A viagem latinoamericana em fotos e música

10 07 2014

Oi, gente,

Depois de muito tempo, finalmente consegui reunir algumas das imagens feitas durante a viagem para a Bolívia e o Peru e montar um pequeno vídeo com elas. Escolhi a música Latinoamérica da banda Calle 13. Essa banda de Porto Rico me emocionou muito com essa música. Sempre que a escuto ou vejo o maravilhoso clipe que fizeram, fico tocada. E não é exagero dizer que foi por causa desse vídeo que decidi ir viajar.

A minha intenção era fazer um pequeno resumo do que vi. Compartilho aqui com vocês!

Espero que gostem! =)

 





Para conhecer Machu Picchu – parte 2

30 07 2012

A famosa Machu Picchu

O nosso simpático guia nos levou até um ponto, onde ele disse ser o mais famoso para as “fotos de facebook”. Todas as fotos que vemos espalhadas pela internet e afins, são feitas ali. O único problema era que não víamos nada da paisagem. A neblina ainda estava forte e não conseguíamos nem saber em que direção estava a famosa Huayna Picchu.

O complexo de Machu Picchu está a 2.450 metros de altitude e apesar de já ser conhecido pela população quéchua da região andina, foi “descoberto” para o resto do mundo em julho de 1911, quando o historiador americano Hiram Bingham, guiado por um garoto quéchua, encontrou o lugar. As ruínas estavam cobertas por vegetação e foi necessário um bom tempo para limpar toda a área e começar o seu mapeamento.

Detalhes da cidade inca

A “vieja montaña”, tradução das palavras quéchuas para Machu Picchu, é uma cidade inacabada. Sua construção teve que ser interrompida, em função de uma provável invasão que impossibilitou o término da cidade. Se pararmos para pensar que o que vemos hoje é apenas uma cidade incompleta, só podemos imaginar como eram as impressionantes construções finalizadas, como a própria cidade de Cusco, considerada a capital Inca da época.

Machu Picchu está dividida em duas partes: a região agrícola e a urbana. E como em outros sítios arqueológicos, podemos conferir a incrível organização e o cuidado com o solo e arquitetura com as pedras. Encaixes perfeitos formam casas, praças e santuários – como o Templo do Sol, bem ao centro. As três janelas também merecem destaque por representarem três dos símbolos caros à cultura inca: o condor (habilidade), o puma (força) e a serpente (inteligência). Essa mesma simbologia pode ser vista na própria cidade de MP: o puma seria Huayna Picchu; o condor seria a pequena montanha ao lado e a serpente, o contorno do rio Urubamba, que passa logo abaixo. Toda a história e a simbologia envolvidas em torno do parque podem – e devem – ser mais aprofundadas em futuras pesquisas e, quem sabe, novas visitas ao local. Ah, e não faça o tour sem um guia, pois o passeio perde a metade da importância.

Guia durante o passeio

Todo o grupo reunido

Com o guia, percorremos quase todos os caminhos de MP. Havia muita gente também no local, o que acabava tumultuando alguns dos pontos, já que havia outros guias falando ao mesmo tempo. Mas tudo isso faz parte, nem se estresse.

Havia chegado a hora de subir Huayna Picchu. Eu ainda estava um pouco na dúvida se daria conta, mas depois de ser convencida pelos outros que iam também, e pelo próprio guia, que disse ser um trajeto tranquilo, decidi encarar mais essa. E olha que eu não me perdoaria se tivesse deixado essa oportunidade escapar, pois a vista lá de cima compensou tudo!

Momentos antes de subir

De acordo com o guia, os incas que ali viviam, subiam Huayna Picchu para passar algum tempo longe da civilização com o objetivo de meditar e buscar iluminação espiritual. Os cerca de 200 metros são subidos com certa dificuldade por aqueles mais sedentários que vivem longe dos Andes (tipo, eu). A altitude, novamente, é sentida com o menor dos esforços – Huayna Picchu está a 2.667 metros de altura. Mas como eu já estava preparada – levei meu saquinho com folhas de coca para mascar no caminho – não foi nada muito absurdo. Com algumas paradas estratégicas para tomar fôlego, consegui completar o caminho sem grandes problemas.

