A viagem latinoamericana em fotos e música

10 07 2014

Oi, gente,

Depois de muito tempo, finalmente consegui reunir algumas das imagens feitas durante a viagem para a Bolívia e o Peru e montar um pequeno vídeo com elas. Escolhi a música Latinoamérica da banda Calle 13. Essa banda de Porto Rico me emocionou muito com essa música. Sempre que a escuto ou vejo o maravilhoso clipe que fizeram, fico tocada. E não é exagero dizer que foi por causa desse vídeo que decidi ir viajar.

A minha intenção era fazer um pequeno resumo do que vi. Compartilho aqui com vocês!

Espero que gostem! =)

 





Direto do lago Titicaca

4 02 2012

Sai de La Paz por volta das 14h em direção a Copacabana. Comprei a passagem de ônibus no Terminal de Autobuses e paguei 30 bolivianos (mais a taxa do terminal de 2Bs). Depois descobri que poderia ter pago mais barato, se fosse até o cemitério da cidade, lugar de onde saem inúmeros ônibus para lá e outros lugares.

A viagem foi tranqüila e eu estava com uma expectativa bem grande de chegar logo. Depois de aproximadamente quatro horas e meia de viagem, chegamos a um ponto que todos tivemos que sair do ônibus para atravessarmos uma parte do lago Titicaca, antes de chegar a Copacabana. É muito interessante, deixamos as mochilas no ônibus e embarcamos em um barco pequeno, que cabem cerca 12 a 15 pessoas. A travessia leva cerca de 20 minutos. E o ônibus? Bom, ele também vai, em seu próprio transporte: balsa.

Ônibus levado pela balsa para cruzar o Titicaca

Chegamos ao outro lado, já São Pedro de Tiquina, recuperamos nosso ônibus de volta e seguimos viagem por mais alguns minutos. Copacabana é uma cidade pequena, de 25 mil habitantes, e não tem rodoviária. Todos os ônibus chegam na mesma rua, onde estão localizadas dezenas de pequenas agências de turismo que organizam passeios a Isla Del Sol e também viagens a cidades próximas ou cidades peruanas. A altitude aqui é de 3.810m acima do nível do mar.

Logo ao sair do ônibus, conheci duas brasileiras que estavam pensando em dormir uma noite na Isla Del Sol ao invés de passar as duas noites em Copacabana. Não tinha pensado nisso, mas me pareceu uma boa ideia ter mais tempo para explorar a ilha. Como elas também iam depois a Puno, marcamos de tentar ver a ida a esses lugares juntas. Antes, apenas íamos deixar as coisas no hostel e voltar ali para a rua central em meia hora.

Em São Pedro de Tiquina, Bolívia

Pois bem, o hostel. Primeira zica da viagem. Havia já visto um lugar para ficar ainda quando estava no Brasil, liguei para eles durante essa parte do planejamento e eles me garantiram que para reservar um quarto, tudo que precisava fazer era ligar um dia antes para reafirmar minha ida a cidade. Ok, estava em La Paz, liguei para eles um dia antes e a resposta que tive foi que todos os quartos estavam cheios. Não havia vagas. Tentei argumentar e tudo mais, mas não havia negócio, eles não reservaram e ponto. O nome do lugar é Hotel Ambassador. (fica a dica).

Tentei outro, então: Hotel Emperador. Falei com uma senhora muito simpática, perguntei tudo sobre o lugar, era até mais barato que o primeiro. Fiz ela escrever meu nome e repetir para ver se havia entendido. Tudo certo. Cheguei em Copacabana e peguei um taxi até o lugar, pois aparentemente, não era tão perto para quem estava com uma mochila de 12 quilos nas costas. No hotel, um rapaz novo me atendeu. Falei sobre a minha reserva e…. “todos os quartos estão cheios”. COMO assim? Tentou encontrar a senhora com quem eu tinha falado, mas nada. Procurou em um caderno, todo bagunçado, meu nome e nada. Nessas horas e circunstâncias não tem muito o que fazer, até porque “direitos do consumidor” não é algo do dia a dia boliviano.

