final. Nos despedimos dos companheiros de viagem que conhecemos no trajeto e cada um foi para o seu hostel.

Havia escolhido o Loki Hostel, mesmo lugar que fiquei em La Paz. Mas em Cusco, o hostel era bem melhor, com um único ponto negativo que era a rua de acesso, uma escadaria a la Ouro Preto (MG).

Eu, com o meu joelho já ferrado + mochila pesada + chuva forte que começou bem na hora que saí do taxi, fiquei um “pouco” acabada. Mas tudo bem, estava em Cusco, a um passinho de Machu Picchu. A expectativa só aumentava…

 


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Direto do lago Titicaca

4 02 2012

Sai de La Paz por volta das 14h em direção a Copacabana. Comprei a passagem de ônibus no Terminal de Autobuses e paguei 30 bolivianos (mais a taxa do terminal de 2Bs). Depois descobri que poderia ter pago mais barato, se fosse até o cemitério da cidade, lugar de onde saem inúmeros ônibus para lá e outros lugares.

A viagem foi tranqüila e eu estava com uma expectativa bem grande de chegar logo. Depois de aproximadamente quatro horas e meia de viagem, chegamos a um ponto que todos tivemos que sair do ônibus para atravessarmos uma parte do lago Titicaca, antes de chegar a Copacabana. É muito interessante, deixamos as mochilas no ônibus e embarcamos em um barco pequeno, que cabem cerca 12 a 15 pessoas. A travessia leva cerca de 20 minutos. E o ônibus? Bom, ele também vai, em seu próprio transporte: balsa.

Ônibus levado pela balsa para cruzar o Titicaca

Chegamos ao outro lado, já São Pedro de Tiquina, recuperamos nosso ônibus de volta e seguimos viagem por mais alguns minutos. Copacabana é uma cidade pequena, de 25 mil habitantes, e não tem rodoviária. Todos os ônibus chegam na mesma rua, onde estão localizadas dezenas de pequenas agências de turismo que organizam passeios a Isla Del Sol e também viagens a cidades próximas ou cidades peruanas. A altitude aqui é de 3.810m acima do nível do mar.

Logo ao sair do ônibus, conheci duas brasileiras que estavam pensando em dormir uma noite na Isla Del Sol ao invés de passar as duas noites em Copacabana. Não tinha pensado nisso, mas me pareceu uma boa ideia ter mais tempo para explorar a ilha. Como elas também iam depois a Puno, marcamos de tentar ver a ida a esses lugares juntas. Antes, apenas íamos deixar as coisas no hostel e voltar ali para a rua central em meia hora.

Em São Pedro de Tiquina, Bolívia

Pois bem, o hostel. Primeira zica da viagem. Havia já visto um lugar para ficar ainda quando estava no Brasil, liguei para eles durante essa parte do planejamento e eles me garantiram que para reservar um quarto, tudo que precisava fazer era ligar um dia antes para reafirmar minha ida a cidade. Ok, estava em La Paz, liguei para eles um dia antes e a resposta que tive foi que todos os quartos estavam cheios. Não havia vagas. Tentei argumentar e tudo mais, mas não havia negócio, eles não reservaram e ponto. O nome do lugar é Hotel Ambassador. (fica a dica).

Tentei outro, então: Hotel Emperador. Falei com uma senhora muito simpática, perguntei tudo sobre o lugar, era até mais barato que o primeiro. Fiz ela escrever meu nome e repetir para ver se havia entendido. Tudo certo. Cheguei em Copacabana e peguei um taxi até o lugar, pois aparentemente, não era tão perto para quem estava com uma mochila de 12 quilos nas costas. No hotel, um rapaz novo me atendeu. Falei sobre a minha reserva e…. “todos os quartos estão cheios”. COMO assim? Tentou encontrar a senhora com quem eu tinha falado, mas nada. Procurou em um caderno, todo bagunçado, meu nome e nada. Nessas horas e circunstâncias não tem muito o que fazer, até porque “direitos do consumidor” não é algo do dia a dia boliviano.

Tudo bem, vamos lá, estou de férias, não tem com que eu me estressar, certo? Fui em busca do próximo hotel, que era duas ruas para baixo. Super simples, 30 bolivianos o quarto, sem banheiro. Só tinha uma janelinha. O banheiro compartido era um pouco tenso, assim como a ducha, mas eu não tava na posição de ficar selecionando.

Desencanei um pouco e fui encontrar as meninas no “centrinho” da cidade. Já marcamos nosso passeio a Isla Del Sol (não precisava marcar antes, porque a oferta é imensa, mas achamos melhor) e também o ônibus para Puno no final do outro dia. Fomos então, em busca do jantar, que tinha que ser truta! Todos falavam muito bem das trutas do lago Titicaca. De fato, estavam ótimas. Pedimos uma na chapa na manteiga e outra no alho. Salada à vontade, mais um chá gelado bem bom. Ainda tomamos uma espécie de caipirinha de folha de coca, com uma bebida local que esqueci o nome…bem diferente.

