A viagem latinoamericana em fotos e música

10 07 2014

Oi, gente,

Depois de muito tempo, finalmente consegui reunir algumas das imagens feitas durante a viagem para a Bolívia e o Peru e montar um pequeno vídeo com elas. Escolhi a música Latinoamérica da banda Calle 13. Essa banda de Porto Rico me emocionou muito com essa música. Sempre que a escuto ou vejo o maravilhoso clipe que fizeram, fico tocada. E não é exagero dizer que foi por causa desse vídeo que decidi ir viajar.

A minha intenção era fazer um pequeno resumo do que vi. Compartilho aqui com vocês!

Espero que gostem! =)

 





Para conhecer Machu Picchu – parte 2

30 07 2012

A famosa Machu Picchu

O nosso simpático guia nos levou até um ponto, onde ele disse ser o mais famoso para as “fotos de facebook”. Todas as fotos que vemos espalhadas pela internet e afins, são feitas ali. O único problema era que não víamos nada da paisagem. A neblina ainda estava forte e não conseguíamos nem saber em que direção estava a famosa Huayna Picchu.

O complexo de Machu Picchu está a 2.450 metros de altitude e apesar de já ser conhecido pela população quéchua da região andina, foi “descoberto” para o resto do mundo em julho de 1911, quando o historiador americano Hiram Bingham, guiado por um garoto quéchua, encontrou o lugar. As ruínas estavam cobertas por vegetação e foi necessário um bom tempo para limpar toda a área e começar o seu mapeamento.

Detalhes da cidade inca

A “vieja montaña”, tradução das palavras quéchuas para Machu Picchu, é uma cidade inacabada. Sua construção teve que ser interrompida, em função de uma provável invasão que impossibilitou o término da cidade. Se pararmos para pensar que o que vemos hoje é apenas uma cidade incompleta, só podemos imaginar como eram as impressionantes construções finalizadas, como a própria cidade de Cusco, considerada a capital Inca da época.

Machu Picchu está dividida em duas partes: a região agrícola e a urbana. E como em outros sítios arqueológicos, podemos conferir a incrível organização e o cuidado com o solo e arquitetura com as pedras. Encaixes perfeitos formam casas, praças e santuários – como o Templo do Sol, bem ao centro. As três janelas também merecem destaque por representarem três dos símbolos caros à cultura inca: o condor (habilidade), o puma (força) e a serpente (inteligência). Essa mesma simbologia pode ser vista na própria cidade de MP: o puma seria Huayna Picchu; o condor seria a pequena montanha ao lado e a serpente, o contorno do rio Urubamba, que passa logo abaixo. Toda a história e a simbologia envolvidas em torno do parque podem – e devem – ser mais aprofundadas em futuras pesquisas e, quem sabe, novas visitas ao local. Ah, e não faça o tour sem um guia, pois o passeio perde a metade da importância.

Guia durante o passeio

Todo o grupo reunido

Com o guia, percorremos quase todos os caminhos de MP. Havia muita gente também no local, o que acabava tumultuando alguns dos pontos, já que havia outros guias falando ao mesmo tempo. Mas tudo isso faz parte, nem se estresse.

Havia chegado a hora de subir Huayna Picchu. Eu ainda estava um pouco na dúvida se daria conta, mas depois de ser convencida pelos outros que iam também, e pelo próprio guia, que disse ser um trajeto tranquilo, decidi encarar mais essa. E olha que eu não me perdoaria se tivesse deixado essa oportunidade escapar, pois a vista lá de cima compensou tudo!

Momentos antes de subir

De acordo com o guia, os incas que ali viviam, subiam Huayna Picchu para passar algum tempo longe da civilização com o objetivo de meditar e buscar iluminação espiritual. Os cerca de 200 metros são subidos com certa dificuldade por aqueles mais sedentários que vivem longe dos Andes (tipo, eu). A altitude, novamente, é sentida com o menor dos esforços – Huayna Picchu está a 2.667 metros de altura. Mas como eu já estava preparada – levei meu saquinho com folhas de coca para mascar no caminho – não foi nada muito absurdo. Com algumas paradas estratégicas para tomar fôlego, consegui completar o caminho sem grandes problemas.