Tudo bem, vamos lá, estou de férias, não tem com que eu me estressar, certo? Fui em busca do próximo hotel, que era duas ruas para baixo. Super simples, 30 bolivianos o quarto, sem banheiro. Só tinha uma janelinha. O banheiro compartido era um pouco tenso, assim como a ducha, mas eu não tava na posição de ficar selecionando.

Desencanei um pouco e fui encontrar as meninas no “centrinho” da cidade. Já marcamos nosso passeio a Isla Del Sol (não precisava marcar antes, porque a oferta é imensa, mas achamos melhor) e também o ônibus para Puno no final do outro dia. Fomos então, em busca do jantar, que tinha que ser truta! Todos falavam muito bem das trutas do lago Titicaca. De fato, estavam ótimas. Pedimos uma na chapa na manteiga e outra no alho. Salada à vontade, mais um chá gelado bem bom. Ainda tomamos uma espécie de caipirinha de folha de coca, com uma bebida local que esqueci o nome…bem diferente.

Cidade de Copacabana

No dia seguinte, pegamos o transporte até a Isla Del Sol. São duas horas de viagem, apesar do céu aberto, o vento era BEM frio. Logo na chegada da ilha, encontramos um grupo de brasileiros, que tinham acabado de conhecer um outro brasileiro que estava ali há mais dias e que poderia ser o nosso “guia” na trilha da parte Norte à Sul. Por isso, optamos por não ir com um guia local, mas mesmo assim recomendo um guia, para saber um pouco da história do lugar e tal.

Caminho para Isla del Sol de barco

Mapa da Isla del Sol

A caminhada leva, em média três horas ao todo, nós levamos sete. Claro, fomos parando, conversando, ficando sem fôlego, essas coisas. E foram nessas longas horas que estraguei meu joelho. O esforço foi bastante e fiquei dias com ele ruim. Mas foi ótimo! O pessoal era divertido e animado. A vista dali é impressionante. Não tinha ideia quão grande era o lago. Parece um mar! Em muitos pontos, não dá para ver o outro lado dele. O azul das águas é lindo e o cenário fica completo com as montanhas, pedras e construções incas que cruzamos pelo caminho. Veja aqui um vídeo que fiz da caminhada.

Trilha entre parte Norte e Sul da Isla del Sol

Mas fique esperto, pois existem pedágios que você deve pagar em alguns pontos da trilha. Em média, 5 bolivianos. Passamos por três famílias cobrando pedágios, mas não sabemos se a última era oficial mesmo, pois logo depois que passamos a família foi embora. Enfim…

Vista para o lago Titicaca

O calor era grande; protetor solar, boné e óculos escuros nessas horas são fundamentais. E levar um pacotinho de folha de coca também pode ajudar com a altitude, pois ficávamos cansados muito rápidos com as subidas e descidas da trilha.

No final do dia quase, paramos em um restaurante simples com uma vista maravilhosa do lago. O prato escolhido? Truta, mas é claro! Por apenas 25 bolivianos, comi um prato delicioso com uma vista que não tinha preço. Impressionante esse lugar.

Restaurante nas margens do Titicaca

Truta com vista privilegiada

Todos alimentados, o desafio seguinte era arrumar um lugar para dormir. Como já era por volta das 19h, foi difícil encontrar um hostel para quinze pessoas. De novo, não estávamos na posição de ficar selecionando habitações. Ficamos em uma que pagamos 15 bolivianos a noite (cerca de 5 reais), já deu pra imaginar, né? Eu fiquei em um colchão, no chão.

O banheiro ficava no lado de fora, a água quente tinha acabado, a privada mal tinha descarga (nem preciso falar do assento e do papel higiênico, ok?). Enfim, depois de sete horas caminhando pra cima e pra baixo, ninguém tava precisando de um banho mesmo, imagina.

