Um ano depois.

5 04 2011

Há exatamente um ano desembarcava em solo espanhol para passar três meses por lá. Desci no aeroporto de Barajas, em Madri, e fui para Pamplona, também de avião. Lá, peguei um ônibus para Logroño e, logo que desci na rodoviária, busquei um taxi que me deixou – ridiculamente – 4 ruas a diante. Tudo isso poderia ser resolvido com um simples ônibus Madri-Logroño e algumas pernadas até o dormitório que me instalei durante esse tempo. Mais barato e mais rápido. Só que quando a gente não sabe das coisas, fica assim, tonta de tudo.

Depois de um ano, fiquei um pouco mais espertinha. Aprendi a beber vinho riojano e falar “vale, venga!” por qualquer motivo. Os “tíos y tías” conhecidos se espalharam pelo mundo e assim ele pareceu menor e mais próximo.

Bons tempos.

 

ps. Ok, parei com a sessão nostalgia.

ps2. Ainda não ampliei as fotos da viagem! Uf..

 





São Paulo 457 e a Biblioteca Mário de Andrade.

26 01 2011

Depois de um mês inteiro de férias, cá estou eu novamente para São Paulo. E hoje, como foi o aniversário da cidade, aconteceram diversos eventos por aqui. O que fiz, na verdade, foi um roteiro de turista-padrão. Como precisava pagar uma conta (!), decidi sair e andar por aí, encontrando as atrações meio que sem querer.

Passei pela praça da República, onde a Maria Gadú passava o som com a música “Sampa” (mas é claro); pelo Vale do Anhangabaú, com mais shows, bailes, escalada e tirolesa; pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com a ótima exposição sobre o Islã – arte e civilização; fui até o Pateo do Collegio; a Praça da Sé; e terminei na reabertura da Biblioteca Mário de Andrade.

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Aventuras na Catalunha – parte 2

12 09 2010

Depois de rodar pelas pequenas cidades catalãs, chegamos na famosa Barcelona, com cerca de 1,6 milhões de habitantes, mundialmente, conhecida por ser a terra do arquiteto modernista Antoni Gaudí (1852-1926).

O hostel escolhido, Palau Albergue, parecia não estar no mapa. Demoramos horrores para encontrá-lo entre as pequenas ruas do bairro gótico. Quando finalmente achamos o tal do hostel, veio a decepção. De “palácio”, o lugar só tinha o nome. E para quem tinha acabado de sair de um dos melhores albergues da Espanha, foi um grande choque. Quartos mal cuidados e café da manhã fraquíssimo – nem tinha pão! Só umas bolachinhas. Enfim, uma mudança brusca de acomodação, mas paciência.

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Aventuras na Catalunha – parte 1

14 08 2010

1. Girona

A viagem começa por Girona, cidade com construções medievais, com pouco mais de 95 mil habitantes. Aqui a dica é: mesmo que a cidade, a princípio, não tenha grandes atrações que justifiquem uma passadela, você deve dar um pulo em Girona. Primeiro, porque tem um dos melhores – para não dizer o melhor – hostels da Espanha. Isso eu pude descobri graças ao meu guia e depois, na prática.

Atendentes educados e atenciosos, quartos espaçosos, arrumados, limpos, ambiente mais do que agradável e café da manhã, praticamente, de hotel. Tudo isso com um preço super bacanão, para mochileiros mesmo. Anote aí: Albergue Juvenil Cerveri de Girona.

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Para Andaluzia!

25 07 2010

A viagem começa no primeiro final de semana de junho, com um ônibus até Madri e depois um trem até o sul da Espanha. A diferença foi utilizar, finalmente, o trem de alta velocidade. Sim, ele é rápido. Eu só conhecia o outro, normalzinho, que é bem mais mal cuidado e bem mais lento, óbvio.

Ao chegar a Sevilha, o que mais se nota é o calor. Apesar de já estar passando por altas temperaturas em La Rioja, o bafo quente que você sente, lembra bastante algumas cidades brasileiras. E dava para sentir um cheiro meio de cana-de-açúcar (por mais que eu saiba que lá não tenha); era um cheiro que eu não soube identificar, mas era muito familiar.

Ao sintonizar as rádios locais, era claro que eu estava na terra do flamenco. Leia o resto deste post »





Os verbos, as cidades e a primavera.

20 04 2010

A lingua espanhola é muito parecida com a portuguesa. Com certeza, isso é verdade, mas por outro lado, as semelhanças podem ser traiçoeiras, pois te confundem um bocado. As aulas aquí estao um pouquinho mais complicadas por conta disso, se você se lembra de como eram bacanas as conjugaçoes verbais da escola….pode imaginar em espanhol: pretérito perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito…e eles vêm de todos os lados, de indicativos a subjuntivos! Maravilha, né? Mas nao tem muito jeito, é sentar e estudar até que isso fique claro.

