Assalto a dedo armado.

10 12 2012

Ele só queria o celular. Segurou na minha bolsa e foi claro “Eu não quero a bolsa, só o celular, passa logo!”. Eram 6 e 10 da manhã e eu nem tinha tomado café, ou seja, estava bem confusa. O ponto do ônibus eram mais uns 50 metros só, foi uma bobagem…

Eu tentava lembrar onde estava o celular, coloquei a mão do bolso e o rapaz foi perdendo a paciência, pediu o celular e resolveu me pressionar fazendo uma arminha-com-o-indicador-e-o-polegar (sabe aquela?). Ele só esqueceu de esconder essa belezinha dentro da camisa para dar mais veracidade à ameaça. Dei um passo para trás e coloquei o pé na rua, os carros buzinaram. Falei que o que ele procurava estava dentro da bolsa e fui logo buscando o celular para entregar ao sonolento assaltante. Entreguei o objeto e pensei que estava livre. Há! Ledo engano. E não é que ele me encerra com essa frase de ouro: “Então, me dá um beijo e um abraço para eu ir embora?”. Pode uma coisa dessa produção?

Pernas tremendo e nervosismo passados, veio a raiva de pensar que: um cidadão sai da sua casa cedo, anda por aí, vê a primeira tontinha que aparece – no caso, eu – faz uma arma de mão e leva um celular na maior. Assim, do nada. Tudo bem, eu não estou puta da vida por causa do meu aparelhinho Motorola de dois anos de uso, ainda composto por um teclado (sim, aquele com teclas), sem opção nenhuma para aplicativos e o escambal, enfim…o que me irrita –  e o que ficou martelando na minha cabeça o dia todo – é esse sentimento de impotência e essa exposição ao ridículo.

Pronto, não posso mais falar a frase “Nunca fui assaltada em São Paulo”. Na véspera de completar sete anos morando na terra da garoa, sou mais uma que já passou por esse tipo de violência. Claro, na hora eu ainda pensei em tudo de pior que poderia acontecer e não quis em nenhum momento reagir. Lembrei de tantos casos de pessoas que levaram um tiro por bobagem, tendo o mais recente exemplo daquela menina no bairro de Higienópolis que não entregou a bolsa e foi baleada, por isso não tive dúvidas… Só tenho pena que o senhor tenha me pego desprevenida, caro assaltante. Se soubesse da ação, teria trazido também o carregador do aparelhinho e já te montava um kit!

Depois fiquei pensando que talvez esse evento de hoje fosse um sinal divino para eu desapegar da modernidade e passar os próximos dias da minha vida sem esse tal de celular. Já pensou? Ah, como seria bom. Mas ok, sejamos realistas: essa opção não existe mais. Então, tudo bem… lá vou eu pensar em comprar um outro aparelho para poder ficar conectada e acessível de novo. Talvez eu espere o dia 21 passar, me garanto que o mundo não vai acabar mesmo, para ir lá e gastar mais alguns dinheiros em um outro celular.

Bom, é isso… desabafo feito, me sinto bem melhor. E aposto que fiz o Natal desse rapaz muito mais feliz – e quem sou eu para tirar a felicidade de uma pessoa nessa época tão bonita, tão amorosa, tão MÁGICA, que é o Natal, não é mesmo?

Ah, o Natal, como eu adoro o fim de ano…. Eu já disse isso?

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