Diário de bordo – TCC represa da Guarapiranga – parte-quase-final (contagem regressiva)

9 10 2009

foto por: Camila Pastorelli

7 outubro de 2009.

Nunca achei que esperar pelo Sol pudesse demorar tanto. Depois de semanas torcendo para que as nuvens nimbus dessem um tempo para o mau tempo, consegui ver o céu azul na última manhã de quarta-feira. A razão? Precisava fotografar as águas da Guarapiranga durante o monitoramento semanal feito pela Sabesp. E para isso, o céu e o reservatório de São Paulo deveriam estar facilmente identificáveis, e não uma espécie de brancura sem fim.
Pois bem, às seis da manhã o céu estava extremamente azul com raios solares radiantes. Nem acreditei, e por isso, tratei logo de me aprontar para a sessão de fotos aquáticas. O sol brilhava tanto que na rádio, a repórter avisava “o motorista que trafega pela marginal Tietê encontra lentidão em função do Sol forte”. Onde já se viu sol ser motivo de trânsito? Essa cidade está perdida mesmo.
Para a minha tristeza, com a mesma intensidade que a manhã ensolarada chegou, ela foi embora, trazendo as nuvens de volta. OK, mas não tinha mais jeito, já estava lá na beirada da barragem, ao norte do reservatório, de câmera em punho e frio pelo todo o resto do corpo e iria completar a minha missão do dia.

“Você trouxe blusa?” – perguntou o simpático funcionário da Sabesp
“Ãhn…não.” – respondi.
“Shii….nem capa de chuva?” – insistiu ele.
“Ãhn….não.” – eu, de novo.
“Uhmmm….vai passar frio, hein?” – ele, tirando um sarro com a minha cara.
“Que isso, eu agüento. Gosto de vento!” – Camila, uma tolinha.
“Hahaha…já vou avisando, lá é bem frio, ainda mais com esse tempo.” – Jorge, mais experiente do que eu.

Jorge, durante a coleta de água.

Jorge, durante a coleta de água.

Achei melhor aceitar a capa de chuva que me arrumaram. Sabe como é, não sou uma explorada da natureza orgulhosa. E foi a melhor decisão que tomei. Tava um tremendo de um vento maravilhoso, que foi muito bem aproveitado com toda a proteção que a cobertura artificial da capa de chuva pode oferecer.
O passeio até que foi rápido, cerca de 40 minutos. Com um pequeno barco a motor, passamos por 5 dos 7 pontos que a Sabesp monitora na represa a cada 3 dias. Nas margens da Guarapiranga se vê de tudo, entre nobres e pobres. Casas com garagem para jet skies e barracos de madeira. Pude aproveitar bastante. Mesmo que não conseguisse boas fotos (algumas se salvaram), só o fato de ter estado lá e poder ter realizado o tour privilegiado, valeu à pena.
Os últimos meses foram difíceis e trabalhosos e ninguém melhor do que eu, sabe como é “viajar” tantas vezes para a Guarapiranga. Trajetos que levavam mais tempo do que as próprias entrevistas feitas. Dias de calor e de chuva. Finais de semana e dias de semana. Não foi fácil. E me lembrei de tudo isso enquanto estava sentada no pequeno barco no meio da água.
O sentimento que fica é que foi um trabalho do caramba, mas não podia ter sido de outra forma. Se fosse, o sentimento de dever cumprido daria lugar ao de decepção, de tempo perdido. Que bom que foi do jeito que foi. Mesmo sem ter finalizado completamente a reportagem e o relatório final (Deus do Céu, nem passei pela banca ainda!) estou feliz.
Tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da cidade em que vivo por apenas quatro anos. Tive oportunidade de entrevistar pessoas muito boas e outras muito ruins. Tive oportunidade de perceber que água, esgoto e moradia são problemas extremamente sérios, mas que são levados pouco a sério. E por fim, tive a oportunidade de sentir o vento e tocar as águas do segundo maior sistema de abastecimento da Grande São Paulo. É uma pena que ele esteja cada dia mais poluído.
O quase-final do temido trabalho de conclusão de curso não poderia ser melhor. Acompanhar a coleta de água da Sabesp me fez lembrar porque escolhi tratar de jornalismo socioambiental e porque falar de natureza é sempre muito gratificante. Fiz o melhor que pude. Pode ter certeza. Agora é só esperar dezembro chegar.

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Viva Coldplay no Brasil.

4 10 2009

Contagem regressiva para março, já que a banda anunciou seus shows no Brasil para os dias 28 de fevereiro, no Rio de Janeiro e 2 de março em São Paulo, no estádio do Morumbi. Os ingressos começam a ser vendidos em novembro. Comecem a fazer suas reservas, porque tudo indica que não serão baratas. Na última passagem da banda pelo país, o preço foi de 150 a 400 reais. Mas vamos combinar que vale à pena, não? Já existe até um site para o evento: www.showcoldplay.com.br

O clipe acima é um do novo cd Viva La Vida e se chama “Strawberry Swing”. Em estilo stop-motion, com fundo de giz, o quase curta-metragem é muitíssimo bem feito pelo coletivo inglês Shynola, que já realizou outros trabalhos com o Queen The Stone Age, Blur e o último, em 2005, com o Beck.

making of do clipe.

making of do clipe.

Aqui você encontra uma entrevista com um dos diretores, Kenny Kenworthy.