Exposição Jazz nos Fundos

24 04 2012

Amigos,

Gostaria de convidá-los para conferir algumas fotos minhas expostas no bar Jazz nos Fundos (Rua João Moura, 1076 – Vila Madalena). São fotografias que tirei na Bolívia, lugar que estive no começo do ano, como vocês podem conferir em alguns posts passados e alguns, futuros!

O tema da exposição é “fotos de viagem” e não poderia caber melhor, não é mesmo? Também estarão expostas as fotos de Gabriel Bianchini, Sándor Kiss e Ilan Schleif.

Espero que todos possam ir e prestigiar! A exposição começou em abril e vai até o comecinho de maio.

Para quem não conhece, o Jazz nos Fundos é um ótimo bar, com ambiente aconchegante e música ao vivo de qualidade! Quando você chegar no endereço e der de cara com um estacionamento, fique tranquilo: é ali mesmo….nos fundos!

Abraços!

Camila

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A vida no feriado.

24 04 2011

O aguardado feriado de Páscoa veio acompanhado de uma listinha de afazeres, porque é claro que você decide colocar a desordem da sua vida – bagunçada nos últimos vários meses – na mais perfeita ordem em apenas alguns dias. São coisas para comprar, arquivos para arrumar, contatos para fazer, contas para pagar, presentes para entregar. Quando a gente vai ver, o feriado já passou e a sua lista, pouco diminuiu. Claro que não foi só culpa minha, ok?

Tenho que dizer que levei longas 6 (s-e-i-s) horas para sair da capital e ir para a terrinha. Um trajeto de 150 km, que em dias bons, me custam 2 horas de carro, em média. E esse, definitivamente não foi um dia bom. Já aí foi-se uma manhã e parte da tarde, com direito a almoço dentro do carro, mediante a lanchinhos disponibilizados pelas simpáticas moças do pedágio – nada como as ações publicitárias, não é mesmo?

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O incrível mundo dos ônibus paulistanos.

20 03 2010

Viver em São Paulo há alguns anos e não ter, no mínimo, uma história curiosa para contar dos transportes públicos dessa cidade…é o mesmo que não morar em São Paulo – ou morar numa bolha, sei lá.

Entre inúmeros ônibus errados e ônibus certos (mas em sentidos errados) que já peguei nessa vida, houve também aqueles momentos mais tensos em que eu pensava “ – Mas isso só pode acontecer comigo!”. E talvez, só tenha acontecido mesmo.

Segue a listinha:

1- Uma manhã bonita com Sol, bom vento. Ônibus relativamente vazio. Eu escuto uma agradável trilha sonora na rádio. Tudo vai bem até que uma senhora com uma bolsa de mão, que antes só parecia ser uma passageira, se revelou uma vendedora. Continue lendo »





Em que momento se deve ajudar mesmo?

20 01 2010

Os recentes – e numerosos – desastres naturais não deixam de me fazer pensar naquela história do sapo que ao entra em um recipiente com água fervendo, pula logo para fora dali; e de maneira oposta, o outro sapo que ao ser colocado em outro recipiente com água fria, que esquenta aos poucos, fica na água fervente até morrer. Não sei que raios mais é preciso ser feito para percebemos – e me incluo nessa – que o dia depois de amanhã talvez seja realmente depois de amanhã, e não daqui a 50 anos.

As enchentes em São Luís do Paraitinga, os deslizamentos de terra em Angra dos Reis, as fortes tempestades em todo o estado de São Paulo, as temperaturas mais do que baixas no hemisfério norte e as temperaturas mais do que altas no hemisfério sul fazem sim parte de um contexto único e interligado, que só não relacionam aqueles que não o querem fazê-lo. Vamos vivendo em nossas vidinhas cheias de iphones, fazendinhas, lady gagas, twitters e Starbucks e tudo vai bem até quando, um dia, quem sabe, algo acontecer. Daí quando acontecer, nós pensamos no que fazer.

Achei muito curioso, e claro, dolorosamente triste, o terremoto que devastou a cidade de Porto Príncipe, no Haiti. A parte curiosa é que se conseguiu arrecadar mais de 5 milhões de dólares em algumas semanas através de mensagens de texto pelo celular, vindas de pessoas comuns, entre outras centenas de milhões de dólares vindas de empresas e celebridades. Ou seja, o dinheiro existe, a pergunta é: quando é que se acredita ser necessário gastar com outras pessoas que não nós mesmos? A situação vivida pelos haitianos há dezenas de anos já não era suficientemente decadente e necessitada de financiamento e apoio?