Logo no começo da trilha, o primeiro susto: a equipe médica local trazia uma pessoa em uma maca. Pronto, o primeiro pensamento foi “quem morreu?”, nos perguntávamos num misto de humor negro e real preocupação. Felizmente, a turista havia “apenas” escorregado e batido a cabeça, e estava bem. Fiquei com pena dos dois homens que levavam a maca, pois se subir aquela montanha sozinho já é um esforço, imagina nessa situação?

Perguntei para a médica da equipe se ela ia voltar, pois talvez precisássemos dela, mas ela apenas riu e desconversou – e olha que eu não estava brincando(!).

Turista sendo levada na maca

Subi junto com dois brasileiros e um alemão, todos de nosso grupo inicial. Eles iam na frente e eu, a passos lentos, fazia o meu tempo. Todos os degraus são esculpidos na pedra, alguns curtos, outros bastante altos. Uma corda de aço foi colocada no caminho para servir de corrimão, o que ajuda bastante em vários momentos. Somente em algumas partes não há essa ajudinha extra – daí o esquema é contar com os joelhos mesmo.

Trajetos da trilha

Sempre que via um casal de idosos descendo, perguntava se o topo estava próximo, e eles diziam que sim! Daí que me animava mesmo. Levei por volta de uma hora para chegar até ao cume. O tempo, em média, é esse mesmo, entre 45 minutos e uma hora e meia.

Havia levado um sandubinha e mais algumas bolachas para comer lá em cima. Foi um piquenique nas alturas, minha gente. Coisa fina. Tiramos muitas fotos e apreciamos aquela paisagem incrível. A cidade de Machu Picchu lá embaixo e a imagem dos turistas como formigas em um formigueiro, parecia surreal. As montanhas por todos os lados, mostravam um vale de beleza e paz únicas. De fato, deve haver algo de energético com essas montanhas. A minha vontade foi fazer como os quéchuas da época e passar algum tempo lá em cima para aproveitar mais do lugar. O amanhecer ali deve ser algo de outro mundo. Quem sabe numa próxima, não me empolgo e faço também a tal trilha inca?

No topo!

Vista impressionante

Para os mais animados, lá em Huayna Picchu, ainda há uma trilha extra para o Templo da Lua, o que leva mais alguns minutos e esforço, que decidi não encarar para, de novo, não acabar com o joelho. Ainda tinha a volta para fazer e não estava a fim de descer de maca. Há quem diz que não há nada de mais nesse templo, mas se você estiver com tempo e disposição, por que não?

A descida foi também tranquila – só é importante prestar mais atenção para não relaxar de uma vez, pensando que “a descida é fácil” e acabar se machucando. Saí de Huayna Picchu com o espírito renovado e feliz da vida por ter feito essa trilha.

Já no “térreo”, voltamos para alguns dos pontos já visitados anteriormente com o guia, só para aproveitar mais um pouco do lugar e tirar as últimas fotos. Simplesmente, um passeio inesquecível!

Ah, ainda estávamos com sorte: Machu Picchu estava no ano do centenário de seu descobrimento e, por isso, podíamos carimbar nossos passaportes com o selo comemorativo. DEMAIS! Passeio concluído com mais sucesso, impossível. Por volta das três horas da tarde, voltamos para o hostel. Tomamos um banho e fizemos uma horinha no restaurante do hostel, com uma porção de “choclo con queso” até dar sete da noite, quando partia o trem para Ollantaytambo.