E por falar em aulas, ontem começaram as classes de gastronomia. As melhores até agora, com certeza! O professor é o simpático Paco, que nao cursou a universidade de gastronomia, o que para mim é um ponto super positivo, já que ele faz isso por prazer. Trabalhava num banco e tinha a cozinha como hobby, depois que se aposentou, passou a trabalhar só com isso. Hoje, ensina outros chefs e participa de concursos gastronômicos pelo mundo.

Aprendemos três pratos: dois salgados (chorizo com batatas e lombo de porco com pimentoes) e um doce (uma sobremesa de pêra com vinho, canela e açucar). E depois de duas semanas, finalmente descobri que cerdo é porco, e nao cervo… “boa, Camila!”. Enfim, depois de tudo pronto, juntamos as mesas e comemos, claro! Tudo estava muito gostoso e espero me lembrar de como fazer depois no Brasil. Hoje tivemos mais uma aula e aprendemos a fazer a famosa paella! huhu

Nesse domingo, algumas brasileiras, uma mexicana e eu fomos visitar a cidade de Burgos, que também está na rota do Caminho do Santiago e fica a umas duas horas de ônibus de Logroño. Apesar do tempo instável (chuva, sol, chuva, sol…) conseguimos caminhar bastante e conhecer a cidade que é uma coisa linda. Entre prédios históricos, um castelo e uma catedral, tirei uma cententa de fotos.

Acredito que a catedral seja o ponto mais conhecido da regiao, além de ser tombada pelo Patrimônio Histórico da Humanidade, a construçao data do século XIII e é GIGANTE. Se eu já achava a Basílica de Aparecida grandiosa ou o Mosteiro de Sao Bento, em Sao Paulo, maravilhoso…nao sei como classificar a Catedral de Santa Maria de Burgos. Cada vez mais vejo que nao sei de nada mesmo…e já me disseram que quando eu for para o Vaticano, aí sim vou ficar impressionada.

Burgos: cenário de filme

De qualquer maneira, sempre tenho um sentimento duplo quando vejo essas construçoes religiosas. Para mim é tudo muito exagerado e ostensivo para um lugar, onde, em tese, deveria ser mais voltado para o lado espiritual do que material. É tudo tao grande e tao rico em detalhes que a sensaçao que dá, para quem esta ali, é de opressao. Você se sente pequeno e insignificante perto de tudo aquilo – talvez, seja exatamente esse o propósito.

Religiao à parte, a construçao é absurdamente linda, de te deixar de pescoço dolorido de tanto olhar para cima. O local passou por algumas restauraçoes ao longo dos anos e possui várias peças expostas, como em um museu, que vao desde roupas e quadros de bispos a manuscritos religiosos.

De resto, as coisas vao bem, já estou planejando as próximas viagens maiores – Barcelona, Paris e Roma – e apesar de todo o tabalho que dá (hospedagem, transporte, horários), é muito empolgante e compensador ver os planos saindo do papel. O lado desesperador é olhar para o guia de viagens que tenho, ver a quantidade de lugares, culturas, festas e história que existem por aí e saber que nao vou poder conhecer tudo, simplesmente pelo fato de que uma vida nao é suficiente para tanto. Quem sabe com um teletransporte? Era tudo que eu queria…

Bom, acho que é isso….agora o tempo por aquí está bem melhor, ou talvez tenha sido eu quem forcei meu corpo a se acostumar com as temperaturas desse lado do mundo. Até porque, caso contrário, teria que descosturar a meia dúzia de blusas regatas que trouxe para me fazer um blusao. Por sorte, nao foi preciso, a primavera está chegando de verdade e ontem tivemos agradáveis 27 graus.

¡Hasta!





Pic nic no parque.

14 04 2010

Nada como um domingo ensolarado para fazer uma comilança coletiva no parque La Grajera, em Logroño. A ideia foi de uma das mais animadas professoras da Universidade, a Inês, que convidou todos os alunos extrangeiros mais alguns conhecidos dela para irmos caminhando ao tal La Grajera. Eis que quando dei uma olhada no mapa…o parque era um tanto longe, mas tudo bem, somos jovens, com cartilagens nos joelhos e tudo mais. Sem problemas! Saìmos às 11h30 da praça do Espolón, no centro, nosso ponto de encontro com os outros estudantes. Eu estava mais feliz que pinto no lixo com a minha mochila nova. Sério, acho que é o meu passado de escoteira frustrada que faz essas coisas comigo, mas as pessoas perguntavam se nao tava pesada ou se eu nao queria que um dos meninos levassem….eu dizia que não, tava super bem! Com várias comidinhas dentro dela, mais a minha camera e algum dinheiro.

Caminhamos por duas horas, entre cidade e caminhos mais estreitos (alguns deles coincidiam com o trajeto do Caminho de Santiago, que passa por Logroño! Fantástico!). E esse vídeo foi feito quando estávamos quase chegando…já um pouco cansadas, com fome e todo o resto. O melhor é o nosso amigo Taku falando em português (“Ôo, lá em casa”). Ele é do Japão e está fazendo algumas aulas de portugues, porque quer aprender a língua e visitar o Brasil um dia…uma simpatia só!