A água fervendo não assusta. É a ebulição que causa a reação. Li em algum lugar que casos como esses do Haiti despertam o melhor de cada ser humano, algo como a generosidade e o amor ao próximo. Acredito nisso também, sem dúvida. Mas por que precisamos que cenas como aquelas aconteçam para deixarmos aflorar o nosso melhor?

As cenas que vi pela televisão, jornais e revistas me marcaram bastante, assim como as histórias das famílias que perderam seus parentes na virada do ano no litoral e dos moradores que perderam tudo em São Luís e no Jardim Romano, bairro da capital paulista que ficou mais de 40 dias debaixo d’água. O meu primeiro pensamento é sempre “O que eu tô fazendo aqui, se eu poderia estar lá ajudando?” Mas depois de ver algumas matérias gravadas em Porto Príncipe, pela equipe da CNN e observar capas de revistas como a da Época e da Veja (fotos iguais, diga-se de passagem), não vejo razão para ser mais um jornalista lá, relatando o que acontece, simplesmente.

Acho que não conseguiria ir para lá para relatar, entrevistar, fotografar e vir embora, impressionada com o que vi e senti, contando para os amigos e conhecidos como foram duros aqueles poucos dias com a realidade haitiana. Me parece muito pouco e um tanto quanto vanglorioso e exibicionista. Não concordo com algumas vinhetas hollywodianas de canais de televisão e comportamentos de jornalistas que vão para as ruas como se estivessem em um cenário de ficção. É tudo muito estranho. E para mim, a Veja e a Época erraram ao colocar em suas capas a foto que colocaram. Fotografar a morte como se fosse arte para impactar não é jornalismo. Ou talvez… seja mau jornalismo.
Enfim, acho que o final de ano passou e eu nem me dei conta. Tenho a impressão que não houve a conclusão de um ciclo e o início de outro. Tudo se juntou, por uma série de outros motivos, de uma maneira que as coisas estão um pouco desgastante. Espero que o sentimento passe logo. Afinal, é um ano par, é o final de um ciclo e o começo de outro na minha vida e na de tantos outros. Tenho que mudar o tópico “profissão” aí em cima da tela e começar preparar meu roteiro para os próximos meses. Que a água ferva logo e 2010 comece de uma vez.





Premiação Arte de Fotografar.

1 12 2009

Estarei lá, representando Pindamonhangaba.

Se você puder prestigiar, ficarei bastante feliz!

 

 

 

 

 

 

 

 

Premiação do concurso Arte de Fotografar – as pequenas coisas da vida.

Onde: Museu de Antropologia do Vale do Paraíba

Rua XV de novembro, 143 – Jacareí, SP.

Quando: 1º de dezembro, às 20h.

Para conferir as 40 fotos premiadas, fique atento ao período de exposição, que acontece (no mesmo local) de 2 de dezembro a 5 de janeiro.

Saiba mais do concurso aqui.





De repente.

24 11 2009

A vida tinha que ser assim. Uma sequência de coincidências e oportunidades que aparecem quando você menos espera.

Hoje foi um dia muito rápido, cansativo, aliviante e inesperado, de diversas maneiras.

Finalmente, entreguei meu TCC para a banca. Detalhe: a reportagem chegou hoje mesmo da gráfica. É, se não tivesse emoção, não teria graça.

Falei ao telefone, super sem querer, com a jornalista que convidei para estar na minha banca. Espero que dê certo.

Fui convidada para ir em um evento bem bacana amanhã na Sala São Paulo. Acho que vou gostar bastante.

Resolvi entrar na Livraria Cultura, às 21h45 (a loja fecha às 22h), para tentar comprar um presente de aniversário para a minha irmã (Parabéns, Jubas!). Eis que estava tendo uma sessão de autógrafos com o americano Benjamin Moser, um apaixonado pela obra da Clarice Lispector. Já havia lido boas críticas do livro que escreveu da autora, “Why This World – a biography of Clarice Lispector” (lançado no Brasil como, “Clarice, uma biografia”) – saiba mais aqui. Mas, com toda certeza, não esperava encontrá-lo ao vivo, a cores e a poucos metros. Não tive dúvidas: comprei o livro e fui pedir o autógrafo.

Na fila, já tentava pensar em frases não muito toscas em inglês para conversar com ele, quando o ouvi falando um alto e claro português. Ufa. Deixei para treinar o meu “fantástico” segundo idioma um outro dia. O escritor, bastante novo (33 anos), foi bem simpático e me disse que já está com saudades do Brasil. Ele parte amanhã para o Rio e depois para outros estados, em função da divulgação do livro, entretanto volta depois para a Holanda (se não me engano), país que mora.