Por volta das nove da noite, chegamos ao povoado e tentamos achar o motorista do ônibus, que nos levaria de volta ao hostel em Cusco. Momento de confusão pura: muitos e muitos guias e motoristas. Eles levavam plaquinhas com nossos nomes. Na plaquinha, eu era a Camila Lourenço. Levou quase meia hora para acharmos todos os nomes e subirmos no ônibus. De novo, o transtorno faz parte, minha gente. Abraça a aventura e vai.

Em pouco menos de duas horas, estávamos de volta a Cusco. Cansados, mas com muita história para contar.

Última foto antes de ir, feliz da vida!





Para conhecer Machu Picchu – parte 1

17 06 2012

Depois da noite anterior, na qual tivemos mais informações de como seria o passeio, o dia 11 de janeiro começou promissor. Logo às nove da manhã o grupo que iria para Ollantaytambo se reuniu na recepção do hostel Loki, em Cusco, e pegou o carro, uma espécie de van pequena, em direção ao povoado de onde sai o trem para Aguas Calientes.

Duas horas de viagem depois, já de conversa com os outros brasileiros do grupo – entre um tapa de fusca azul e outro – chegamos ao local onde eu já havia estado alguns dias antes. Em Ollantaytambo, há um dos sítios arqueológicos do Valle Sagrado e é passeio certo, quando você está em Cusco (leia mais aqui).

Vista de Ollantaytambo

Nós tínhamos cerca de duas horas até pegarmos o trem que nos levaria até Aguas Calientes, última parada antes de Machu Picchu. O jeito era, então, conhecer um pouco mais da cidade, que é bem pequena e basta uma hora para rodá-la. O pessoal do hostel havia comentado que poderíamos subir um pequeno monte, cerca de 20 minutos, onde a vista era muito bonita. Fomos então, nós, os brasileiros, mais um alemão que estava no grupo, para ver Ollantaytambo de cima. Eu já parei no meio do caminho, o joelho ainda estava ruim e queria guardar forças para MP. Esperei o pessoal voltar e fomos almoçar.

Almoço em Ollantaytambo antes do trem

Macarronada tradicional

O restaurante era bem familiar e a comida uma delícia! Pedi uma macarronada que há tempos não comia, acompanhada de uma tradicional cerveja Cusqueña. Nos apressamos para ir em direção à estação de trem – algo em torno de 10 minutos andando.


Com os bilhetes já comprados, fomos logo nos acomodando no trem – coisa finíssima. Comparado ao contexto latino-americano, ele é caro e para isso te dá uma impressão que está indo a algum país europeu (para o trajeto de ida e volta, o valor saiu por cerca 80 dólares). Não sei se precisava de tudo isso, mas enfim, querendo ou não é a única maneira de ir até Aguas Calientes. (Até há formas mais alternativas, como descobri depois, mas é BEM mais complicado).

Mapa dentro do trem Peru Rail

Peru Trail a caminho de Aguas Calientes

Fiquei toda animada com o serviço de bordo servindo café, mas a decepção veio logo depois com a bebida era fraca e morna. Delícia! Decidi ficar só nas fotos mesmo. A vista é incrível, passamos ao lado de rios e plantações de milho, entre outras. O passeio dura cerca de 1h45. Como combinado com o hostel de Cusco, uma pessoa estaria nos esperando na estação para nos levar até o hostel, a hospedaje Jairito. Tudo nos conformes!

Hospedaje Jairito

A hospedagem era bem simples, com um restaurante embaixo. Dividimos os quartos entre homens e mulheres e fomos explorar a pequeniníssima Aguas Calientes. O povoado se resume em subidas e descidas cercadas por hostels, hotéis, restaurantes, pequenos comércios e bares. Mais turístico impossível. Alguém comentou dos banhos termais, que como diz o nome do povoado, havia ali algo de águas quentes. Não me lembro quanto paguei, se foram 10 ou 15 soles, só sei que não valeu a pena. Os banhos são em pequenas piscinas, com uma água que cheira um pouco mal. Acabei nem me empolgando para entrar, então logo voltei para o “centrinho”.