Logo no começo da trilha, o primeiro susto: a equipe médica local trazia uma pessoa em uma maca. Pronto, o primeiro pensamento foi “quem morreu?”, nos perguntávamos num misto de humor negro e real preocupação. Felizmente, a turista havia “apenas” escorregado e batido a cabeça, e estava bem. Fiquei com pena dos dois homens que levavam a maca, pois se subir aquela montanha sozinho já é um esforço, imagina nessa situação?

Perguntei para a médica da equipe se ela ia voltar, pois talvez precisássemos dela, mas ela apenas riu e desconversou – e olha que eu não estava brincando(!).

Turista sendo levada na maca

Subi junto com dois brasileiros e um alemão, todos de nosso grupo inicial. Eles iam na frente e eu, a passos lentos, fazia o meu tempo. Todos os degraus são esculpidos na pedra, alguns curtos, outros bastante altos. Uma corda de aço foi colocada no caminho para servir de corrimão, o que ajuda bastante em vários momentos. Somente em algumas partes não há essa ajudinha extra – daí o esquema é contar com os joelhos mesmo.

Trajetos da trilha

Sempre que via um casal de idosos descendo, perguntava se o topo estava próximo, e eles diziam que sim! Daí que me animava mesmo. Levei por volta de uma hora para chegar até ao cume. O tempo, em média, é esse mesmo, entre 45 minutos e uma hora e meia.

Havia levado um sandubinha e mais algumas bolachas para comer lá em cima. Foi um piquenique nas alturas, minha gente. Coisa fina. Tiramos muitas fotos e apreciamos aquela paisagem incrível. A cidade de Machu Picchu lá embaixo e a imagem dos turistas como formigas em um formigueiro, parecia surreal. As montanhas por todos os lados, mostravam um vale de beleza e paz únicas. De fato, deve haver algo de energético com essas montanhas. A minha vontade foi fazer como os quéchuas da época e passar algum tempo lá em cima para aproveitar mais do lugar. O amanhecer ali deve ser algo de outro mundo. Quem sabe numa próxima, não me empolgo e faço também a tal trilha inca?

No topo!

Vista impressionante

Para os mais animados, lá em Huayna Picchu, ainda há uma trilha extra para o Templo da Lua, o que leva mais alguns minutos e esforço, que decidi não encarar para, de novo, não acabar com o joelho. Ainda tinha a volta para fazer e não estava a fim de descer de maca. Há quem diz que não há nada de mais nesse templo, mas se você estiver com tempo e disposição, por que não?

A descida foi também tranquila – só é importante prestar mais atenção para não relaxar de uma vez, pensando que “a descida é fácil” e acabar se machucando. Saí de Huayna Picchu com o espírito renovado e feliz da vida por ter feito essa trilha.

Já no “térreo”, voltamos para alguns dos pontos já visitados anteriormente com o guia, só para aproveitar mais um pouco do lugar e tirar as últimas fotos. Simplesmente, um passeio inesquecível!

Ah, ainda estávamos com sorte: Machu Picchu estava no ano do centenário de seu descobrimento e, por isso, podíamos carimbar nossos passaportes com o selo comemorativo. DEMAIS! Passeio concluído com mais sucesso, impossível. Por volta das três horas da tarde, voltamos para o hostel. Tomamos um banho e fizemos uma horinha no restaurante do hostel, com uma porção de “choclo con queso” até dar sete da noite, quando partia o trem para Ollantaytambo.

Por volta das nove da noite, chegamos ao povoado e tentamos achar o motorista do ônibus, que nos levaria de volta ao hostel em Cusco. Momento de confusão pura: muitos e muitos guias e motoristas. Eles levavam plaquinhas com nossos nomes. Na plaquinha, eu era a Camila Lourenço. Levou quase meia hora para acharmos todos os nomes e subirmos no ônibus. De novo, o transtorno faz parte, minha gente. Abraça a aventura e vai.

Em pouco menos de duas horas, estávamos de volta a Cusco. Cansados, mas com muita história para contar.

