TCC represa da Guarapiranga: a arte final.

19 11 2009

Com relatório final pronto e reportagem na gráfica, posso voltar a pensar em ter uma vida social.

Queria compartilhar com vocês a arte das três partes da reportagem: água, terra e homem.

Os créditos do planejamento gráfico vão para o Fernado Kataoka (mais conhecido como cara-torta…hehe), não faria nem 1/5 disso sem ele. Obrigada mesmo!

Água

Terra

Homem





Diário de bordo – TCC represa do Guarapiranga – parte 3

15 09 2009

foto por: Camila Pastorelli

9 de julho de 2009.

Por causa do feriado, o número de ônibus é menor e por conseqüência, a quantidade de pessoas dentro dele é maior. O dia está quente e ensolarado, o que para um ônibus cheio, não é o tempo ideal. O trajeto dura cerca de 1 hora, como o de costume, mas me sinto bem mais cansada. O desânimo deve ser por causa do calor e do fato de ser uma quinta-feira de um feriado e eu não estar em Pinda.

Ao pegar a lotação Rivieira, no terminal Santo Amaro, me informei com o motorista se havia uma parada em frente à entrada do Parque Ecológico Guarapiranga. Ele disse que sim, “nas duas”. Não sabia que existia mais de uma, portanto, tratei de ficar esperta para descer no lugar certo. Pela primeira vez, peguei uma dessas lotações, em uma situação que honra o nome: lotada. Era criança com sorvete de casquinha escorrendo, famílias com inúmeras sacolas de supermercado, crianças de colo, idosos, o tio querendo vender “pipoca doce, bacon fresquinho” e até um rapaz tentado ler um livro em meio todo o “apertamento”, calor e trilha sonora da rádio Tupi.

Por volta de duas e meia da tarde, cheguei ao Parque e me animei um pouco mais, afinal, havia saído da lotação e convenhamos, não tem como não gostar de entrar em um parque. Fui procurar o Marcos, gestor do lugar desde sua inauguração, em 1999. Não pensei em toda uma entrevista com ele, até porque, talvez ele não estivesse, mas quando conversamos pelo telefone, ficou de deixar um banner e alguns folhetos para mim.

Acontece que ele foi trabalhar no feriado e começamos a conversar um pouco sobre qual a ideia do parque, o que ele oferece e essas coisas todas. Descobri que entre o decreto para a sua criação e a real inauguração, houve um período de 10 anos. Por causa disso, a região que era para ter 330 hectares, foi para 250. Os outros 50 já estavam ocupados.

Quanto mais eu converso com as pessoas que moram ali, mas percebo o quão complicado é falar de meio ambiente num lugar, onde a prioridade não é o meio ambiente, mas sim a subsistência, como bem disse o Marcos. Não que a preocupação não exista. Em alguns casos, percebe-se a degradação da região e movimenta-se para que ela não avance. Como me contou a Maria, moradora do Bolonha, no Jardim Ângela. Com a iniciativa de seu amigo indígena, ela e alguns jovens ajudavam a apagar o fogo da mata, quando pessoas, por sabe-se lá que motivos, resolviam incendiar algumas áreas do Parque.

Contudo, o que há em comum entre Maria e Marcos, duas pessoas vindas de realidades bem diferentes, mas que atualmente vivem no extremo sul da cidade? O aprendizado.

….

Continua.





Diário de bordo – TCC represa do Guarapiranga – parte 1

29 06 2009

Foto por Camila Pastorelli

17 de junho de 2009

“Tem gente que mora aqui e nunca foi para o centro”. Depois de um percurso de quase duas horas que teve início na rua da Consolação, no centro da capital paulista, chegou até o Terminal Santo Amaro, e passava pela estrada do Rivieira, na zona Sul, a conversa entre os passageiros da lotação 6028 – Rivieira mostrava que a questão da moradia não era apenas de meu interesse.

A senhora de fala alta e despojada, com o filho ainda criança, comenta com o homem sentado ao seu lado, sobre como está difícil e caro encontrar casas para alugar por ali e diz também que só sai do bairro se for para morar no centro da cidade ou voltar para o norte – só que nesse caso, não o da cidade, mas o do país.

O caminho que o ônibus percorre até a região da represa do Guarapiranga – cerca de 30 quilômetros da zona central -, mostra as diversidades de uma cidade que não é apenas uma, e sim várias. O quase silêncio que reina entre os passageiros da avenida Paulista, concentrados em seu próprio livro, sono ou música no fone de ouvido muda a medida que o circular roda pelos emaranhados de asfalto a perder de vista.

O ar vai ficando mais puro e o cheiro do vento, antes ora com toques de fumaça , ora esgoto, fica mais gostoso de ser sentido. Da mesma forma, as pessoas, já sem os fones de ouvido, conversam e riem entre si. A pequena lotação transporta quase sempre conhecidos – vizinhos, talvez – que cumprimentam a cobradora e falam para ela passar o recado, “Pede para a sua mãe me ligar… quero ver se desocuparam a casa mesmo, porque o Cláudio tá querendo alugar.”

Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo. Sim, porque eu ainda quero o meu diploma.





A moda agora é cultivar olheiras.

6 04 2009

Não bastassem todas as inconveniências dessa vida de meu Deus, surge esse último ano de faculdade com o divertidíssimo trabalho de conclusão de curso. Só alegria por aqui. E  sim, estou tratando de cultivar um lindo par de olheiras, assim como muitos de meus colegas. Acho que já até acostumei com os estudos na madrugada, que acabo rendendo mais depois das 00:00 am, acreditam? Um absurdo. Mas vai valer à pena, o trabalho tá ficando bonito, composto e encorpado. Yeah!

