A viagem latinoamericana em fotos e música

10 07 2014

Oi, gente,

Depois de muito tempo, finalmente consegui reunir algumas das imagens feitas durante a viagem para a Bolívia e o Peru e montar um pequeno vídeo com elas. Escolhi a música Latinoamérica da banda Calle 13. Essa banda de Porto Rico me emocionou muito com essa música. Sempre que a escuto ou vejo o maravilhoso clipe que fizeram, fico tocada. E não é exagero dizer que foi por causa desse vídeo que decidi ir viajar.

A minha intenção era fazer um pequeno resumo do que vi. Compartilho aqui com vocês!

Espero que gostem! =)

 

Anúncios




De Puno a Cusco em 9 horas

12 03 2012

Caminho entre Puno e Cusco, de ônibus

O caminho entre Puno e Cusco, no Peru, optei por fazer com uma companhia turística, Inka Express, que encontrei na internet. O trajeto de 380 km saiu por 50 dólares. Claro que você pode optar por uma passagem bem mais em conta se comprar com uma empresa que faz essa linha regularmente, sem paradas. Inclusive, pode pegar um ônibus direto de Copacabana até Cusco. De qualquer forma, eu gostei dessa opção, pois a companhia faz algumas paradas, onde o guia explica mais sobre a cultura inca. Passamos e paramos nas seguintes cidades/povoados: Pukara, La Raya, Raqchi e Andahuaylillas.

Em Pukara, conhecemos a igreja e o museu local. Descobrimos que ali é a cidade na qual são feitos os touros de barro que se colocam em cima das casas de muitos peruanos. A tradição é ter dois pequenos touros no telhado para proteção e sorte. A única dúvida que fica é por que touros, se o país não é conhecido pela sua criação? De acordo com o guia, a explicação mais lógica é a influência espanhola, que veio com o fim do Império Inca.

Touro na coluna da igreja de Pukara

A paisagem que via pela janela do ônibus não era tão diferente das paisagens que temos aqui, no interior do Brasil, a única “sutil” diferença é a altura das montanhas. Os vales que atravessamos são compostos por montanhas bastante altas, que impressionam e te deixam com dor no pescoço, de tanto olhar para cima. Eu só pensava como seria chegar em Machu Picchu e ver toda aquela vista!

O frio e a altitude de La Raya

A viagem continuou em La Raya, ponto mais alto da viagem – 4.335 metros acima do nível do mar. Ali a temperatura era baixa e podíamos ver a neve das montanhas bem pertinho. Fizemos uma parada em uma espécie de comércio na beira da estrada, na verdade. Ficamos ali um pouco, tiramos algumas fotos e eu quase fiquei sem meus óculos! Essa mania de tirar os óculos para aparecer na foto, sabe? Então, havia colocado no bolso em um momento, e quando voltava para o ônibus vi que estava sem eles! Rolou um mini-desespero já que sem eles, eu sou mais uma míope com astigmatismo andando por aí. O pessoal da companhia de ônibus foi bem atencioso comigo. Eles até começaram a gritar “Gafas, gafas! Han perdido un par de gafas!”. Depois dessa mobilização, uma senhora veio ao meu encontro com os meus óculos nas mãos. Estava caído por ali. Agradeci horrores e voltei feliz para ônibus.

Eu, ainda com meu óculos no bolso

Estava sozinha e por acaso sentei ao lado de um homem que também viajava sozinho, ele era holandês e ficamos conversando durante a viagem. Ele havia ido ao Peru a convite de um amigo que estava correndo a Dakar Race. A intenção era que ele apenas o visitasse na chegada, em Lima, mas ele acabou decidindo tirar mais alguns dias e conhecer mais o país, inclusive Machu Picchu. Íamos fazer praticamente os mesmos roteiros (não tem muito do que escapar quando se vai a lugares turísticos como esses) e era provável que nos encontrássemos em outro momento – que foi o que aconteceu, por sinal.