Cidade de Copacabana

No dia seguinte, pegamos o transporte até a Isla Del Sol. São duas horas de viagem, apesar do céu aberto, o vento era BEM frio. Logo na chegada da ilha, encontramos um grupo de brasileiros, que tinham acabado de conhecer um outro brasileiro que estava ali há mais dias e que poderia ser o nosso “guia” na trilha da parte Norte à Sul. Por isso, optamos por não ir com um guia local, mas mesmo assim recomendo um guia, para saber um pouco da história do lugar e tal.

Caminho para Isla del Sol de barco

Mapa da Isla del Sol

A caminhada leva, em média três horas ao todo, nós levamos sete. Claro, fomos parando, conversando, ficando sem fôlego, essas coisas. E foram nessas longas horas que estraguei meu joelho. O esforço foi bastante e fiquei dias com ele ruim. Mas foi ótimo! O pessoal era divertido e animado. A vista dali é impressionante. Não tinha ideia quão grande era o lago. Parece um mar! Em muitos pontos, não dá para ver o outro lado dele. O azul das águas é lindo e o cenário fica completo com as montanhas, pedras e construções incas que cruzamos pelo caminho. Veja aqui um vídeo que fiz da caminhada.

Trilha entre parte Norte e Sul da Isla del Sol

Mas fique esperto, pois existem pedágios que você deve pagar em alguns pontos da trilha. Em média, 5 bolivianos. Passamos por três famílias cobrando pedágios, mas não sabemos se a última era oficial mesmo, pois logo depois que passamos a família foi embora. Enfim…

Vista para o lago Titicaca

O calor era grande; protetor solar, boné e óculos escuros nessas horas são fundamentais. E levar um pacotinho de folha de coca também pode ajudar com a altitude, pois ficávamos cansados muito rápidos com as subidas e descidas da trilha.

No final do dia quase, paramos em um restaurante simples com uma vista maravilhosa do lago. O prato escolhido? Truta, mas é claro! Por apenas 25 bolivianos, comi um prato delicioso com uma vista que não tinha preço. Impressionante esse lugar.

Restaurante nas margens do Titicaca

Truta com vista privilegiada

Todos alimentados, o desafio seguinte era arrumar um lugar para dormir. Como já era por volta das 19h, foi difícil encontrar um hostel para quinze pessoas. De novo, não estávamos na posição de ficar selecionando habitações. Ficamos em uma que pagamos 15 bolivianos a noite (cerca de 5 reais), já deu pra imaginar, né? Eu fiquei em um colchão, no chão.

O banheiro ficava no lado de fora, a água quente tinha acabado, a privada mal tinha descarga (nem preciso falar do assento e do papel higiênico, ok?). Enfim, depois de sete horas caminhando pra cima e pra baixo, ninguém tava precisando de um banho mesmo, imagina.

Bom, compramos alguns vinhos, atum, maionese, torradas e estava pronta a festa. Ficamos a noite toda conversando, rindo e cantando.

Todos os brasileiros juntos na Isla del Sol

Depois da noite fria, acordei no outro dia, bem cedo na esperança de tomar banho, mas a água quente não existia mesmo. Desencanei, banho mesmo seria só no final do dia, já em Puno, no Peru.

Comi um lanche rápido em Copacabana e peguei o ônibus para Puno, mais quatro horas e meia. Atrasamos o relógio uma hora, para acertar com o horário peruano. Passamos na fronteira, sem grandes problemas. Na rodoviária, me despedi das duas brasileiras que conheci e fui em busca do hotel que já tinha reservado ainda no Brasil. Fui torcendo para que não fosse mais nenhuma roubada. E não era. Ali, meu banheiro tinha água quente, descarga na privada e papel higiênico (!). Tava no céu! Um quarto só para mim com TV a cabo. Um luxo só. Tudo por apenas 30 soles (algo em torno de 20 reais).

Fronteira Bolívia-Peru; entrada por Puno

A passagem em Puno foi rápida, cheguei às 17h e sai no outro dia às 7h da manhã. Mas depois do merecido banho, deu para dar uma voltinha no centro. Jantei em um restaurante maravilhoso! Tradiciones Del Lago. Não foi dos mais baratos, mas também não era nada absurdo e como eu estava merecendo me fazer um agrado, fui. Comi um filé de alpaca com vegetais e vinho peruano. Coisa fina! Super recomendo.

É visível a mudança da Bolívia para o Peru. Não tem como não notar a estrutura das cidades peruanas para o turista, em comparação com as bolivianas. Uma pena, pois a Bolívia é linda e não é a primeira coisa que vem na nossa cabeça quando falamos desse país.

A viagem para Cusco, minha próxima parada, levou cerca de 10 horas, mas conto no próximo post. Até lá!

ps. Fico feliz em saber que esse é o post de número 100 do blog! Quando ele começou, no dia 08/08/08, não pensei que fosse durar tanto, mas não é que tá durando?