Ao chegar, o pic nic consistia com uma “chuletada”, que sao chuletas de cordeiro assadas na brasa de gravetos. O mais próximo de um churrasco que eu vou chegar nos proximos meses. Foi ótimo, os espanhois que foram conosco eram bem engraçados e espalhafatodos, bem ao estilo brasileiro de festas e reuniões entre amigos. Com muita carne, cerveja e vinho passamos todo o dia no La Grajera, que é incrivelmente bonito, me lembrou um pouco o Horto Florestal em Campos do Jordão, mas tambem tem um grande lago, alguns restaurantes e uma pista de golf. Enfim, é uma super diversao para quem mora por ali. Voce leva a sua comida, estende sua toalha na grama ou nas mesas que existem por lá e pode ficar cantando, dormindo, jogando ou caminhando. Fizemos um pouco de tudo.

Encontramos um tiozão com um super rádio de fita K7. Isso mesmo: fita K7. E estava lá tocando clássicos da música espanhola, com sua garrafa de vodka com caramelo (algo a se provar mais vezes) e sua família. Ficamos um tempo com ele, dançando e cantando. Rolou até um “Macarena”. Muito bom. Depois encontramos uma criança descontrolada que quase nos matou de tanto rir e de tanto correr, pois ela estava super querendo jogar bola e mandar nas pessoas e nós, como bons estrangeiros, entramos na dela. Uma cómedia aquela menina. Tinha um ótimo senso de organizaçao, nos dividiu em grupos e tudo mais. Por fim, quando suas irmãs a chamaram para tomar um sorvete, ela nos disse “Vocês têm um tempo livre agora, podem descansar, depois a gente vai se divertir mais”. Claro que depois disso, fugimos todos para bem longe.

Antes desse dia, teve o sabado (dã!) e o tal Barcelona X Real Madri. Fomos para um bar perto da Universidade para poder assistir a partida. Confesso que esperava mais empolgaçao, falaram tanto desse jogo, mas nao foi tudo isso. Me lembrei daquele episòdio de “Friends” que o Chandler e a Phoebe não querem ajudar a Monica a fazer o jantar de Ação de Graça, então fingem que estão super prestando atenção no jogo de futebol americano. Assim, uma vez ou outra, dão uns berros ou comemoram algum lance para ela pensar que eles sabem do que se trata aquela homarada correndo. Fiz isso em vários momentos. Haha Mas o resultado foi 2 a 0 para o Barcelona. Enfim, a vida continua.

Depois fomos para um dos “bares” do centro da cidade. É engraçado, porque o que eles chamam de bar, para nós é o equivalente a “balada”. É um lugar um tanto pequeno, com uma pista de dança e um balcao que vende bebidas. Fomos a dois desses lugares, pois nao paga para entrar e é o que todo mundo faz até umas 3 da manhã, quando finalmente abrem as “discos”, que dai sim são lugares para dançar de verdade (vai entender…). De qualquer forma, nao duramos até as 3h da manhã, fomos embora um pouco antes, pois ainda teria o pic nic no domingo e ninguem ia acordar. Quem sabe no proximo final de semana… O mais curioso é como todas as pessoas entram encapotadas de roupas de frio, cachecol e tudo mais, depois as tiram quando entram nesses bares, as colocam num gancho perto da entrada e só voltam a pega-las ao sair. Ai, esses europeus, muito civilizados.

Ah, mudando de assunto! Existe um lugar aqui chamado “Gota de Leche” que é um centro cultural para jovens e lá eles tem diversos cursos, espaço para exposiçoes, internet e essas coisas todas. Em maio vai ter um curso de 4 dias de retrato fotográfico! Tô super empolgada! Me inscrevi também em umas noites de praticas de línguas. Funciona assim, eu, por exemplo que falo portugues e quero praticar espanhol e ingles vou conversar com pessoas espanholas ou inglesas que querem aprender portugues. Aì, ficamos metade do tempo falando em uma lingua e metade do tempo em outra. Isso seria no mundo perfeito, né? Mas na real, é uma sala com várias pessoas de paises diferentes que querem praticar espanhol ou ingles…hehe Mas foi interessante, só fui uma vez. No dia, tinha duas brasileiras (eu, inclusive), uma mexicana, tres espanhois, um ingles e um alemão. Uma bagunça só, claro.

Ah, e vou fazer um pedaço do Caminho de Santiago. Digo, um pedacinho. Bem pequeno mesmo. Esse ano é um ano especial para os peregrinos, è um ano jacobeo, mas ainda nao descobri porque. Vou ter aulas sobre a história do Caminho e assim que souber, conto aquí. De qualquer maneira, há muitas comemoraçoes e eventos especiais, por isso vou com um grupo caminhar 22 km, da cidade de San Martín até Logroño. É pouco, mas acredito que será bem bacana. Estou empolgada!

Enfim,…acho que por hoje é só!

¡Hasta!