Setembro nebuloso.

25 09 2008

Minhas cachorras não são muito fãs da Veja. (Ou foi a crise nos mercados que as irritaram, ainda não sei.)

Anúncios




Suas histórias num museu?

18 09 2008

Pessoas gostam de ouvir histórias de outras pessoas.

Esse é um sentimento quase que universal, e ouvimos bastante na faculdade que, ao escrever uma matéria, você deve se focar nas pessoas e em o que elas estão falando.

Foi em função de um trabalho na mesma faculdade, que não sei porque-raios me lembrei do site Museu da Pessoa. Até já havia ouvido falar sobre a proposta, mas nunca tinha ido mais a fundo para saber exatamente o que o pessoal de lá faz. Bom, agora que já dei uma boa navegada pelo portal, posso dizer que me encantei.

A idéia é simples: Deixar um canal aberto para que qualquer pessoa conte a sua história. E para isso há diversas formas: áudio, texto, fotos e vídeo. Sim, você pode marcar um horário com o Museu e agendar o seu depoimento. Será feita uma entrevista com dois pesquisadores, e a partir daí é só começar a falar. Ao final, você ganha um dvd com o seu relato e parte da entrevista é colocada no site, como foi a da Dona Neuza, que eu encontrei aqui no Youtube – mas também tem na página deles.

Devo confessar que me senti tentada a marcar um horário no Museu, sabia? Na verdade, pensei primeiro em falar para o meu pai ir contar um pouco da história dele, da família – ele gosta bastante dessas coisas. Mas acho que vou acabar indo junto – e acho que você devia pensar no assunto também, por que não?

Contar histórias não chega a ser uma arte, talvez a arte esteja em saber ouvir e se encantar com elas. Acredito que uma iniciativa como essa ajuda a quebrar certas distorções que o nosso mundinho-sem-pé-nem-cabeça criou e que hoje ataca com mais força do que nunca: a banalização do homem. É aquele papo, que já comentei aqui, que uma morte não incomoda mais, só acima as acimas de cem, quinhentos,…. Talvez se a gente se preocupasse em conhecer mais a vida da outra pessoa, ela não parecesse tão massa-disforme do nosso lado.

Se tiver um tempinho, passe pelo site e ouça, veja ou leia algumas histórias, como a da Suely Montenegro, que nasceu em São Paulo, em 1954, e fabricava seus próprios brinquedos com barro, madeira e mato: “Fazíamos panelinhas, mesas, cadeiras e tantas coisas que hoje penso como deve ser sem graça pegar os brinquedos prontos e não inventar nada. Creio que seja por isso que hoje as crianças ficam tanto tempo no computador.”

Para saber mais do projeto Museu da Pessoa, vale à pena conferir o artigo da Karen Worcman.





Vida online X Vida offline

12 09 2008

Você já parou para pensar na quantidade intergalática de links e portais nos quais você faz parte ou simplesmente deu uma passadela?

Ando pensando nisso, e acho que sou muito exposta – internéticamente falando. Nos primórdios da navegação, lembro que os avisos eram vários, “Cuidado com o que você coloca por aí,viu? Não vai deixar seu email em qualquer site; não faça cadastro nessa página; comprar pela internet? Tá maluca!!?”.

Ok, e tudo isso tem fundamento, mas o que fazer agora que me vejo com três emails e uma série de cadastro em outros sítios? Será o fim?

O mais estranho é pensar que muitas pessoas virtuais, com seus avatares e perfis orkúticos me conhecem muito melhor do que uma pessoa da minha família. Tá certo, conhecer já é forçar um pouco a barra, mas o fato é que nesse mundo virtual, interativo e cheio de hipermídias, você tem a possibilidade de agrupar seus gostos, costumes e características em um simples http://. Maravilha, não?