Bom, compramos alguns vinhos, atum, maionese, torradas e estava pronta a festa. Ficamos a noite toda conversando, rindo e cantando.

Todos os brasileiros juntos na Isla del Sol

Depois da noite fria, acordei no outro dia, bem cedo na esperança de tomar banho, mas a água quente não existia mesmo. Desencanei, banho mesmo seria só no final do dia, já em Puno, no Peru.

Comi um lanche rápido em Copacabana e peguei o ônibus para Puno, mais quatro horas e meia. Atrasamos o relógio uma hora, para acertar com o horário peruano. Passamos na fronteira, sem grandes problemas. Na rodoviária, me despedi das duas brasileiras que conheci e fui em busca do hotel que já tinha reservado ainda no Brasil. Fui torcendo para que não fosse mais nenhuma roubada. E não era. Ali, meu banheiro tinha água quente, descarga na privada e papel higiênico (!). Tava no céu! Um quarto só para mim com TV a cabo. Um luxo só. Tudo por apenas 30 soles (algo em torno de 20 reais).

Fronteira Bolívia-Peru; entrada por Puno

A passagem em Puno foi rápida, cheguei às 17h e sai no outro dia às 7h da manhã. Mas depois do merecido banho, deu para dar uma voltinha no centro. Jantei em um restaurante maravilhoso! Tradiciones Del Lago. Não foi dos mais baratos, mas também não era nada absurdo e como eu estava merecendo me fazer um agrado, fui. Comi um filé de alpaca com vegetais e vinho peruano. Coisa fina! Super recomendo.

É visível a mudança da Bolívia para o Peru. Não tem como não notar a estrutura das cidades peruanas para o turista, em comparação com as bolivianas. Uma pena, pois a Bolívia é linda e não é a primeira coisa que vem na nossa cabeça quando falamos desse país.

A viagem para Cusco, minha próxima parada, levou cerca de 10 horas, mas conto no próximo post. Até lá!

ps. Fico feliz em saber que esse é o post de número 100 do blog! Quando ele começou, no dia 08/08/08, não pensei que fosse durar tanto, mas não é que tá durando?





Chegando na Bolívia!

25 01 2012

Era 4 de janeiro, quando embarquei para a Bolívia. Um pouco de apreensão para saber se a empresa de aviação Aerosur realmente existia, mas tudo ficou mais calmo quando localizei o guichê para o check-in.

Apesar de atrasar, o voo foi tranqüilo, cheguei em Santa Cruz de La Sierra, para a conexão, com um calor de 30°C, por volta das dez horas da noite. Sem muita explicação, tentei me localizar onde pegaria o outro avião para La Paz. No meio do caminho, ouvi “Ai, se eu te pego” duas vezes – em menos de 30 minutos em território boliviano (!). Uma previsão do que ainda ouviria pela viagem. Tomei um café com meio sanduba que vendiam ali na lanchonete. O café parecia com o de coador, estilo brasileiro mesmo, mas um pouco morno.

Aeroporto Santa Cruz de La Sierra

O vôo atrasou de novo, além de mudarem o portão de embarque no último minuto. Dessa vez, subiríamos bastante. De 400m de altitude para 4.100m (altitude do aeroporto de La Paz). Eu já esperava sentir algo, por causa dessa subida tão rápida, então já no avião comecei a me sentir estranha, mas no final das contas, só tive uma pequena dor de cabeça mesmo. Quando a porta do avião abriu, pude sentir os gélidos 6°C da capital mais alta do mundo.

Os taxis daqui não tem taxímetro, então o preço é sempre negociado antes de entrar e, normalmente, o valor é cobrado por pessoa. A corrida até o centro de La Paz, onde estava meu hostel, me saiu por 25 bolivianos – assim como para a senhora com quem rachei o taxi, que também ia para o centro.