Paramos para almoçar em um restaurante bonito, no meio da estrada. Houve apresentação de música peruana, ao vivo, para nós, turistas (mas é claro). Foi ótimo, com comida típica – carne de alpaca – e bebida típica – inka cola! Só aquele café depois do almoço que ficou difícil, né? O forte deles é o chá de coca mesmo. Durante o almoço, sentamos em uma mesa com mais duas turistas espanholas, uma era jornalista e a outra bancária. Muito simpáticas e falantes.

O próximo povoado que conhecemos foi Raqchi, famoso por ser o local do templo a Uiricochan Pachayachachi ou, simplesmente, Wiraqocha. De acordo com a cultura Inca, ele seria o deus maior, deus de todas as coisas: do sol, da lua, das nuvens, da chuva, dos homens, etc.

Templo de Wiraqocha

A parede que ainda resta da construção é impressionante. O guia ainda mostrou uma ilustração de como seria o templo, ainda construído.

Representação de como seria o templo

Andamos ainda pelos arredores do templo, entre casas e outras moradias, que ainda permanecem em pé.

Casa do povoado de Raqchi preservada

A última visita da viagem foi em Andahuaylillas, algo mais breve. Entramos na igreja principal, mais uma herança da colonização espanhola. Ali, não podíamos tirar fotos. Havia uma grande quantidade de espelhos e o guia nos explicou que a intenção era mostrar ao povo inca, que ali estavam suas almas e se eles quisessem se salvar, deveriam se converter ao catolicismo. Como eles não conheciam os espelhos, acreditavam. Pelo menos essa foi a explicação do guia. Na igreja também há uma imagem de Cristo com traços andinos, provavelmente para atrair a população, aproximá-la da religião que estava sendo inserida ali.

Igreja em Andahuaylillas

O dia estava quase no final, logo voltamos para o ônibus e seguimos direto para Cusco, nosso destino final. Nos despedimos dos companheiros de viagem que conhecemos no trajeto e cada um foi para o seu hostel.

Havia escolhido o Loki Hostel, mesmo lugar que fiquei em La Paz. Mas em Cusco, o hostel era bem melhor, com um único ponto negativo que era a rua de acesso, uma escadaria a la Ouro Preto (MG).

Eu, com o meu joelho já ferrado + mochila pesada + chuva forte que começou bem na hora que saí do taxi, fiquei um “pouco” acabada. Mas tudo bem, estava em Cusco, a um passinho de Machu Picchu. A expectativa só aumentava…

 


(!) Já pensou em presentear com fotografia? Estou vendendo alguns de meus trabalhos como fotógrafa. Você pode optar por cópias apenas impressas ou enquadradas. Clique no link para conferir as imagens e valores! 🙂
camilapastorelli.com/presentes-fotografia/





Direto do lago Titicaca

4 02 2012

Sai de La Paz por volta das 14h em direção a Copacabana. Comprei a passagem de ônibus no Terminal de Autobuses e paguei 30 bolivianos (mais a taxa do terminal de 2Bs). Depois descobri que poderia ter pago mais barato, se fosse até o cemitério da cidade, lugar de onde saem inúmeros ônibus para lá e outros lugares.

A viagem foi tranqüila e eu estava com uma expectativa bem grande de chegar logo. Depois de aproximadamente quatro horas e meia de viagem, chegamos a um ponto que todos tivemos que sair do ônibus para atravessarmos uma parte do lago Titicaca, antes de chegar a Copacabana. É muito interessante, deixamos as mochilas no ônibus e embarcamos em um barco pequeno, que cabem cerca 12 a 15 pessoas. A travessia leva cerca de 20 minutos. E o ônibus? Bom, ele também vai, em seu próprio transporte: balsa.

Ônibus levado pela balsa para cruzar o Titicaca

Chegamos ao outro lado, já São Pedro de Tiquina, recuperamos nosso ônibus de volta e seguimos viagem por mais alguns minutos. Copacabana é uma cidade pequena, de 25 mil habitantes, e não tem rodoviária. Todos os ônibus chegam na mesma rua, onde estão localizadas dezenas de pequenas agências de turismo que organizam passeios a Isla Del Sol e também viagens a cidades próximas ou cidades peruanas. A altitude aqui é de 3.810m acima do nível do mar.