Benjamin conheceu o Brasil quando tinha 19 anos e passou um semestre na PUC do Rio. Foi aí que melhorou seu português (uma das seis ou sete línguas que fala). Depois de cinco anos de pesquisas, veio com o livro de Clarice.

Benjamin Moser

 

Fiquei toda feliz com o meu livro autografado (não foi uma das aquisições mais baratas, mas o Natal está aí, não é? Alegria, alegria!) e não vejo a hora de começá-lo. Clarice é uma das minhas autoras prediletas e os textos que mais se aproximam de uma espécie de “autobiografia” são os que acho mais bacanas. Esse livro vai me cair bem. Principalmente, nessa época. Final de ano. Final de curso. Finais. Odeio finais. E Clarice sempre me atinge de uma maneira muito estranha. Às vezes, faz muito bem, às vezes, muito mal. Vai entender.

Ah, e quase esqueci! Enquanto pegava um livro para ir para a fila de autógrafos, um simpático senhor me perguntou se era mesmo o autor que estava assinando a obra, ou se era o tradutor. Afirmei que era o autor mesmo. O senhor perguntou se o livro era bom. Respondi que parecia ser muito bom. Depois a conversa continuou e ele quis saber se fazia Letras.

– Não, jornalismo.

– Ih, filha, sou jornalista há quase 40 anos e não posso deixar de concordar com uma frase que li uma fez: uma pessoa que mata um jornalista sempre o faz em legítima defesa.

Desconversei um pouco, disse que não era bem assim. (Me formo esse ano, poxa! Tenho que ter um pouco de amor próprio). Mais alguns minutos de conversa e o senhor virou para mim e disse: “Você não vai ser jornalista, acho que vai ser escritora”. Depois de rir um pouco, falei que talvez não, afinal, gosto mais de fotografia. Perguntei o que ele fazia agora, já que não dava mais aulas. Ele afirmou que escrevia. Já tinha alguns livros publicados e ia lançar mais outro essa semana. O convite informal foi feito, agora espero a confirmação por email que ele ficou de mandar. Ficarei no aguardo.

Depois de tudo isso, para acabar a noite, entro em casa e descubro que uma das cartas que estava aguardando, finalmente, chegou. Mas essa só vou poder contar depois.

Sim, foi um dia rápido e inesperado, e foi ótimo. Que ele se repita em breve.





Medicina sem fronteira.

7 11 2009

Trabalho na Amazônia traz experiência profissional e muita saudade de casa para o jovem Filipe, médico recém formado.

Estavam todos lá. A mãe, o pai, a irmã e a namorada. O aeroporto não poderia estar mais completo para Filipe. No dia que embarcava para a Amazônia, com toda esperada ansiedade e correria para arrumar suas coisas, estava feliz e triste ao mesmo tempo. Afinal, ele teve pouco meses entre a formatura na faculdade de medicina, a prova para ingressar na Marinha e a viagem para Manaus.

Era cedo, mas mesmo assim o aeroporto de Congonhas já tinha bastante movimento de pessoas, malas e despedidas. Muitas despedidas. Entre estranhos vindos de tantas partes do país, o aeroporto mantém seu ar frio. Diversos anúncios e avisos, lojas de roupas, de produtos importados ou apenas cafeterias e lanchonetes. Ambiente um pouco impessoal para reunir tantas despedidas. Mas o que faz dele o que é são as pessoas, e para Filipe, elas não poderiam estar em outro lugar.

Aqueles que mais amava estavam ali para que o rapaz pudesse distribuir abraços, lágrimas e saudade entre todos. O pai, Wilson, trazia seus óculos escuros, para quem sabe disfarçar as lágrimas que não hesitaram em cair. Já Marina, não desgrudava da mão do namorado, em uma tentativa de poder aproveitar ao máximo o momento que demoraria a se repetir. Seu rosto inchado entregava que também havia deixado algumas lágrima irem embora.

Manaus 09 054

Filipe nunca imaginou trabalhar camuflado. A roupa que hoje veste é uma mistura de variados tons de verde, uns mais fortes, outros mais fracos. Nada de roupa social, jaleco branco e sapato. Para ser médico da Marinha, no meio da floresta amazônica, o pé tem a proteção de uma grossa bota marrom e o corpo, a cobertura de um pesado uniforme militar.

