The Commitments

21 05 2013

Ontem tive a sorte de assistir ao show da Jesuton, uma das apresentações da Virada Cultural, em São Paulo. Essa cantora inglesa de 27 anos veio parar no Brasil para ganhar a vida, depois de cursar Ciências Sociais, viajar para a América Latina e conhecer o atual marido em Cusco, Peru. Começou a cantar nas ruas do Rio de Janeiro e graças a vídeos postados na internet, foi descoberta e trocou as ruas pelos palcos. Gravou um CD e estava com uma canção cover na trilha sonora da última novela global das oito (ou das nove). Vale conhecer o vozeirão da mulher que canta também em português. Foi lindo!

Bom, falei tudo isso porque além do show ter sido ótimo, a Jesuton cantou uma música que conheci quando assisti ao filme The Commitments – Loucos pela fama (1991) há alguns anos, confiram o trailer abaixo. O filme se passa na Irlanda e conta a história de alguns amigos que decidem montar uma banda de soul music. Além de ser divertidíssimo, a narrativa conta com uma trilha sonora maravilhosa, que os atores/músicos interpretam muitíssimo bem! Depois de ver várias vezes o filme nas reprises do Cinemax ou da HBO, não me lembro mais, comprei a trilha sonora e ouvi sem parar. Ah! e uma das músicas mais lindas do filme, e a tal que a Jesuton cantou também ontem, é a Try a little tenderness

Pesquisando um pouco mais sobre o The Commitments ontem acabei descobrindo que em 2011 se comemorou 20 anos do filme com um grande show feito por todo o elenco em Dublin, na Irlanda. Muito emocionante!

No filme, o músico Andrew Strong, que interpretou o vocalista da banda, impressiona com sua interpretação, que voz!! Bom, ele continua cantando por aí (agora já sem os cabelos compridos da época), mas com a mesma potência ao microfone. Acabei baixando um CD dele, não resisti.

Outro músico que se destacou após o filme, e quando descobri fiquei chocadíssima, foi o meu querido Glen Hansard (já falei dele aqui). Gente, ele era MUITO feinho e estranho! Como pode a pessoa dar um upgrade tão impressionante com apenas alguns anos? Olha a fotinho dele aí embaixo (o ruivo à esquerda).

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Bom, para quem não conhece o filme, eu super recomendo!

Até!

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Adeus, Belas Artes.

6 01 2011

O cinema fecha para dar lugar a uma loja. Achava que essas coisas só aconteciam em cidades do interior, como a minha. O Belas Artes, logo ali, na esquina da Consolação com a Paulista, foi um dos primeiros cinemas que passei a freqüentar quando fui morar em São Paulo, em 2006. Perto do apartamento e perto da faculdade, eu achava o máximo ter um espaço daquele assim, todo disponível – ainda mais com os preços especiais de segunda-feira.

Eu, Simone e Sarah no Belas Artes em 2007.

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Os dentes, o autor e os filmes.

2 02 2010

Enquanto passei alguns dias com um tremendo de um bochechão, dor e vários sorvetes por minuto, por causa da retirada de dois dentes do siso, pude aproveitar a beleza de estar em Pindamonhangaba por mais que um simples final de semana. Realmente, aqui é um ótimo lugar para ficar, às vezes me dói em pensar que passei longos quatro anos morando em um pequeno apartamento no meio de tanto concreto e poluição – e pensar que ainda vou morar por muito tempo nesse esquema, daqui pra frente. Mas o que se pode fazer? Ossos do ofício. É para isso que existem as férias não é mesmo?

Enfim, já que não podia sair pedalando por ai, o melhor que podia fazer era assistir a alguns filmes, e assim o fiz. Desenterrei umas pérolas que nunca havia assistido e foi aí que eu descobri que “E o vento levou…” não é TÃO legal assim…e puxa vida como é longo! Mas já “Casablanca” é bem bacana. Frases de efeito em um clima hollywoodiano preto e branco são incríveis. Mas o melhor é “As time goes by” na voz do pianista Sam. Lindo.

Essa semana também foi curiosa, porque quando fiquei sabendo que J.D. Salinger, o autor de “O apanhador no campo de centeio”, havia morrido. Daí pensei “ele já não estava morto?”. Mas tudo bem, ele vivia tão enclausurado no próprio quarto e tal. Depois li e ouvi uma série de comentários de como o livro tinha mudado a vida das pessoas enquanto jovens, que me deu até uma certa vergonha em afirmar que “O apanhador” não mudou a minha vida. E sim, eu li antes dos 25 anos. É um livro BEM bacana, bem escrito, interessante e envolvente, mas não me identifiquei com o personagem, sei lá… talvez minha rebeldia estivesse adormecida ou de férias. Ou foi porque eu li entre as minhas idas e vindas à Guarapiranga. Estava com a cabeça em outro lugar.