Última foto antes de ir, feliz da vida!





Vai. Com medo, mas vai.

3 05 2009

Nesse feriado superei medos e limites. A Corrida de Aventuras, organizada pelo grupo Te O Tsunaide, foi a segunda que participei e não será a última, com toda certeza. Foram dezenas de atividades que testaram todo o nosso preparo físico e mental.

Remei em uma represa, corri em trilhas e estradas, entre longas subidas e fundas descidas. E como se não fosse o suficiente, me encontrei no topo de uma árvore (de aproximadamente 20 metros), com todo o equipamento para descê-la de rapel, por volta da meia-noite do sábado. Tava escuro. Muita emoção para uma senhora pamonha, como eu.

A Corrida de verdade, com mapa de navegação e tudo mais, foi no sábado de manhã. E pra essa, eu tenho que dizer que achei que ia morrer. Ou desmaiar. Ou um seguido do outro, quem sabe. A equipe “Ao infinito e além”, eu e o Rodrigo, decidiu pelopercurso “PRO”, que consistia em 16 quilometros (a São Silvestre tem 15 km, tá?)  de trilhas em estradas de terra, outras mais fechadas na mata e uma passagem dentro do rio (BEM GELADO), com água até a cintura.

Durante o trajeto deu para pensar em uma série de coisas, como no que foi dito na noite anterior pelos organizadores; a vontade que eu tinha de fazer o melhor pelos meus amigos que não puderam ir, mas queriam muito; a dor que eu estava sentindo na perna, rim, útero, bacia e afins. E foi numa dessas que lembrei daquela maratonista das Olimpíadas de Los Angeles, de 1984, que só fui descobrir o nome agora, graças ao Google: a suíça Gabrielle Anderson. Ela chegou ao final da corrida, em último lugar, mas mesmo com todas as dores, cãimbras e cansaços, fez questão de terminar a prova, sem a ajuda de ninguém. E foi aplaudida de pé pelo esforço por um estádio inteiro. Vale à pena conferir as imagens.

Foi em tudo isso que pensei nos metros finais, quando já não tinha mais ar, pernas ou consciência. Tentava uns piques que vinham não-sei-de-onde para tentar ultrapassar os terceiros colocados. Mas já tinha atingido meu limite. Como Gabrielle, fiz questão de terminar, algo que só consegui com o apoio do Rodrigo, porque se estivesse sozinha, já tinha ficado na trilha há muitos quilômetros atrás. (Obrigada mesmo, viu?) Cruzamos a linha de chegada e chorei. Chorei de dor, de alegria e de alivio, por ter conseguido terminar a Corrida.

Aprendi  – pois estava aberta para isso – algumas coisas muito importantes nessa aventura de dois dias. Aprendi que força de vontade tem uma fonte, mas não é uma fonte real, concreta. Ela está dentro de cada um, é o espírito que você cultiva e alimenta da melhor maneira que encontrar. Seja acreditando em um Deus, seja acreditando no poder da natureza, seja acreditando nas pessoas e na forma que elas podem transformar a sua vida. Com esse espírito, você é capaz de resolver qualquer dificuldade.

Acredito que é importante estar aberto para o mundo. É importante sentir medo, e depois superá-lo. É  importante sentir dor e conseguir suportá-la com a sua fonte. Da mesma forma, que é importante ter pessoas boas do seu lado, que te inspiram e te fazem seguir em frente.

São momentos assim que me fazem perceber como eu gosto de ficar em contato direto com a natureza. Foram dois tênis, três pares de meia, uma calça, quatro blusas e um short que poderiam ser jogados no lixo, de tão sujos que ficaram. Mas se sujar faz bem, não? Como diria a propaganda.

Alheia a esse mundo, durante os 5 dias da semana, eu tenho que ficar, por volta de 6 horas, sentada em um prédio com várias janelas que não se abrem, respirando um ar condicionado e olhando para a tela de um computador para trabalhar. Tenho que pegar dois ônibus para ir e outros dois para voltar, enfrentando um trânsito que, em dias bons, toma 2 horas do meu dia. E sempre que eu olho para fora e vejo o vento que está lá, com aquele sol do final de tarde, penso que as coisas não deveriam ser assim. Mas são, cada vez mais são.