Banhos Termais

A noite veio e ficamos ali no restaurante, entre uma porção de choclo com queijo e outra de pão com alho, até finalizar com uma pizza no forno à lenha da Hospedaje Jairito. Foi bem bacana! (Ah, para passar o dia em Machu Picchu, lembre de comprar todas as comidas e bebidas que precisa em Cusco, pois ali a inflação turística é impressionante. Acabei comprando alguns lanchinhos por ali, e me ferrei, além de ter pago a água mais cara da viagem – pechincha não existe em Aguas Calientes).

Por volta das oito da noite, chegou o guia que iria nos acompanhar no dia seguinte por Machu Picchu. Ele era bem baixinho e aparentemente sério, mas logo soltou algumas frases em português e se mostrou um cara muito bacana. Ele era recém-formado em Turismo, e adorava o “trampo” dele, como dizia. O tour com ele duraria cerca de duas horas, depois estaríamos livres para rodar por lá, até o horário de voltar. Quem tivesse pago a entrada para subir a Huayna Picchu (meu caso), também poderia subir depois do tour.

Hotéis e restaurantes

Para você que vai para Machu Picchu sozinho, sem uma agência, lembre-se de comprar a entrada para o parque de Machu Picchu com antecedência, pois na hora pode não haver. E caso queria subir a Huayna Picchu, também tem que comprar antes (US$9). Antigamente, era só chegar cedo e ficar na fila para subir nos dois horários disponíveis por dia, mas hoje você deve pagar antes. Só para constar, todo o passeio com a agência do hostel Loki, de Cusco, saiu por US$195, um valor bem OK, para quem não quer se perder ou ter dor de cabeça para buscar os transportes e as hospedagens por conta.

Praça de Aguas Calientes

Fui dormir super ansiosa. Imagine só, depois de tanto planejamento, tantas possibilidades, tantas fotos já vistas e leituras em blogs e guias, eu finalmente ia ficar cara a cara com Machu Picchu! Quase não dormi direito. Bom, na verdade, não dormi mesmo, tive cólica no meio da noite, meu joelho ainda dava umas fisgadas e ainda de madrugada, ouvi um barulho forte de chuva. Pronto, a única oportunidade de ver uma das novas maravilhas do mundo, e essa era a situação.

Rezei para os meus santos e para todos os deuses incas que havia conhecido nos últimos dias – eu estava apelando geral. Acordamos cedinho, às seis da manhã. Peguei um remédio para cólica com a outra brasileira da viagem (a minha farmacinha havia ficado em Cusco), passei mais cataflan no meu joelho e enfaixei. Ainda chovia, mas era uma garoa mais fina. O dono da pousada garantiu que quando chegássemos lá em MP, o dia já estaria melhor. Nós, por precaução, já compramos uma das capas de chuva que ele vendia por ali mesmo. Tomamos o café da manhã e logo estávamos na fila para o ônibus que vai até a entrada do parque. São mais U$9 na ida e US$9 na volta para o ônibus (você pode ir a pé e não pagar nada, ok?). O caminho é uma rápida serrinha em zigue-zague, que leva meia-hora. A neblina estava forte e a garoa, diminuindo.

Pronto. Ali estava eu, na entrada do parque, quase não acreditando. Esse era um dos pontos altos da viagem e eu estava muito feliz. Encontramos nosso guia, com sua bandeirinha roxa – “mas não igual àquela dos gays da Paulista, lá de São Paulo”, dizia ele, na brincadeira.

“Vamos começar?”. E assim entramos no Santuário Histórico de Machu Picchu.





Cusco, umbigo do mundo – parte 2

19 04 2012

11/jan

O que mais você vai encontrar em Cusco são agências de turismo oferecendo transporte para os sítios arqueológicos do Valle Sagrado. Os agentes de turismo – homens e mulheres de diversas idades – ficam na praça principal da cidade (Plaza de Armas) abordando todo e qualquer turista para oferecer pacotes de um dia, uma tarde e – claro – o passeio mais procurado por todos: Machu Picchu.

