São Paulo 457 e a Biblioteca Mário de Andrade.

26 01 2011

Depois de um mês inteiro de férias, cá estou eu novamente para São Paulo. E hoje, como foi o aniversário da cidade, aconteceram diversos eventos por aqui. O que fiz, na verdade, foi um roteiro de turista-padrão. Como precisava pagar uma conta (!), decidi sair e andar por aí, encontrando as atrações meio que sem querer.

Passei pela praça da República, onde a Maria Gadú passava o som com a música “Sampa” (mas é claro); pelo Vale do Anhangabaú, com mais shows, bailes, escalada e tirolesa; pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com a ótima exposição sobre o Islã – arte e civilização; fui até o Pateo do Collegio; a Praça da Sé; e terminei na reabertura da Biblioteca Mário de Andrade.

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Um exemplo chamado Ayrton.

14 11 2010

Eu não me lembro exatamente porque virei fã do Ayrton. Sei que não tinha idade suficiente para acompanhar as corridas, nos tempos em que ele pilotava pela Fórmula 1. Quando Senna ganhou seu primeiro campeonato mundial, em 1988, eu tinha apenas alguns meses; quando ele morreu, no 1º de maio de 1994, eu tinha 6 anos. De alguma forma, a imensidão de notícias, imagens e especiais na TV e edições especiais de revistas e fitas de vídeo me acertaram em cheio. Passei a acompanhar tudo o que era dito e tudo que saia sobre ele. Provavelmente, a minha fase mais consumista até hoje.

A maneira como ele competia, treinava, se esforçava ao máximo até conseguir algo e se superava a cada momento, foi algo muito marcante, mesmo sem tê-lo mais por aqui. Acho que mais do que isso, a forma como o Ayrton tocava as pessoas, em especial os brasileiros, inspirando-as e as enchendo de orgulho, é realmente único.

Senna é o nosso ídolo por uma questão simples, que pode ser resumida em caráter, humildade e trabalho. No final das contas são essas pequenas coisas as mais importantes. Ninguém se faz grande e bem-sucedido sem elas. Lembro de ter lido em um dos inúmeros livros à época, que Senna não era um predestinado, e sim, um obstinado. Ele conseguia o que queria e era muito bom nisso, pois trabalhava até a exaustão para atingir seus objetivos. Poderia ter escolhido qualquer outra carreira que lhe agradasse, e mesmo assim seria um líder, um destaque.

Não foi a Fórmula 1 que lhe fez um grande homem, um grande profissional. Ele o seria em qualquer outro lugar. Por isso, não penso que para uma fã de Ayrton Senna, a paixão pela velocidade seja pré-requisito. Eu passo longe das corridas. Mas a imagem e as atitudes da pessoa Ayrton fizeram parte da minha formação. O orgulho de ter nascido onde nasci, e o valor do trabalho e do esforço. Eu o agradeço por isso.

Não tem como assistir ao documentário Senna, que estreou essa sexta nos cinemas sem se emocionar, e muito. A vida interrompida de um ídolo sempre choca, mas a de Ayrton deixou feridas ainda mais profundas em um país que sofre tanto na sua busca por bons exemplos de caráter, humildade e trabalho.





Boas letras, melodias contagiantes, performance respeitável. Não tem erro.

4 03 2010

Existem muitas razões para assistir a um show ao vivo. Muitas outras mais para assistir a um show ao vivo num estádio de futebol. Independente de quais sejam elas, para mim, a principal é poder sentir o que o músico está sentindo ali no palco e ver como ele consegue se envolver com a sua música e passá-la adiante.

É muito notável quando uma banda chega a um estágio elevado de cumplicidade com seus integrantes e atinge uma intensidade única em suas músicas. Eles cantam, gritam, fecham os olhos e tocam como se aquela fosse a última vez. Isso vale para bandas e cantores de qualquer proporção. Pode ser em um show com os amigos da Seamus num domingo à noite num barzinho de esquina, em Pindamonhangaba, ou com os ingleses do Coldplay no estádio do Morumbi, em São Paulo, numa terça-feira.

Muitas vezes, gosto apenas de olhar e imaginar qual a sensação daqueles que estão do lado de lá. Já toquei algumas vezes por aí, mas nunca com esse grau de descontrole puro. Por isso que gosto de tentar perceber o que é sentido durante um show, como por exemplo do Coldplay, nessa semana. O que é estar à frente de uma platéia de cerca de 60 mil pessoas de um país que não é o seu, cantando músicas escritas por você, nas quais você acredita e se importa? Acho isso extremamente surreal. Emoção demais para uma pessoa só, eu não agüentaria, iria chorar horrores, certeza.

Enfim, achei o show muito bom, mas infelizmente o som para a arquibancada não foi bem o esperado. Abafado e um pouco baixo, prejudicou aqueles momentos em que você queria gritar mais alto que todo mundo e mesmo assim continuar não sendo ouvido, porque, afinal, você não canta tão bem assim. Quando “Fix You”, “Shiver”, “Lovers in Japan” e “The Scientist” tocaram, eram os momentos, sabe? Mas tudo bem, tentei não parecer uma louca, nem nada parecido…

É curioso como Chris Martin e sua turma conseguem conquistar as pessoas com quase nada de arrogância ou tiques a la rock star – o que para qualquer mortal com sotaque britânico já é um GRANDE feito. O vocalista falou algumas palavras em português, como de praxe, e sempre quando usava o inglês, pedia desculpas, mostrando certo desconforto, como se realmente quisesse ser entendido e falar a língua local. Não tem como não achar os caras, “Os caras”. E para completar, entregaram CDs grátis no final do show. Um lindo CD com capinha de borboleta, contendo 9 músicas ao vivo. Tudo o que você pensa é “COMO assim? Que muito legal tudo isso!”. E é mesmo.

