Salvador, o pecador?

26 08 2008

“Mãe, roubar é pecado?”. A pergunta que o pequeno Salvador havia feito dias antes, parecia mais latente do que nunca, agora que ele se encontrava na fila da lanchonete da escola, sem o dinheiro que ela lhe dera para pagar o sanduíche. A fome fala mais alto que a culpa e Salvador parte em busca de um lugar seguro para apreciar seu lanche. No entanto, as forças divinas parecem não sair tão facilmente da cabeça do jovem protagonista de “Sob o Olhar de Deus” (México, 2007). Curta exibido no 19º Festival Internacional de Curtas-Metragens, que acontece em São Paulo até sexta-feira, dia 29/08.

Com um humor leve e uma atuação cativante do jovem ator Mercel Mercheyer, o curta dirigido por Adolfo Franco levantou risos e aplausos da platéia em sua exibição no Espaço Unibanco Augusta. As cômicas tentativas de Salvador encontrar um lugar que consiga apreciar seu almoço terminam exatamente no alto de um morro, onde está uma estátua de Jesus Cristo – naquela posição “a la” Cristo Redentor.

Só que o coração do jovem “pecador” não consegue resistir a um mendigo que busca comida no lixo. Assim, como se já se mostrasse derrotado pelas forças celestiais, entrega seu lanche para o esfomeado, que agradece cantando: “Jesús Cristo, Jesús Cristo, Jesús Cristo, yo estoy aquí”. Um afinado mendigo com uma voz conhecida dos brasileiros. Opa, mas não é mesmo a voz do Roberto Carlos? Pois é, o morro todo se enche de bailarinos que dançam ao som da música do Rei. A cena musical surrealista encerra com chave-de-ouro o curta mexicano, e nos faz lembrar de outro, só que dessa vez brasileiro, que também segue a linha “Por-que-não-vamos-todos-dançar-e-cantar-juntos-agora?”, o curta dirigido por André Moraes, “Ópera do Malandro” (Brasil, 2007).

Por fim, temos um Salvador aliviado e tranqüilo, sem o peso de ter cometido um pecado divino. Só resta depois dizer para a mãe que perdeu a nota de 20 pesos que ela lhe dera para comprar o lanche. Mas aí já é outra história…

Confira o trabalho dos colegas no blog do Crítica Curta, projeto paralelo do Festival

com estudantes de jornalismo.

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O lugar mais alto.

22 08 2008

Impossível não se emocionar quando assistimos às Olimpíadas. Eu já nem tento me segurar mais. Pode ser um absurdo a quantidade de dinheiro que os países investem para esse evento, pode parecer desumano o treinamento e as pressões que os atletas sofrem, pode ser sediada num país que é o extremo oposto do que se chama de democrático ou ecologicamente correto. Não interessa. Quando você vê pela TV que um esportista do seu país – esse mesmo – desigual, subdesenvolvido, malandro – conseguiu estar à frente, conseguiu uma medalha de ouro. Você pensa: “É isso! É assim que se faz! Obrigada por representar bem o meu país, por mostrar para o mundo todo que no Brasil também se encontram campeões.”

É uma espécie de válvula de escape, pelo menos para mim, eu sempre acabo me sentindo mais olímpica (?), mais instigada e mais empolgada quando uma vitória, como a da Maurren Maggi, acontece. Dá vontade de gritar com ela, de chorar com ela. Depois de dois anos de suspensão por ter sido flagrada no exame antidoping, em função de uma substância encontrada no creme que a atleta usou para depilação, ela volta mãe e vencedora, pulando exatos 7 metros e 4 centímetros. Só orgulho por aqui. A comemoração foi completa no 3º andar do prédio da minha faculdade, onde temos uma lanchonete. Acompanhamos tudo pela TV. E nos emocionamos.

O engraçado foi que com toda a mega cobertura e falação sobre a “Maior Olimpíada da História”, nós acabamos nos empolgando junto e esperando bons resultados – digo, resultados com pódios – tão freqüentes como foi nos Jogos Pan-Americanos do ano passado. O fato é que o Brasil está fazendo uma boa Olimpíada, mas não como estava previsto no nosso imaginário. Desculpa, mas ainda temos que comer muito arroz com feijão e investir muito mais em esporte nas escolas para conseguir mais bolachinhas olímpicas. Não adianta se deixar influenciar pela grandiosidade do evento.

De resto, é só comemorar e se emocionar com os nossos atletas que estão chegando aqui com uma medalha no peito, seja de que cor for. Até porque que graça tem ganhar OITO medalhas de ouro, não é? Maior peso, que bobagem. [Phelps orelha de abano!]





Uma noite com Josh Rouse.

18 08 2008

 

É por isso que eu adoro o Sesc. Você tem a oportunidade de ver um cantor internacional se apresentar num teatro com uma estrutura muito bacana, uma acústica melhor ainda e tudo isso pela bagatela de DEZ reais (se você for estudante). Não é algo estranho para padrões tupiniquins?

De qualquer maneira o show do cantor norte-americano Josh Rouse foi uma beleza, como resenha o site da Abril. Eu fui conhecendo cerca de cinco, seis músicas, e saí de lá com vontade de “baixar” o resto todo na internet. Sim, o cantor só tem um CD lançado no Brasil, e como ele mesmo brincou, “Obrigado por vocês conhecerem as  minhas músicas, tenho certeza que todos compraram os CDs pela internet.”