Por isso que toda chance que tenho de ir para o mato, não desperdiço: corro pegar o meu tênis mais velho e minha blusa mais fuleira e vou brincar de Mogli. Vou com medo. Mas vou.

Edu, corredor e organizador da Corrida, explicando o mapa.

Edu, corredor e organizador da Corrida, explicando o mapa.

Ps. Virada Cultural só amanhã. Hoje o tratamento intensivo é com banhos quentes e camas aconhegantes.

Ps2. Queria agradecer ao Armando, um amigo muito querido – e alface – , pela oportunidade que tive de conhecer (e rever) alguns de seus amigos maravilhosos, e me sentir muito bem entre eles.





Sabe a trilha? Voltei viva. I-e-b-a.

24 01 2009

Impulsionados pelo “Espírito”, pela obamania “Yes, We Can”, pelo patriotismo “Sou brasileiro e não desisto nunca” e pela vontade incontrolável de ser um pouco escoteiro (essa foi só pra mim): Subimos. Sim, subimos o Pico do Itapeva. Num ritmo nada iniciante, completamos o trajeto em menos de 4 horas e meia. (Parece que alguém errou nas contas e não eram bem 9 horas caminhando)

Nos perdemos em um determinado trecho do Bosque dos Eucaliptos, que estava no clima bem “Bruxa de Blair” + “O Crepúsculo”, mas nada que um celular e algum senso de localização não resolvam. Até porque memória…aahhhh….essa aí passou longe.

Vocês devem estar se perguntando, “Mas trilha, com esse tempinho frio, úmido e mega chuvoso?” Sim, amigos. Com esse tempinho mesmo. Foi tudo por conta do Espírito, que é algo inexplicável, mas extremamente motivador. Talvez lancemos alguma publicação ao estilo “O Segredo”, de pensamento positivo, sabe? Veremos.

Enfim, pegamos alguma garoa do meio para o final da trilha, sendo que nos últimos 30 minutos simplesmente caiu aquele toró. Eu, particularmente, culpo o Ulisses que resolveu maldizer os céus, em função do tempinho que não esquentava nunca. Há…os deuses se vingaram com um aguaceiro que deu a nítida impressão que tínhamos acabado de mergulhar com roupa em uma piscina.

Quem não estava resfriado, com certeza ficou. A minha voz nesse momento está numa mistura de Cid Moreira (“Ahhh…Mister M”) com meninos pré-adolescentes naquela irritável mudança de voz desafinada. O resultado até que não foi de todo mal: uma torção no pulso e outra no pé. Esperava bem mais escorregões.

Ah! Quase me esqueci. Fomos surpreendidos no meio do nosso descanso-pós-chuvinha-momentânea por nada mais que CINCO labradores (eram 5 mesmo, não é, meninos?) das mais variadas cores. Chegaram todos fanfarrões nos lambendo e nos cheirando, seguidos por gritos de um casal “Pampa! Não! Sai daí!” Era um simpático casal paulistano que estava por ali passando. Únicos outros seres-humanos que nós encontramos durante toda a aventura, por sinal.

Bom, acho que foi basicamente isso. Houve várias cantorias, piadinhas e momentos constrangedores, mas que não havia sentido relatar aqui, uma vez que “o que acontece na trilha, fica na trilha”. Hehe

Só deixo aquele MUITO OBRIGADO para o senhor Luís (meu pai) e para a dona Selma (minha mãe) que nos “resgataram” depois de tudo isso com um carro quentinho e acolhedor + chocolate quente + café + pão-de-queijo + aquela disposição. Pois é, o Espírito é contagiante.

Câmbio Desligo.

P.S. – Temos vídeos ótimos e fotos incríveis de toda a aventura. Postarei alguns aqui, ok? (Mas os melhores estão nas câmeras dos meninos! Postem na net, pombas!)

P.S. 2 – Os nomes dos desbravadores: Camila, Stefano, Gabriel, Pedro, Rodrigo e Ulisses. Valeu, gente! Foi mega bacanão! =)

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