Daí bate aquela vontade de você conseguir fazer isso um dia, chegar a esse nível, entende? É por essas e outras que não tem coisa melhor do que ir a um show e ter todas essas sensações te preenchendo a cada faixa tocada. Você sai renovada, os músicos saem renovados e a vontade é de querer ir para o próximo e sentir tudo isso de novo.

P.S. – No próximo, eu vou na pista. Ah, vou.





Nos trilhos do metrô.

18 04 2009

Essa semana, o metrô foi notícia. Para o bem e para o mal. No Rio de Janeiro, houve agressão estúpida e gratuita por parte dos funcionários da SuperVia, responsável pelo transporte da cidade. Com socos e chicotadas, quem estava perto da porta para entrar ou sair, acabou ferido.  Além de ter um serviço abaixo das espectativas, quem vai trabalhar ainda tem que apanhar um pouco antes de bater o cartão. Vergonha é pouco.

Já em São Paulo, onde a violência ainda não atingiu níveis tão drásticos, houve uma manifestação em nome do conforto – esse mesmo que passa longe no Rio, e na própria São Paulo. O “No Pants Day”, que já aconteceu em diferentes cidades do mundo, reuniu por volta de 300 pessoas que decidiram entrar na estação Paraíso do metrô, tirar as calças e ir até a Vila Madalena. Sim, sem calças (mas com suas respectivas roupas de baixo, claro). A intenção não era chocar, nem provocar, mas simplesmente divertir. Viva o conforto. Vai entender, não  é?

Semana agitada para a tag metrô.

Mais fotos da manifestação:

http://www.flickr.com/photos/filipe_pix/

http://www.flickr.com/photos/carolthome/

http://www.flickr.com/photos/gabrieldias/






Daniel (Phelps) Dias: 3 ouros. Até agora.

9 09 2008

Com bem menos glamour e empolgação por parte da imprensa (e do público, diga-se de passagem), as ParaOlímpíadas de Pequim estão com resultados bastante satisfatórios para o Brasil. No momento em que escrevo aqui, estamos em 5º lugar no Quadro de Medalhas (Acompanhe as atualizações aqui). Isso mesmo, com um total de 8 medalhas de ouro, 4 de prata e 5 de bronze. Sendo que 3 das 8 de ouro são de posse do nadador Daniel Dias. O nosso Phelps?

Muito dos atletas que estão em Pequim, só são atletas hoje, por causa da sua deficiência física. O que não deixa espaço pra pensar em derrotismo ou pena.  A delegação brasileira foi para lá com inúmeras dificuldades, seja de patrocínio ou de locomoção, mas está fazendo a história acontecer. Infelizmente, não tão midiatizada quanto deveria.

Assim como se pronunciou a seleção feminina de futebol nas Olimpíadas, os para-atletas olímpicos podem dizer: “A gente não precisa mais provar pra ninguém que a gente sabe praticar esportes.”

As competições vão até o dia 15 de setembro, vale à pena acompanhar.





O lugar mais alto.

22 08 2008

Impossível não se emocionar quando assistimos às Olimpíadas. Eu já nem tento me segurar mais. Pode ser um absurdo a quantidade de dinheiro que os países investem para esse evento, pode parecer desumano o treinamento e as pressões que os atletas sofrem, pode ser sediada num país que é o extremo oposto do que se chama de democrático ou ecologicamente correto. Não interessa. Quando você vê pela TV que um esportista do seu país – esse mesmo – desigual, subdesenvolvido, malandro – conseguiu estar à frente, conseguiu uma medalha de ouro. Você pensa: “É isso! É assim que se faz! Obrigada por representar bem o meu país, por mostrar para o mundo todo que no Brasil também se encontram campeões.”

É uma espécie de válvula de escape, pelo menos para mim, eu sempre acabo me sentindo mais olímpica (?), mais instigada e mais empolgada quando uma vitória, como a da Maurren Maggi, acontece. Dá vontade de gritar com ela, de chorar com ela. Depois de dois anos de suspensão por ter sido flagrada no exame antidoping, em função de uma substância encontrada no creme que a atleta usou para depilação, ela volta mãe e vencedora, pulando exatos 7 metros e 4 centímetros. Só orgulho por aqui. A comemoração foi completa no 3º andar do prédio da minha faculdade, onde temos uma lanchonete. Acompanhamos tudo pela TV. E nos emocionamos.

O engraçado foi que com toda a mega cobertura e falação sobre a “Maior Olimpíada da História”, nós acabamos nos empolgando junto e esperando bons resultados – digo, resultados com pódios – tão freqüentes como foi nos Jogos Pan-Americanos do ano passado. O fato é que o Brasil está fazendo uma boa Olimpíada, mas não como estava previsto no nosso imaginário. Desculpa, mas ainda temos que comer muito arroz com feijão e investir muito mais em esporte nas escolas para conseguir mais bolachinhas olímpicas. Não adianta se deixar influenciar pela grandiosidade do evento.

De resto, é só comemorar e se emocionar com os nossos atletas que estão chegando aqui com uma medalha no peito, seja de que cor for. Até porque que graça tem ganhar OITO medalhas de ouro, não é? Maior peso, que bobagem. [Phelps orelha de abano!]