Logo ao sair do ônibus, conheci duas brasileiras que estavam pensando em dormir uma noite na Isla Del Sol ao invés de passar as duas noites em Copacabana. Não tinha pensado nisso, mas me pareceu uma boa ideia ter mais tempo para explorar a ilha. Como elas também iam depois a Puno, marcamos de tentar ver a ida a esses lugares juntas. Antes, apenas íamos deixar as coisas no hostel e voltar ali para a rua central em meia hora.

Em São Pedro de Tiquina, Bolívia

Pois bem, o hostel. Primeira zica da viagem. Havia já visto um lugar para ficar ainda quando estava no Brasil, liguei para eles durante essa parte do planejamento e eles me garantiram que para reservar um quarto, tudo que precisava fazer era ligar um dia antes para reafirmar minha ida a cidade. Ok, estava em La Paz, liguei para eles um dia antes e a resposta que tive foi que todos os quartos estavam cheios. Não havia vagas. Tentei argumentar e tudo mais, mas não havia negócio, eles não reservaram e ponto. O nome do lugar é Hotel Ambassador. (fica a dica).

Tentei outro, então: Hotel Emperador. Falei com uma senhora muito simpática, perguntei tudo sobre o lugar, era até mais barato que o primeiro. Fiz ela escrever meu nome e repetir para ver se havia entendido. Tudo certo. Cheguei em Copacabana e peguei um taxi até o lugar, pois aparentemente, não era tão perto para quem estava com uma mochila de 12 quilos nas costas. No hotel, um rapaz novo me atendeu. Falei sobre a minha reserva e…. “todos os quartos estão cheios”. COMO assim? Tentou encontrar a senhora com quem eu tinha falado, mas nada. Procurou em um caderno, todo bagunçado, meu nome e nada. Nessas horas e circunstâncias não tem muito o que fazer, até porque “direitos do consumidor” não é algo do dia a dia boliviano.

Tudo bem, vamos lá, estou de férias, não tem com que eu me estressar, certo? Fui em busca do próximo hotel, que era duas ruas para baixo. Super simples, 30 bolivianos o quarto, sem banheiro. Só tinha uma janelinha. O banheiro compartido era um pouco tenso, assim como a ducha, mas eu não tava na posição de ficar selecionando.

Desencanei um pouco e fui encontrar as meninas no “centrinho” da cidade. Já marcamos nosso passeio a Isla Del Sol (não precisava marcar antes, porque a oferta é imensa, mas achamos melhor) e também o ônibus para Puno no final do outro dia. Fomos então, em busca do jantar, que tinha que ser truta! Todos falavam muito bem das trutas do lago Titicaca. De fato, estavam ótimas. Pedimos uma na chapa na manteiga e outra no alho. Salada à vontade, mais um chá gelado bem bom. Ainda tomamos uma espécie de caipirinha de folha de coca, com uma bebida local que esqueci o nome…bem diferente.

Cidade de Copacabana

No dia seguinte, pegamos o transporte até a Isla Del Sol. São duas horas de viagem, apesar do céu aberto, o vento era BEM frio. Logo na chegada da ilha, encontramos um grupo de brasileiros, que tinham acabado de conhecer um outro brasileiro que estava ali há mais dias e que poderia ser o nosso “guia” na trilha da parte Norte à Sul. Por isso, optamos por não ir com um guia local, mas mesmo assim recomendo um guia, para saber um pouco da história do lugar e tal.

Caminho para Isla del Sol de barco

Mapa da Isla del Sol

A caminhada leva, em média três horas ao todo, nós levamos sete. Claro, fomos parando, conversando, ficando sem fôlego, essas coisas. E foram nessas longas horas que estraguei meu joelho. O esforço foi bastante e fiquei dias com ele ruim. Mas foi ótimo! O pessoal era divertido e animado. A vista dali é impressionante. Não tinha ideia quão grande era o lago. Parece um mar! Em muitos pontos, não dá para ver o outro lado dele. O azul das águas é lindo e o cenário fica completo com as montanhas, pedras e construções incas que cruzamos pelo caminho. Veja aqui um vídeo que fiz da caminhada.