Se você não tiver uma indicação, não tem muito segredo: vá perguntando e tente achar o melhor preço e qualidade, na medida do possível. Eu escolhi um lugar pequeno que fica ao lado da catedral, se chama Ñustas Del Inka. O vendedor me pareceu confiável e o preço estava bom. O passeio foi para os sítios de Pisaq, Ollantaytambo, Chinchero, com uma parada em uma feira de artesanato e o almoço em Urubamba. Tudo me saiu por 50 soles (25 do transporte + 25 do almoço). Partimos às 9h e voltamos às 19h.

Foi um passeio bacana, mas o guia não era nada espetacular. A impressão que deu era que ele ligava o piloto automático e ia falando sem parar sobre os Incas, as ruínas, o glorioso império e tudo mais, mas sem emoção nenhuma. Ok, essa é a rotina dele e sabe-se lá quantas vezes ele faz isso por semana. Até que é compreensível. Tirando o fator guia desmotivado e o almoço, que é a maior enganação – se puder, não pague adiantado, mesmo que o agente diga que na hora é mais caro, porque primeiro: não é mais caro e segundo: você pode tentar comprar algo melhor ao lado do lugar que vocês pararem para comer. Fica a dica.

Enfim, pegadinhas latinoamericanas a parte, acredito que a sensação de ver um sítio arqueológico Inca pela primeira vez é incrível. Apesar de já ter lido e visto algumas fotos, poder ver aquelas moradias, desenhos e funcionalidades agrícolas é realmente impressionante. Eu fiquei toda boba quando cheguei Pisaq (30km de Cusco). O dia estava lindo, quase sem nuvens, o que deixou o cenário ainda mais bonito.

Depois do almoço, a parada seguinte foi Ollantaytambo (97km de Cusco). Muitos turistas, já desembarcam ali mesmo e continuam seu caminho a Machu Picchu, já que é nessa cidade que você pega o trem para Aguas Calientes. O sítio de Ollantaytambo é também muito impressionante, principalmente pela inclinação – a quantidade de degraus que temos que subir é impressionante – e pelos templos feitos de pedras maciças que pesam toneladas e que vieram de montanhas próximas. Do alto, além do ventinho-maravilha, é possível ver na montanha à frente, o perfil de um Deus Inca esculpido na pedra. É lindo e um pouco difícil de acreditar que foi feito pelo homem. Muitas casas da cidade são da época do Império Inca e hoje são seus descendentes que moram ali. Demais, né?

Voltamos para a van que nos transportava, rumo a última parada do dia Chinchero (28km de Cusco), onde a grande atração é uma Igreja Católica construída sobre um templo Inca. Ali, também há uma parada estratégica para os turistas, na qual mulheres vestidas com roupas típicas peruanas – dentro de uma grande tenda que vende de tudo um pouco – demonstram como são feitas as malhas de lã de alpaca. Todo o processo: lavar, ferver, colorir e tecer. Aqui, de novo, elas ligam o piloto automático, o texto decorado, e é isso. Depois, todos podem ficar à vontade para comprar. Gostei menos dessa parte.

Em Chinchero, o por-do-Sol estava maravilhoso! O friozinho da altitude e aquele cenário encerraram bem o passeio, junto com uma porção de choclo bem quentinho. O milho branco e “gigante” é tradicional do Valle Sagrado e é uma delícia.

Começamos a voltar para Cusco. Na van, um músico local nos acompanhou cantando e tocando flauta + bumbo durante todo o trajeto. Difícil. Mas ele estava ali, honestamente, tentando viver de música…antes assim.

Já no hostel, a agência de turismo marcou um encontro com todos que iam para Machu Picchu no dia seguinte. Era mais para saber como iria funcionar o passeio, entregar nossos bilhetes de trem, entrada ao parque, essas coisas. Por coincidência, no grupo de seis pessoas, todos ali eram brasileiros, com exceção de um alemão.