O engraçado também é que isso influencia no seu modo de escrever, pelo menos no meu. Com o teclado escrevemos BEM mais rápido do que com a caneta. Sem contar nas dúvidas que você pode tirar online, quando quer lembrar do nome daquele cantor islandês com voz de veludo ou a marca daquela lasanha congelada que você comeu na casa da sua madrinha: GOOGLE, Socorro! É tudo uma questão de segundos. Esse site completou 10 anos recentemente, e teorias da conspiração é que não faltam, como comenta o Felipe.

Bom, tudo que sei é que existem dois “Eus” por assim dizer: o real (dentro desse tem mais uma dezena de outros, mas não vem ao caso agora) e o virtual. Cabe a nós saber equilibrá-los de maneira saudável.

E nada de se empolgar em cadastros virtuais por aí afora, ouviram crianças? Maior perigo. ¬¬

Segue a lista do mal:

– Orkut – ok

– Myspace – ok

– Youtube – ok

– Fotolog – ok

– Flickr – ok

– Olhares – ok

-Tramavirtual – ok

– Last fm – ok

– Overmundo – ok

– Radar Cultura – ok

– Multiply – ok

– UOL – ok

– …..

Eu acho que é impossível terminar essa lista. Isso porque eu não considerei os sites de cadastro de currículos, newsletters de revistas, sites de compras, ….

É. Tô ferrada mesmo.





Daniel (Phelps) Dias: 3 ouros. Até agora.

9 09 2008

Com bem menos glamour e empolgação por parte da imprensa (e do público, diga-se de passagem), as ParaOlímpíadas de Pequim estão com resultados bastante satisfatórios para o Brasil. No momento em que escrevo aqui, estamos em 5º lugar no Quadro de Medalhas (Acompanhe as atualizações aqui). Isso mesmo, com um total de 8 medalhas de ouro, 4 de prata e 5 de bronze. Sendo que 3 das 8 de ouro são de posse do nadador Daniel Dias. O nosso Phelps?

Muito dos atletas que estão em Pequim, só são atletas hoje, por causa da sua deficiência física. O que não deixa espaço pra pensar em derrotismo ou pena.  A delegação brasileira foi para lá com inúmeras dificuldades, seja de patrocínio ou de locomoção, mas está fazendo a história acontecer. Infelizmente, não tão midiatizada quanto deveria.

Assim como se pronunciou a seleção feminina de futebol nas Olimpíadas, os para-atletas olímpicos podem dizer: “A gente não precisa mais provar pra ninguém que a gente sabe praticar esportes.”

As competições vão até o dia 15 de setembro, vale à pena acompanhar.





Metrô. O meu, o seu, o nosso.

5 09 2008

Talvez uma das coisas que mais me irrita em São Paulo é ter que pegar o metrô em horário de pico, tipo 18h. Ontem foi um desses momentos. Lá fora, no segundo dia mais quente do ano, chegamos à temperatura de 32ºC. Ah, sim, e estamos no inverno, queridão. Já deu pra imaginar como vai ser em novembro e dezembro? Pois é.

Enfim, fui toda apressada, como se estivesse numa corrida pra ver quem chega no vagão primeiro, e de fato, não deixa de ser uma corrida. Contra quem? Contra os outros quinhentos passageiros que também querem entrar naquele vagão. Corremos. Corremos e suamos, porque está calor. E os cheiros se misturam com os dos salgadinhos – que alguém decidiu que seria uma ÓTIMA idéia abrir bem ali naquele bafão -, com a fumaça de cigarro que parece que já está dentro em cada um de nós.

O caso ontem foi atípico, mas como já ocorre com uma certa regularidade, parece não mais impressionar. Ao chegar na Sé para fazer a conhecida “baldiação” (nome péssimo), me deparei, logo no meio da escada rolante com um mar humano. E pude ter a incrível sensação de me sentir um saquinho de arroz na esteira de um caixa de supermercado, quando o operador do caixa esquece de desapertar o botão que faz a esteira rolar, e todos nós – o arroz, a bolacha, os tomates e a pasta-de-dente se amontoam, porque não têm para onde ir. As pessoas se trombavam, não havia saída. Até que alguém teve o insight de desligar a escada.