Então, só disse isso, porque também durante o meu repouso do siso, resolvi baixar o filme que conta a história do infeliz do Mark Chapman, aquele que matou John Lennon – pelo o que se conta, o rapaz carregava o livro do Salinger quando assassinou Lennon. O filme, “Chapter 27”, é meio estranho (não terminei de assistir ainda, dormi quase no final ¬¬), a impressão que dá é que você está sufocada, dentro da mente do cara. Pertubador. Apesar de não ser uma pérola, vale a pena conferir…

Chega por hoje, tenho que ir dormir agora.

Até.





Quinta insana.

26 06 2009

Foto por: Camila Pastorelli
Dia mais estranho esse ontem. Não ir trabalhar em plena quinta-feira, visitar uma senhora de 92 anos de idade, passar na avenida Paulista e entrar numa festa junina dentro de um casarão… Ok, isso merece uma explicação.

Essa cidade é muito engraçada mesmo: pegam um tremendo de um casarão antigo, lindo e começam a fazer uma aparente reforma. Eis que um belo dia descobre-se que a reforma é para uma festa junina. Até aí, bacana. As bolinhas de sabão são convidativas, assim como os enfeites de São João – ou São Pedro, não sou boa com rostos…

Ao entrar, descubro que os únicos elementos que fazem daquele evento uma festa junina, são a música sertaneja/caipira, as bandeirinhas e o quentão e o vinho quente vendidos em um canto qualquer. A grande sacada do negócio é abrigar as mais diferentes variedades dos “camelôs descolados”, que vendem roupas descoladas e objetos mais descolados ainda. Coisa fina e descolada, você precisa ver. Como não estava interessada em nada que estavam oferecendo… Quer dizer, mentira. Até me empolguei com o quentão, mas achei que não valia os dois reais e cinqüenta centavos que pediam. Pode chamar de mão de vaca, nem ligo.

Sai de lá, tentei tirar algumas fotos das bolinhas de sabão, do casarão e da bonita luz da avenida, mas nada com muito sucesso. Me lembrei que era uma quinta-feira e que o ingresso do Espaço Unibanco de Cinema fica a dois reais e cinqüenta para eu e você, caro estudante. Feito. Troquei meu vale-quentão por um vale-filme. Tá certo que estava sem minha carteirinha de estudante, então paguei cinco reais no ingresso, mas tá dentro.

Fui em busca do “Garapa”, filme do José-Tropa-de-Elite-Padilha, mas não estava em cartaz. Já saiu ou ainda nem entrou? Fazia tanto tempo que não ia ao cinema, que nem lembro o último filme a que assisti. Enfim, acabei optando pelo “Simonal – ninguém sabe o duro que dei”. A escolha foi boa, esse cara realmente tinha uma voz fantástica, sem fazer esforço algum. Essa coisa de dom parece que existe mesmo.

Provavelmente, se ele fosse da minha geração, eu não iria muito com o seu jeitão carioca e cafajeste de ser. Isso me irrita um pouco. O Simonal está para a malandragem brasilo-carioca, assim como os irmãos Gallagher (Oasis) estão para a arrogância britânica. Entretanto, ele fazendo o público do seu programa na TV cantar “Meu limão, meu limoeiro”, sem champignon, como ele dizia, é impagável. Agora, se ele foi ou não foi informante do DOPS, durante o período da ditadura, é realmente irrelevante. Acredito que ele tenha errado feio ao acusar o contador de roubo e o ter enviado para uma delegacia, onde foi bastante agredido. A cagada toda foi essa. O ostracismo prolongado da mídia foi um tanto exagerado. Uma coisa é dar um gelo para que a arrogância de alguém diminua, outra, muito diferente, é deixá-lo afundar sua vida por causa disso. E foi o que ele fez… depois de muita bebida e muita depressão, morreu em 2000.

Comecei falando que o dia foi estranho, mas ainda não terminei. Ainda na sala de cinema, recebo a seguinte mensagem, da minha amiga: “O Michael Jackson morreuuuuu! Tô em choque” Como assim? Taí o tipo de coisa que eu não imaginava mesmo que fosse acontecer. Pois é, a gente esquece que todo mundo pode morrer um dia. Qualquer dia. Qualquer um.

E não é que deu uma tremenda vontade de ouvir Jacksons Five?