O itinerário foi o seguinte:

Dia 1

9h – Todos na recepção para pegar o carro que nos levaria a Ollantaytambo.

11h – Chegada em Ollantaytambo.

13h – Trem de Ollantaytambo com destino a Aguas Calientes.

19h30 – Encontro com o guia no hostel para explicar o dia seguinte no parque. Dormir em Aguas Calientes.

Dia 2

6h – Partir para Machu Picchu. O ônibus leva 30 min até o parque. Passar o dia todo ali.

15h – Volta para o hostel em Aguas Calientes.

19h – Trem de Aguas Calientes para Ollantaytambo

20h45 – Chegada em Ollantaytambo. Ônibus nos leva de volta a Cusco

23h – Chegada em Cusco.

 

No próximo post , conto como foi! Até lá!





Cusco, umbigo do mundo – parte 1

19 04 2012

10/jan

Depois de Puno, Cusco foi a segunda cidade peruana que fiquei hospedada – e adorei. Hoje, com seus 300 mil habitantes, Cusco – ou Qosqo – sabe trabalhar bem com todo o tipo de turista. Desde aquele que vem para conhecer mais da cultura Inca, entre passeios diários ao Valle Sagrado ou aqueles que chega com destino certo a Machu Picchu.

A antiga capital do Império Inca era chamada de “umbigo do mundo” e ainda guardou muito da arquitetura, história e cultura tão bem criadas pelo seu povo, apesar dos colonizadores espanhóis.

Obviamente, que cheguei ali já pensando em Machu Picchu. Havia pesquisado muito pela internet, na tentativa de encontrar a melhor maneira de chegar até MP. Não havia ficado segura de ir por conta própria, então optei por fechar um pacote com a agência de turismo do hostel Loki, mesmo hostel que fiquei em La Paz. E foi a melhor coisa que fiz.

Bom, primeiro: foi o hostel mais legal que conheci na viagem. Organizado, limpo, equipe super bacana e prestativa e o bar mais animado das redondezas (!). Além de também servirem almoço e jantar, com bons preços, e ótima qualidade. Enfim, adorei. Na noite que cheguei estava rolando uma festa no bar, mas como não conhecia ninguém, acabei ficando pouco. Conversei com alguns brasileiros que estavam no mesmo ônibus Puno-Cusco que eu (curiosamente, encontrei com eles em mais vários outros momentos) e comecei a preparar meu próximo dia. Um dos caras do bar anunciou que, no dia seguinte, eles iriam a um dos orfanatos da cidade para que, quem tivesse o interesse, pudesse conhecer mais da situação local, brincar um pouco com as crianças, etc. Infelizmente, essa visita acabou não rolando por alguma confusão com o transporte que nos levaria até lá.

Bom, com as mudanças de planos, resolvi começar a andar pela cidade. De acordo com meu guia, e com algumas indicações de amigos que já haviam ido para Cusco, era ideal comprar o tal do boleto turístico (vendido na prefeitura), para me dar direito a entrar em diversos sítios arqueológicos do Valle Sagrado + museus e outros pontos turísticos por nove dias. Realmente, vale a pena comprá-lo (130 soles – algo em torno de R$90). Pode parecer caro, mas no fim, é mais vantajoso, porque uma vez que você está ali, vai acabar querendo conhecer esses lugares e se optasse por comprar as entradas, em separado, sairia mais caro. Lógico, né?

O centro de Cusco se concentra na Plaza de Armas, onde estão a famosa Catedral, de 1556 (que você paga para entrar, mas se for – discretamente – entre 6h e 8h da manhã, horário reservado para a missa, não pagará; foi o que fiz) e a Igreja Sagrada Família, de 1733. Na catedral, você poderá ver a curiosa “Última ceia”, pintada pelo pintor peruano Marcos Zapata, que dá um toque regional para o quadro ao acrescentar alimentos como milho e  mamão na ceia de Jesus e companhia. Há também a escultura de um Jesus Cristo negro, “El señor de los Temblores”. Muito bacana.

