De Puno a Cusco em 9 horas

12 03 2012

Caminho entre Puno e Cusco, de ônibus

O caminho entre Puno e Cusco, no Peru, optei por fazer com uma companhia turística, Inka Express, que encontrei na internet. O trajeto de 380 km saiu por 50 dólares. Claro que você pode optar por uma passagem bem mais em conta se comprar com uma empresa que faz essa linha regularmente, sem paradas. Inclusive, pode pegar um ônibus direto de Copacabana até Cusco. De qualquer forma, eu gostei dessa opção, pois a companhia faz algumas paradas, onde o guia explica mais sobre a cultura inca. Passamos e paramos nas seguintes cidades/povoados: Pukara, La Raya, Raqchi e Andahuaylillas.

Em Pukara, conhecemos a igreja e o museu local. Descobrimos que ali é a cidade na qual são feitos os touros de barro que se colocam em cima das casas de muitos peruanos. A tradição é ter dois pequenos touros no telhado para proteção e sorte. A única dúvida que fica é por que touros, se o país não é conhecido pela sua criação? De acordo com o guia, a explicação mais lógica é a influência espanhola, que veio com o fim do Império Inca.

Touro na coluna da igreja de Pukara

A paisagem que via pela janela do ônibus não era tão diferente das paisagens que temos aqui, no interior do Brasil, a única “sutil” diferença é a altura das montanhas. Os vales que atravessamos são compostos por montanhas bastante altas, que impressionam e te deixam com dor no pescoço, de tanto olhar para cima. Eu só pensava como seria chegar em Machu Picchu e ver toda aquela vista!

O frio e a altitude de La Raya

A viagem continuou em La Raya, ponto mais alto da viagem – 4.335 metros acima do nível do mar. Ali a temperatura era baixa e podíamos ver a neve das montanhas bem pertinho. Fizemos uma parada em uma espécie de comércio na beira da estrada, na verdade. Ficamos ali um pouco, tiramos algumas fotos e eu quase fiquei sem meus óculos! Essa mania de tirar os óculos para aparecer na foto, sabe? Então, havia colocado no bolso em um momento, e quando voltava para o ônibus vi que estava sem eles! Rolou um mini-desespero já que sem eles, eu sou mais uma míope com astigmatismo andando por aí. O pessoal da companhia de ônibus foi bem atencioso comigo. Eles até começaram a gritar “Gafas, gafas! Han perdido un par de gafas!”. Depois dessa mobilização, uma senhora veio ao meu encontro com os meus óculos nas mãos. Estava caído por ali. Agradeci horrores e voltei feliz para ônibus.

Eu, ainda com meu óculos no bolso

Estava sozinha e por acaso sentei ao lado de um homem que também viajava sozinho, ele era holandês e ficamos conversando durante a viagem. Ele havia ido ao Peru a convite de um amigo que estava correndo a Dakar Race. A intenção era que ele apenas o visitasse na chegada, em Lima, mas ele acabou decidindo tirar mais alguns dias e conhecer mais o país, inclusive Machu Picchu. Íamos fazer praticamente os mesmos roteiros (não tem muito do que escapar quando se vai a lugares turísticos como esses) e era provável que nos encontrássemos em outro momento – que foi o que aconteceu, por sinal.

Paramos para almoçar em um restaurante bonito, no meio da estrada. Houve apresentação de música peruana, ao vivo, para nós, turistas (mas é claro). Foi ótimo, com comida típica – carne de alpaca – e bebida típica – inka cola! Só aquele café depois do almoço que ficou difícil, né? O forte deles é o chá de coca mesmo. Durante o almoço, sentamos em uma mesa com mais duas turistas espanholas, uma era jornalista e a outra bancária. Muito simpáticas e falantes.

O próximo povoado que conhecemos foi Raqchi, famoso por ser o local do templo a Uiricochan Pachayachachi ou, simplesmente, Wiraqocha. De acordo com a cultura Inca, ele seria o deus maior, deus de todas as coisas: do sol, da lua, das nuvens, da chuva, dos homens, etc.

Templo de Wiraqocha

A parede que ainda resta da construção é impressionante. O guia ainda mostrou uma ilustração de como seria o templo, ainda construído.

Representação de como seria o templo

Andamos ainda pelos arredores do templo, entre casas e outras moradias, que ainda permanecem em pé.

Casa do povoado de Raqchi preservada

A última visita da viagem foi em Andahuaylillas, algo mais breve. Entramos na igreja principal, mais uma herança da colonização espanhola. Ali, não podíamos tirar fotos. Havia uma grande quantidade de espelhos e o guia nos explicou que a intenção era mostrar ao povo inca, que ali estavam suas almas e se eles quisessem se salvar, deveriam se converter ao catolicismo. Como eles não conheciam os espelhos, acreditavam. Pelo menos essa foi a explicação do guia. Na igreja também há uma imagem de Cristo com traços andinos, provavelmente para atrair a população, aproximá-la da religião que estava sendo inserida ali.

Igreja em Andahuaylillas

O dia estava quase no final, logo voltamos para o ônibus e seguimos direto para Cusco, nosso destino final. Nos despedimos dos companheiros de viagem que conhecemos no trajeto e cada um foi para o seu hostel.

Havia escolhido o Loki Hostel, mesmo lugar que fiquei em La Paz. Mas em Cusco, o hostel era bem melhor, com um único ponto negativo que era a rua de acesso, uma escadaria a la Ouro Preto (MG).

Eu, com o meu joelho já ferrado + mochila pesada + chuva forte que começou bem na hora que saí do taxi, fiquei um “pouco” acabada. Mas tudo bem, estava em Cusco, a um passinho de Machu Picchu. A expectativa só aumentava…

 


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