Deserto do Siloli – parte 2

6 10 2013

@camilapastorelli

O segundo dia no Deserto do Siloli foi ainda mais impressionante que o primeiro no Salar (leia mais aqui). Nossa primeira parada foi no Vale das Rochas (Valle de Rocas), um ponto bem cinematográfico. Eu que pensava que não acharia a menor graça no cenário desértico, me enganei. Sentei em uma das pedras mais altas e fiquei observando aquela paisagem maravilhosa, sem vontade de ir embora.

@camilapastorelli

Ao fundo, ainda era possível avistar o vulcão Lincacabur com seus imponentes 5.916 metros de altura, pertencente tanto à Bolívia, quanto ao Chile. No dia seguinte, ficamos ainda mais perto dele quando passamos pela Laguna Verde.

@camilapastorelli

Deserto do Siloli

Após o vale, paramos na primeira lagoa do caminho, a Laguna Cañapa, que estava com vários flamingos. Logo depois, veio a Laguna Hedionda com mais flamingos. Um prato cheio para algumas fotos.

@camilapastorelli

Laguna Cañapa

Laguna Cañapa

Laguna Cañapa

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Trilhas

1 10 2013

Saudades das trilhas.





Para conhecer Machu Picchu – parte 2

30 07 2012

A famosa Machu Picchu

O nosso simpático guia nos levou até um ponto, onde ele disse ser o mais famoso para as “fotos de facebook”. Todas as fotos que vemos espalhadas pela internet e afins, são feitas ali. O único problema era que não víamos nada da paisagem. A neblina ainda estava forte e não conseguíamos nem saber em que direção estava a famosa Huayna Picchu.

O complexo de Machu Picchu está a 2.450 metros de altitude e apesar de já ser conhecido pela população quéchua da região andina, foi “descoberto” para o resto do mundo em julho de 1911, quando o historiador americano Hiram Bingham, guiado por um garoto quéchua, encontrou o lugar. As ruínas estavam cobertas por vegetação e foi necessário um bom tempo para limpar toda a área e começar o seu mapeamento.

Detalhes da cidade inca

A “vieja montaña”, tradução das palavras quéchuas para Machu Picchu, é uma cidade inacabada. Sua construção teve que ser interrompida, em função de uma provável invasão que impossibilitou o término da cidade. Se pararmos para pensar que o que vemos hoje é apenas uma cidade incompleta, só podemos imaginar como eram as impressionantes construções finalizadas, como a própria cidade de Cusco, considerada a capital Inca da época.

Machu Picchu está dividida em duas partes: a região agrícola e a urbana. E como em outros sítios arqueológicos, podemos conferir a incrível organização e o cuidado com o solo e arquitetura com as pedras. Encaixes perfeitos formam casas, praças e santuários – como o Templo do Sol, bem ao centro. As três janelas também merecem destaque por representarem três dos símbolos caros à cultura inca: o condor (habilidade), o puma (força) e a serpente (inteligência). Essa mesma simbologia pode ser vista na própria cidade de MP: o puma seria Huayna Picchu; o condor seria a pequena montanha ao lado e a serpente, o contorno do rio Urubamba, que passa logo abaixo. Toda a história e a simbologia envolvidas em torno do parque podem – e devem – ser mais aprofundadas em futuras pesquisas e, quem sabe, novas visitas ao local. Ah, e não faça o tour sem um guia, pois o passeio perde a metade da importância.

Guia durante o passeio

Todo o grupo reunido

Com o guia, percorremos quase todos os caminhos de MP. Havia muita gente também no local, o que acabava tumultuando alguns dos pontos, já que havia outros guias falando ao mesmo tempo. Mas tudo isso faz parte, nem se estresse.

Havia chegado a hora de subir Huayna Picchu. Eu ainda estava um pouco na dúvida se daria conta, mas depois de ser convencida pelos outros que iam também, e pelo próprio guia, que disse ser um trajeto tranquilo, decidi encarar mais essa. E olha que eu não me perdoaria se tivesse deixado essa oportunidade escapar, pois a vista lá de cima compensou tudo!

Momentos antes de subir

De acordo com o guia, os incas que ali viviam, subiam Huayna Picchu para passar algum tempo longe da civilização com o objetivo de meditar e buscar iluminação espiritual. Os cerca de 200 metros são subidos com certa dificuldade por aqueles mais sedentários que vivem longe dos Andes (tipo, eu). A altitude, novamente, é sentida com o menor dos esforços – Huayna Picchu está a 2.667 metros de altura. Mas como eu já estava preparada – levei meu saquinho com folhas de coca para mascar no caminho – não foi nada muito absurdo. Com algumas paradas estratégicas para tomar fôlego, consegui completar o caminho sem grandes problemas.