Fui até o templo Qorikancha – Templo do Sol (atual Convento de Santo Domingo), para conhecer um pouco mais da cultural inca. Peguei carona em vários guias que iam explicando para grupos escolares e turistas as principais características da arquitetura, agricultura e adoração aos deuses na época do Império Inca.

Os incas acreditavam que existia um deus maior que o Sol e que a Lua. Nunca o viram, por isso não sabiam bem como representá-lo, entretanto confiavam em sua existência. Seu nome é um pouco complicado: Uiricochan Pachayachachi – ou simplesmente – Wiraqocha. Seu templo ficava em Raqchi, cidade que estive antes de chegar em Cusco.

Caminhei mais um pouco e fiz uma parada estratégica na farmácia para comprar antiflamatório. Meu joelho doía e não era brincadeira. Confiei na indicação da farmacêutica e achei curioso saber que poderia comprar os comprimidos avulsos. De qualquer forma, comprei a cartela inteira, já que precisaria tomar por mais de um dia. Depois aproveitei e comprei um bastão de caminhada, meu amigo inseparável dos próximos dias até Machu Picchu.

Chegou a hora do almoço e parei em um pequeno restaurante, super simples, no qual pude comer o tradicional pollo com papas fritas, acompanhada de uma Inka Cola bem gelada e amarela. Tudo isso por 13 soles. Os correios ficavam bem em frente e já aproveitei para comprar alguns postais e mandar para a família e alguns amigos – era aniversário da minha mãe nesse dia!

Depois do almoço, passei pelo Museu Histórico Regional, muito interessante, por sinal! Tirei foto dessa frase do Mario Vargas Llosa, que achei muito linda:

O dia estava quase acabando e depois de passar por um grupo de músicos que tocavam na rua (veja o vídeo aqui), acho que eram estrangeiros, estava seca por um café. Claro, o forte aqui é o chá, quase não tomei café na viagem! Mas nesse lugar que encontrei, o café era dos bons. Ainda pedi um bolo de chocolate com doce de leite para acompanhar e fui surpreendida quando ele veio quentinho e com duas bolas de sorvete de creme. Pronto, tava feliz da vida. Se não me engano, o nome do lugar era Café del Inka.





O seguro morreu de velho.

28 12 2011

Para tentar garantir o menor dos problemas enquanto estiver viajando, fui atrás de opções de seguro de saúde e afins. A mais prática que encontrei foi a do próprio cartão de crédito. Você pode contratar o serviço de acordo com o país que vai e quantos dias ficará fora. Além de cobrir para eventuais males de saúde, ele também cobre perda de bagagem e atraso de voo. O preço compensa, viu?

Por falar em cartão de crédito. A minha outra dúvida era que “dinheiros” levar. Já tinha o visa travel money da outra viagem, mas por causa da conversão da moeda não valia tanto a pena. Então, optei pelo óbvio: habilitar o cartão de crédito para o uso internacional e levar também dinheiro em papel. A Bolívia e o Peru, por serem países com moedas fracas, utilizam bastante o dólar, para facilitar o contato com os turistas. O site do Uol Economia é útil para se ter ideia dos câmbios – e por falar neles:

R$1 = 3,70 bolivianos (Bolívia)

R$1 = 1,43 soles (Peru)

Eu, na minha inocência, percorri as diversas casas de câmbio disponíveis ali no centro paulistano em busca das moedas latinoamericanas para comprar. Nenhuma delas tinham as moedas. Talvez consiga no aeroporto, e olhe lá! Mas tudo bem, vamos trabalhar com o dólar mesmo.