O rapaz forte e alto, dos cabelos escuros e curtos, nascido no interior de São Paulo, tem a fala calma, porém cheia de determinação. Com a companhia dos pais, enfrentou os desgastantes seis anos da faculdade de Medicina, em Taubaté, no Vale do Paraíba. Com a conclusão do curso, em 2008, a vida tomou novo rumo. Nunca havia morado sozinho e talvez por isso mesmo, optou pela oportunidade que apareceu de forma um tanto inesperada.

Seu Wilson recebeu a notícia da mudança do filho caçula em uma terça-feira de dezembro, dia dezesseis. Depois de ficar mudo por alguns instantes, disse “Mas como assim Manaus?”. O pai sempre foi muito apegado a Filipe e, a princípio, demorou a aceitar a nova fase da carreira do recém-formado Dr. Alborghetti. “Sou muito emotivo e a gente fica com o coração pequeno, mas tem que dar força para ele. Não é moleza, tem que segurar a onda”, diz.

Até mesmo o filho levou certo tempo para digerir a ideia. Sempre houve o pensamento de bater as asas, sair do conforto da vida em família e adquirir a independência, mas não tinha como prever que seria para tão longe. “Foi complicado, teve muita conversa, tentei passar bastante tempo junto com as pessoas que eu ia deixar logo mais. Eu tinha esse receio, essa preocupação de como seria a vida nova que eu ia começar”, diz Filipe.

9 cópia

O palmeirense doente aprendeu a lidar com a saudade como pode, entre um telefonema e outro e algumas trocas de emails pela internet, tenta minimizar a distância e a falta que a família e a namorada, Marina, fazem. Mesmo assim, não é a mesma coisa, “esse contato virtual é bem difícil, falta a presença física das pessoas, o contato humano…”, desabafa.

Ao saber da notícia que realmente fora convocado para ir à Amazônia, a primeira ligação do recém-formado médico Filipe foi para o pai. Era dezembro e já fazia bastante calor tanto em São Paulo, onde estava Filipe, como na cidade mineira de Pouso Alegre, lugar onde Wilson trabalha em uma empresa de vidros.

A ligação foi um tanto quanto repentina. Apesar de toda a família Alborghetti já saber da possibilidade de viagem do caçula para um ano de trabalho com a Marinha, o destino ainda não estava definido. E logo para o norte do país, tão longe.

Wilson conta que o caçula desde pequeno já sonhava com a profissão. Tinha até especialização escolhida: queria ser cirurgião. Montava e desmontava os brinquedos que tinha, para assim poder consertá-los, curá-los. Um ensaio do que faria no futuro, mas não mais por brincadeira. “A gente nunca induziu a uma profissão, sempre deixamos à vontade. E ele escolheu essa área, que é de bastante responsabilidade e cuidado”, diz o pai orgulhoso.

A descendência italiana faz com que a família seja bastante unida e queira, sempre que possível, passar um tempo junto. “O importante é não perder o vínculo familiar, isso não tem o que paga”, diz o pai de Filipe.

papagaio

O médico de roupa camuflada trabalha com o batalhão dos fuzileiros navais e, entre populações ribeirinhas e indígenas, já pode perceber, nesse pouco mais de seis meses, que a precariedade da realidade da saúde no país não é exagero. “As pessoas não tem energia elétrica, saneamento básico. E por mais que a gente saiba das condições do estado de São Paulo, aqui é pior. Muitas vezes, os pacientes são atendidos ao ar livre, com a luz do dia, pois não temos condições de atender à noite. Quando existe essa opção, é com o uso de velas”, diz.

Filipe aprendeu a trabalhar com as adversidades, como a falta de recursos para conseguir exames e remédios para seus pacientes, e também a confiar na bagagem adquirida durante a faculdade e a recente experiência profissional para atuar em um das mais belas paisagens do mundo. “As pessoas não têm recurso nenhum para conseguir um exame, um remédio.  Você tem que trabalhar com hipóteses, acreditar na sua intuição para tratar e orientar essas pessoas da melhor forma possível”, diz.

Ao final do mês de janeiro de 2010, quando completar um ano de Marinha, Filipe deseja voltar para tentar as concorridas provas de residência em diversos hospitais do país. O rapaz pretende entrar em cirurgia-geral e depois escolher alguma outra especialização que ainda não decidiu.

Até lá, o jovem médico enfrentará mais uma despedida, talvez não tão impactante quanto a primeira, do começo do ano. Mas com toda certeza, ela deixará as marcas de todas as experiências e situações vividas no quente clima amazônico. E como diz o pai, seu Wilson, “Filho é igual a pássaro. Cada um tem que voar e fazer a sua vida”. E assim, Filipe vai fazendo a dele.

SDC11598