O teatro estava lotado, eu e a minha amiga Simone conseguimos lugares no mesanino, onde pudemos ver todo o show de uma visão até que previlegiada. Canções como “Sweetie”, “It’s the nighttime” e “Love Vibration”, fizeram o público cantar e se empolgar, mesmo que sentado – um dos pouquíssimos pontos negativos da noite.

Josh Rouse falou o famoso Owbrigado” e disse ser muito fã da música brasileira, mesmo não entendendo nada do que se fala. O que importa mesmo é a música, não é verdade?

No bis, quem estava embaixo se levantou e ficou bem pertinho do palco. “Sad Eyes” e “Directions”, sendo as canções mais conhecidas pelo público brasileiro, foram bastante aplaudidas.

Após o show, a barraquinha com os CDs do cantor foi praticamente atacada por todos que queriam levar uma cópia para casa.

A noite de sexta-feira acabou muito bem para mim. E até teve medalha de ouro em Pequim,não é? Mais bacana ainda.

Achei no Flickr da Anna Farath fotos do show, para quem quiser dar uma conferida, é só clicar aqui.





É crescendo que a gente se entende.

13 08 2008

O primeiro momento é a passagem dos 10 para os 11 anos:

– Poxa, não dá mais para contar a idade com os dedos das mãos.

Depois vem os 15 anos, é festa de debutante pipocando para tudo que é lado:

Vou ter que usar vestido?

– Vai.

– E longo ainda por cima? Droga.

Parece que existem momentos específicos da nossa vida que nos fazem perceber que estamos uhmm…crescendo? Funciona assim, pelo menos comigo: Você está bem, na tranqüilidade da sua rotininha meia-boca, fazendo o que sempre faz, convivendo com os amigos que você tem, vendo televisão, ouvindo música, comendo, dormindo, acordando, quando de repente…Pá! Algo acontece que sai da normalidade que existia até então. E você percebe que o tempo, realmente, passa.

Vem a época das formaturas universitárias, a grande parte dos seus amigos – uns que você conhece desde cotoco – vai poder substituir o Estudante, ao assinar o item Profissão nas fichas de cadastro por aí, por: Advogada, Engenheiro, Jornalista, Médica, Auxiliar de Máquina Fotocopiadora (vai saber,não é?).

Passado isso, começam a aparecer os noivados e casamentos, você é chamado para ser padrinho, madrinha – daminha de honra não dá mais,tá? -, vai lá, se acaba nas festanças, fica relembrando as histórias que parecem que sempre vão ser engraçadas, não importa quanto tempo passe. Pois é, de repente…Pá!

– O batizado do Pedrinho vai ser no sábado, você vem, não é?

Caramba. O Pedrinho já é realidade. Até pouco tempo atrás era:

– Ah, sempre gostei do nome Pedro, o que vocês acham? Quando eu tiver um filho, vai ser esse o nome!

Bom, as surpresas e fases são sempre bacanas, porque fazem você ficar todo encafifado coms seus pensamentos – quem sabe até surge uma crise existencial, maravilha!

O problema é quando você já tá mais que veterana nesse papo todo de “De repente..pá!”, e seus amigos e pessoas que você conhecia começam a ir embora de vez. Esse momento é uma daquelas “partes chatas de crescer” que a gente ouve tanto falar por aí.

Bom, isso tudo é o que deveria acontecer na ordem, digamos, cronológica das coisas. Só que nem sempre existe ordem cronológica ou ordem natural. A piada toda está aí mesmo: Não saber o que vai acontecer, nem quando vai acontecer, nem se você vai chegar a ver algo acontecer.

Tudo que eu sei é que meu pai já está na fase de não saber exatamente onde fica a rua Fulano-de-tal, entretanto, ele conheceu o Fulano-de-tal quando estava vivo. Bacana, não é? Gente crescida é assim.





Oito do Oito do Oito.

9 08 2008

Oito. O número da sorte para os chineses que, por osmose, influenciou todo o mundo. O número de cesarianas marcadas para hoje triplicou; quem casou hoje, só conseguiu essa façanha, porque marcou a data com um ano de antecedência; e quantos blogs começaram sua vida útil hoje? Uhm…essa informação eu não tenho, mas sei que decidi embarcar na onda da sorte e iniciar o meu cantinho virtual justamente nesse oito do oito do oito.

Estava pensando no que o meu dia foi diferente, especial ou menos comum do que os outros dias, mas percebi que nada de anormal aconteceu. Ah, claro, as Olimpíadas começaram, tentei desesperadamente assistir à abertura, mas estava em aula – super frustrada. Com toda a certeza, se estivesse à toa, livre, leve e solta para acompanhar as quatro horas de abertura dos Jogos, não assistiria mais que uma hora. É assim que funciona, a gente ADORA reclamar, não é verdade? A mesma coisa com a chuva. Ficamos mais de trinta dias sem uma gotinha de água do céu, e o que acontece quanto ela resolve aparecer? “Mas não podia chover outro dia!? Justo hoje que vou viajar…(troca)..justo hoje que fiz chapinha….(troca)…justo hoje, pombas!….blá, blá, blá…”

No meu caso, foi a combinação chuva + trânsito que fez do finalzinho do meu dia algo bem cansativo: quatro horas de viagem da ponte rodoviária de toda sexta-feira São Paulo/ Pindamonhangaba. O normal são duas horas. Mas pensando bem, em vista do número cabalístico de hoje, antes quatro do que oito, não é verdade?

PS. Não, não….não pretendo fazer a promessa de escrever todo o santo dia aqui, isso não vai acontecer. Entretanto, sempre que as idéias aparecerem, serão publicadas. Até nove do nove do nove. E tenho dito.

Camila Braga