Outro ponto importante: vacinas. Os dois países que escolhi pedem que o viajante tenha tomado a vacina de febre amarela. Para comprová-la, é necessário ter com você o Certificado Internacional de Vacinação, disponibilizado pela Anvisa. Depois de tomar a vacina, você leva esse comprovante até um dos postos da Anvisa (normalmente em aeroportos). Você preenche um cadastro e eles te entregam o certificado. Para adiantar, já pode preencher pelo site deles, aqui. Eu vou levar o cadastro preenchido no aeroporto, no dia que for embarcar.

Bom, de resto, continuo com os meus roteiros e reservas em andamento! Eles ainda estão sofrendo alterações…mas a boa notícia é que consegui a reserva no hostel de Cusco, que queria! Agora só falta conseguir reservar o pacote para Machu Picchu com eles – porque é claro que a transferência internacional não deu certo. Maldito código SWIFT!

Com essa, enrolei mais um dia para olhar a mala com mais calma….talvez veja isso hoje.





Planos, roteiros e reservas.

24 12 2011

Montar o roteiro de viagem nunca é tão fácil. Você faz mil opções de trajetos para ver qual a melhor opção custo-benefício e depois de queimar a pestana, define qual vai ser a rota.

Meu plano inicial era ir de ônibus até Corumbá/MS e pegar o trem da morte, já em Puerto Suárez (Bolívia). Mas o desgaste ia ser muito grande…e ainda teria que atravessar a Bolívia, algo que não estava tão afim assim. Depois, pensei em ir de avião por La Paz e voltar por Lima (Peru). Só que essa opção seria um pouco carinha, por isso optei em ir e voltar por La Paz.

Antes de decidir, pesquisei bastante com amigos que já foram e também em site na internet. Uma boa referência foi o site Mochileiros.com, lá você encontra depoimentos e roteiros detalhados de pessoas que já foram para diversos lugares. Outras opções são matérias em jornais, como essa do Estadão e o blog que encontrei, o Turismo e Aventura.

Depois dessas pesquisas, o roteiro ficou assim:

São Paulo > La Paz (4/jan)

Copacabana (lago Titicaca)

Puno

Cusco

Aguas Calientes/Ollantaytambo

Machu Picchu

La Paz

Salar de Uyuni

La Paz  > São Paulo (23/jan)

Estou marcando os pontos no google maps, depois compartilho aqui, com endereços de hostels, rodoviárias, aeroportos etc. Ainda faltam reservar alguns hostels e transportes, mas está quase tudo fechado. Também não quero deixar tudo tão acertado, porque imprevistos acontecem, não é mesmo? Até porque, já fui avisada que ao chegar de avião em La Paz, a capital mais alta do mundo, localizada a 3.650 m de altitude (o aeroporto dica a 4.100 m), é quase impossível não se sentir um pouco mal. Tanto é assim, que no hostel que reservei em La Paz (Loki Hostel) existe uma “sala do oxigênio”, para você ficar lá, respirando um pouquinho. Eles apresentam o hostel em um vídeo no youtube, vale à pena dar uma olhada.

Entre as opções de transporte, é sempre bom dar uma procurada na internet. Entre ônibus e trem, a primeira opção é sempre mais barata. Mas, às vezes, é interessante escolher um dos percursos para fazer de trem e aproveitar uma paisagem diferente, feita pelos trilhos, como por exemplo o caminho entre Ollantaytambo e Águas Calientes.

O hostel que quis reservar em Cusco (o mesmo Loki Hostel – rede de hospedagem da Bolívia e do Peru) já estava com os quartos lotados, entre os dias 9 e 12 de janeiro. Por isso é sempre bom fazer tudo com o máximo de antecedência. De qualquer forma, esse hostel tem uma agência de viagem com bons preços. Eles oferecem pacotes de passeios pela região. estou pensando em fazer Machu Picchu com eles. A diferença de preço não é tão grande, se eu fosse fazer sozinha, e pelo menos vou estar menos perdida entre as opções de ida e volta – já que existem várias formas de se chegar a Machu Picchu.

Nos próximos dias, vou me focar mais no que levar na mochila e escrevo aqui.

Até lá!