Me registrei no Loki Hostel e fui logo para o meu quarto dormir, estava bem cansada. A cama era ótima com dois travesseiros e um belo de um edredom. Já no outro dia, com o mapa da cidade em mãos, fui dar uma rodada pelo centro para ver um pouco mais da cidade. Andei um quarteirão e já fiquei ofegante. As ruas em La Paz são, em sua quase maioria, subidas e descidas, junte isso ao fator altitude e você vai se sentir a maior das sedentárias.

Rua de La Paz

Fui até a Plaza Murillo para ver a Catedral, o Palácio Legislativo e o Palácio Presidencial, onde trabalha o presidente Evo Morales. Ali havia vários jornalistas e redes de TV, aparentemente eles sempre ficam por ali.

Plaza Murillo

Queria encontrar os museus da Rua Jaén e acabei me perdendo um pouco. Pude ver bastante da situação daquele que é considerado o país mais pobre da América Latina. O comércio informal das ruas do centro é a grande maioria. Com uma rápida andada, você pode ver dezenas de “cholas paceñas”, moradoras de La Paz, com o traje típico boliviano sentadas ao lado de uma barraquinha que se vende de tudo um pouco, às vezes comidas e bebidas, outras vezes pen drives, DVDs e livros.

Momento raro de pouco trânsito em La Paz

Depois encontrei a Rua Jaén, passei por cinco museus: Museo Constumbrista Juan de Vargas (que conta a história de La Paz através de miniaturas), Museo de Metales Preciosos, Museo Del Litoral Boliviano (meio chatinho), Museo Casa de Don Pedro Domingo Murillo (líder da revolução independente em La Paz de 1809) e Museo de Instrumentos Musicales de Bolívia (o MAIS divertido).

Antigas guitarras bolivianas

Entre guitarras feitas com casco de tartaruga, acordeons e tambores, o museu vai mostrando a história dos instrumentos na cidade. Do lado de fora, eles deixam alguns brinquedinhos para os visitantes se divertirem, olha só:

Depois que a fome bateu, fui em busca do almoço…o que não dava para ser em qualquer lugar. Optei por uma espécie de fast food local, que vendia pratos e lanches com frango. Os pollos fritos são super comuns por aqui. Normalmente, são pedaços ao estilo frango à passarinho, acompanhados com batatas fritas. Esse prato é chamado de pollo broaster. O que não é ruim, só não muito saudável. Escolhi umas tirinhas de frango, ao estilo nuggets com arroz, banana frita, batata frita e um molhinho picante feito com aji, que ainda hei de conseguir a receita. Tudo por 25 bolivianos ou R$7,40.

Almoço no Pollos Panchita

Fui até a rodoviária, comprar minha passagem para Copacabana (depois descobri que há várias opções de ônibus ao lado do cemitério, com preços melhores), pois era meu próximo destino. Para voltar para o centrinho, decidi pegar um micro-ônibus tradicional, porque eles eram LINDOS! Todos coloridos e cheios de gente. O motorista era um pouco mal-humorado, mas tudo bem, eu me diverti. Desci na Plaza Murillo e fui andando para o hostel, que era pertinho.

Micro-ônibus por fora

Micro-ônibus por dentro

Pela noite, conheci um grupo de argentinas e combinamos de sair no outro dia para explorar outras partes da cidade. Eu havia visto um parque no mapa e queria conhecê-lo. Ele fica entre os bairros de Miraflores e Sopocachi, os mais ricos de La Paz. Fomos caminhando e passamos pelo Paseo El Prado, uma das principais avenidas, que conta com várias lojas de sapatos, roupas, bancos, um cinema e restaurantes.

Paseo El Prado

No final das contas o Parque Urbano Central tinha pouco verde e mais pedras, sem contar com os largos degraus, mas era até que bem bonito. Sentamos por ali e fizemos um pic nic improvisado com um pouco de pão, maionese com atum e doritos. Foi o almoço do dia!

Enrolei mais um pouco e fui para a rodoviária, pegar o ônibus até Copacabana, cidade onde está o Lago Titicaca. Viagem de pouco mais de 5 horas que conto depois!

Vista de La Paz