Entre um fichamento e outro, e uma pesquisa e outra, me aventuro para o Arquivo do Estado de São Paulo, em busca de jornais do período que vou analisar – sim, além da pesquisa e da peça jornalística, inventei uma análise de mídia. Sabe como é, só para dar um charme a mais.

O que eu acho incrível nesse lugar – além da organização e da quantidade de material que tem por lá – é esse espírito que baixa na gente, de jovens pesquisadores. Você fica lá, com seu crachá e sua luvinha para não sujar as mãos (às vezes, até uma máscara! Dependendo da situação lamentável do material), analisando documentos antigos. Não tem como resistir.

Mas como nem tudo nessa vida são estudos, existem aqueles momentos nos quais você se distrai com uma notícia ou outra nos idos de 1991, como foi o caso da seguinte manchete: “Amante morde a língua de operário”. COMO ASSIM?? Pois é, o cara brigou com a amante, deu-lhe uns tapas, e depois resolveu fazer as pazes. Mas no exato momento do beijo, a jovem não teve dúvidas: Arrancou um pedaço da língua do traidor. A matéria dizia que ele chegou no pronto-socorro gritando e com a boca sangrando. Depois falam que é em jornal do interior que tem notícia desse calibre. Uhmmff.
Enfim, me diverti à valer – entre o nascimento de um ornitorrinco e a inauguração da linha verde do metrô, em São Paulo.

Só para não dizer que não provei nada disso que escrevi, selecionei uns recortes – não tão legais quanto os da amante carnívora -, do ano de 1975. Precisei de umas matérias da Folha de S. Paulo desse ano para quando fiz a iniciação científica, e como estava com a câmera em mãos – diferentemente dessa última vez que estive no Arquivo -, aproveitei e tirei umas fotos de momentos marcantes da década de 70.

E quem disse que jornal não serve para nada?

Suicídio? Quanta bobagem...

Suicídio? Quanta bobagem...

João do Pulo: De Pinda para o mundo.

João do Pulo: De Pinda para o mundo.

Mackenzie dominando o quarterão de Higienópolis.

Mackenzie dominando o quarterão de Higienópolis.

O AB Toner dos anos 70.

O AB Toner dos anos 70.

Mais um pouco e vira um deserto mesmo.

Mais um pouco e vira um deserto mesmo.





Pedalando, meu amigo. Só assim.

10 01 2009

 

Há simples prazeres da vida que nos fazem um tremendo de um bem, mas por conseqüência (eu gosto dos tremas, não vou tirá-los) dessa nossa vida-louca-vida, acabamos deixando de lado. Andar de bicicleta é um desses prazeres. Há exatos 3 anos, quando me mudei para São Paulo, parei de pedalar pelas ruas aqui de Pindópolis. Havia me esquecido como é bom pedalar pelas ruas. Hoje, desenganchei a magrela da garagem, dei uma lavada de leve, enchi os pneus e criei coragem de sair por aí de novo, como nos velhos tempos. A ida até o centro da cidade me deixou com a saudável cor de pimentão – algo que não acontecia desde dos idos de 2005, tempos em que não sabia beber e ficava dessa cor.

 

Enfim, percebi coisas interessantes nesse passeio:

 

1. Eu realmente tenho um caso de amor com o vento. Não sei explicar, mas provavelmente não seria a mesma pessoa se ele não existisse; ele me acalma de uma maneira que poucos seres vivos conseguem fazer.

 

2. Assistir a filmes de romance, novelas e seriados realmente não fazem bem para a sua vida amorosa. Tinha lido isso no Destak, era uma matéria que dizia que uma pesquisa feita pela Universidade de Iauuasgsdiauysg, com os cientistas de Uashaishbiaud apontava que nos faz mal assistir a esses filmes de amor. E é algo até que lógico, porque na ficção tudo é mais cor-de-rosa e mais plasticamente bonito, não? Daí, você olha para o seu umbigo e fala: “Poxa, porque SÓ comigo que isso não acontece?” A resposta, meu caro, é simples: ficção não é realidade. E não entremos no mérito dos psicólogos e roteiristas, é apenas um fato.

 

3. Eu preciso andar mais de bicicleta. Sério. Meu condicionamento físico anda muito a desejar. Isso que dá ficar só andando em veículos motorizados.

 

4. Eu gosto de ficar tento essas viagens mentais durante esses passeios. É algo que acredito que não podemos fazer se estamos dirigindo um carro, por exemplo. – E não falo isso só porque o Detran me reprovou na prova de direção, tá? – Pés e bicicletas são meios de locomoção lindos e saudáveis e eu os adoro.

 

Foi isso. Ah! E só para fechar, gostaria de mandar aquele beijão grandão para a senhora minha mãe – Dona Selma – que aniversaria nesse 10 de janeiro! Se não fosse por ela…ai,ai,ai….o que seria de mim? Mas podem deixar que já entreguei o meu beijão pessoalmente.

 

2009 – Aproveitem. Mesmo não sendo um ano par. Acredito que ele será bem bacana. Por quê? A Editora Globo me quis como sua estagiária e eu me formo esse ano. Medinho. Ah, e quem tiver idéias para um TCC sobre Jornalismo Ambiental me dê um toque, ok?

 

O vídeo do post é de uma banda chamada Nada Surf, a música “Inside of Love” é linda, por isso está aqui.Triste, mas linda. Dêem uma conferida.

“Of course, I’ll be all right. I’ve just had a bad night.”