Vem a voz no alto-falante: Em função de usuário na via, na região de Armênia, a circulação do metrô está…..interrompida. 18h25 da tarde. Caos urbano. Só que antes de começar a maldizer Deus e o mundo, eu fiquei pensando: Usuário na via. Suicídio de novo? As notícias que saem sobre isso são muito escassas, não sei se por falta de interesse dos jornalistas, se por bom senso dos mesmos, ou se é o metrô que evita falar sobre isso.

Fiquei um pouco deprimida com tudo aquilo, espremida entre outros tantos desconhecidos, com fome, calor e cansaço. E ainda ter que ouvir comentários do tipo, “Se vai se matar, vai fazer isso em outro lugar. Atrapalhar todo mundo por causa disso.” E devia ser o pensamento de pelo menos metade das pessoas que estavam ali. É cruel, mas é verdade e é compreensível. De um modo estranhíssimo, mas é compreensível. Se você tem que entrar nessa algomeração pelo menos duas vezes por dia – na ida e na volta do trabalho ou da faculdade – sabe como é ser empurrado, chutado e xingado, tudo isso ao mesmo tempo.

As pessoas tem outros padrões e outras prioridades. 5 mortes ou 50, não assustam mais. 500 já pode impressionar. É tudo muito distante e muito banal. De quem é a culpa de tudo isso? Não sei. Das pessoas que estão ali no aperto do metrô, esperando para ir pra casa, é que não é.

Mas poxa, bem ou mal, uma pessoa (possivelmente) morreu ali perto. Não é de sentir, pelo menos, um arrepio no braço? Eu senti.

De qualquer maneira, 5 minutos depois, os trens voltaram a circular, as risadas a ecoar e os salgadinhos a feder. Chega disso. Que horas é a novela mesmo?





Fernando Meirelles em “Fim de Expediente”.

1 09 2008

Sexta-feira à noite, friozinho tipicamente paulistano – apesar que não há nada mais de típico quando falamos em meteorologia, enfim – os relógios/termômetros da Av. Paulista marcavam -7ºC (isso mesmo: menos sete graus, ou seja, sete graus celsius negativos). Mas não se assuste, deve ter ocorrido alguma pane, a sensação térmica não passava dos 14ºC.

Bom, assisti ao programa “Fim de Expediente”, que passa todas às sextas, na rádio CBN, das 19h às 20h. Particularmente, nessa sexta, o programa foi com platéia e lá fomos nós – Stefano, Fê e eu. Por incrível que pareça, há boas opções no rádio se você se dispor a procurar, e Fim de Expediente é uma delas. Basicamente, temos um bate-papo entre três caras inteligentes e bem-humorados (Luís Gustavo Medina, José Godoy e ele, o Tom Hanks tupiniquim: Dan Stulbach) que sempre trazem um convidado. O da noite foi Fernando Meirelles, diretor que tem em sua filmografia, “As domésticas”, “O jardineiro fiel” e “Cidade de Deus”. Lança agora, dia 12 de setembro, “Blindness – Ensaio sobre a cegueira”, baseado na obra, de mesmo nome, de José Saramago.

A conversa foi bem bacana, Meirelles – que no passado foi conhecido pelo codinome de Valdeci, o camera man do repórter Ernesto Varella – contou do seu próximo projeto de documetário sobre o Congresso Nacional (será uma surpresa, aguardem!), falou como surgiu o interesse de filmar “O ensaio sobre a cegueira” e disse também que chegou a falar que não queria mais fazer filmes, em 2005, depois de “O Jardineiro Fiel”. Mas tudo mudou quando um roteirista canadense disse que havia comprado os direitos autorais do livro de Saramago e o convidou para filmar uma adaptação.

O diretor fez um blog, Diário de Blindness, no qual escreve o que anda acontecendo com o filme, as mais de 10 montagens que foram feitas até chegar à final de quase 2 horas de duração – o primeiro corte estava com quase 3 horas -, suas percepções e a correria da divulgação.

Para ouvir o que rolou nesse programa, que ainda teve menções ao aniversariante do dia, Michael Jackson, é só clicar aqui.