Trilha entre parte Norte e Sul da Isla del Sol

Mas fique esperto, pois existem pedágios que você deve pagar em alguns pontos da trilha. Em média, 5 bolivianos. Passamos por três famílias cobrando pedágios, mas não sabemos se a última era oficial mesmo, pois logo depois que passamos a família foi embora. Enfim…

Vista para o lago Titicaca

O calor era grande; protetor solar, boné e óculos escuros nessas horas são fundamentais. E levar um pacotinho de folha de coca também pode ajudar com a altitude, pois ficávamos cansados muito rápidos com as subidas e descidas da trilha.

No final do dia quase, paramos em um restaurante simples com uma vista maravilhosa do lago. O prato escolhido? Truta, mas é claro! Por apenas 25 bolivianos, comi um prato delicioso com uma vista que não tinha preço. Impressionante esse lugar.

Restaurante nas margens do Titicaca

Truta com vista privilegiada

Todos alimentados, o desafio seguinte era arrumar um lugar para dormir. Como já era por volta das 19h, foi difícil encontrar um hostel para quinze pessoas. De novo, não estávamos na posição de ficar selecionando habitações. Ficamos em uma que pagamos 15 bolivianos a noite (cerca de 5 reais), já deu pra imaginar, né? Eu fiquei em um colchão, no chão.

O banheiro ficava no lado de fora, a água quente tinha acabado, a privada mal tinha descarga (nem preciso falar do assento e do papel higiênico, ok?). Enfim, depois de sete horas caminhando pra cima e pra baixo, ninguém tava precisando de um banho mesmo, imagina.

Bom, compramos alguns vinhos, atum, maionese, torradas e estava pronta a festa. Ficamos a noite toda conversando, rindo e cantando.

Todos os brasileiros juntos na Isla del Sol

Depois da noite fria, acordei no outro dia, bem cedo na esperança de tomar banho, mas a água quente não existia mesmo. Desencanei, banho mesmo seria só no final do dia, já em Puno, no Peru.

Comi um lanche rápido em Copacabana e peguei o ônibus para Puno, mais quatro horas e meia. Atrasamos o relógio uma hora, para acertar com o horário peruano. Passamos na fronteira, sem grandes problemas. Na rodoviária, me despedi das duas brasileiras que conheci e fui em busca do hotel que já tinha reservado ainda no Brasil. Fui torcendo para que não fosse mais nenhuma roubada. E não era. Ali, meu banheiro tinha água quente, descarga na privada e papel higiênico (!). Tava no céu! Um quarto só para mim com TV a cabo. Um luxo só. Tudo por apenas 30 soles (algo em torno de 20 reais).

Fronteira Bolívia-Peru; entrada por Puno

A passagem em Puno foi rápida, cheguei às 17h e sai no outro dia às 7h da manhã. Mas depois do merecido banho, deu para dar uma voltinha no centro. Jantei em um restaurante maravilhoso! Tradiciones Del Lago. Não foi dos mais baratos, mas também não era nada absurdo e como eu estava merecendo me fazer um agrado, fui. Comi um filé de alpaca com vegetais e vinho peruano. Coisa fina! Super recomendo.

É visível a mudança da Bolívia para o Peru. Não tem como não notar a estrutura das cidades peruanas para o turista, em comparação com as bolivianas. Uma pena, pois a Bolívia é linda e não é a primeira coisa que vem na nossa cabeça quando falamos desse país.

A viagem para Cusco, minha próxima parada, levou cerca de 10 horas, mas conto no próximo post. Até lá!

ps. Fico feliz em saber que esse é o post de número 100 do blog! Quando ele começou, no dia 08/08/08, não pensei que fosse durar tanto, mas não é que tá durando?