Logo no começo da trilha, o primeiro susto: a equipe médica local trazia uma pessoa em uma maca. Pronto, o primeiro pensamento foi “quem morreu?”, nos perguntávamos num misto de humor negro e real preocupação. Felizmente, a turista havia “apenas” escorregado e batido a cabeça, e estava bem. Fiquei com pena dos dois homens que levavam a maca, pois se subir aquela montanha sozinho já é um esforço, imagina nessa situação?

Perguntei para a médica da equipe se ela ia voltar, pois talvez precisássemos dela, mas ela apenas riu e desconversou – e olha que eu não estava brincando(!).

Turista sendo levada na maca

Subi junto com dois brasileiros e um alemão, todos de nosso grupo inicial. Eles iam na frente e eu, a passos lentos, fazia o meu tempo. Todos os degraus são esculpidos na pedra, alguns curtos, outros bastante altos. Uma corda de aço foi colocada no caminho para servir de corrimão, o que ajuda bastante em vários momentos. Somente em algumas partes não há essa ajudinha extra – daí o esquema é contar com os joelhos mesmo.

Trajetos da trilha

Sempre que via um casal de idosos descendo, perguntava se o topo estava próximo, e eles diziam que sim! Daí que me animava mesmo. Levei por volta de uma hora para chegar até ao cume. O tempo, em média, é esse mesmo, entre 45 minutos e uma hora e meia.

Havia levado um sandubinha e mais algumas bolachas para comer lá em cima. Foi um piquenique nas alturas, minha gente. Coisa fina. Tiramos muitas fotos e apreciamos aquela paisagem incrível. A cidade de Machu Picchu lá embaixo e a imagem dos turistas como formigas em um formigueiro, parecia surreal. As montanhas por todos os lados, mostravam um vale de beleza e paz únicas. De fato, deve haver algo de energético com essas montanhas. A minha vontade foi fazer como os quéchuas da época e passar algum tempo lá em cima para aproveitar mais do lugar. O amanhecer ali deve ser algo de outro mundo. Quem sabe numa próxima, não me empolgo e faço também a tal trilha inca?

No topo!

Vista impressionante

Para os mais animados, lá em Huayna Picchu, ainda há uma trilha extra para o Templo da Lua, o que leva mais alguns minutos e esforço, que decidi não encarar para, de novo, não acabar com o joelho. Ainda tinha a volta para fazer e não estava a fim de descer de maca. Há quem diz que não há nada de mais nesse templo, mas se você estiver com tempo e disposição, por que não?

A descida foi também tranquila – só é importante prestar mais atenção para não relaxar de uma vez, pensando que “a descida é fácil” e acabar se machucando. Saí de Huayna Picchu com o espírito renovado e feliz da vida por ter feito essa trilha.

Já no “térreo”, voltamos para alguns dos pontos já visitados anteriormente com o guia, só para aproveitar mais um pouco do lugar e tirar as últimas fotos. Simplesmente, um passeio inesquecível!

Ah, ainda estávamos com sorte: Machu Picchu estava no ano do centenário de seu descobrimento e, por isso, podíamos carimbar nossos passaportes com o selo comemorativo. DEMAIS! Passeio concluído com mais sucesso, impossível. Por volta das três horas da tarde, voltamos para o hostel. Tomamos um banho e fizemos uma horinha no restaurante do hostel, com uma porção de “choclo con queso” até dar sete da noite, quando partia o trem para Ollantaytambo.

Por volta das nove da noite, chegamos ao povoado e tentamos achar o motorista do ônibus, que nos levaria de volta ao hostel em Cusco. Momento de confusão pura: muitos e muitos guias e motoristas. Eles levavam plaquinhas com nossos nomes. Na plaquinha, eu era a Camila Lourenço. Levou quase meia hora para acharmos todos os nomes e subirmos no ônibus. De novo, o transtorno faz parte, minha gente. Abraça a aventura e vai.

Em pouco menos de duas horas, estávamos de volta a Cusco. Cansados, mas com muita história para contar.

Última foto antes de ir, feliz da vida!





A novidade é: Sustentáculos.

30 01 2010

Prestigiem, amigos. Coisa boa vem por aí.

http://sustentaculos.com.br/





Em que momento se deve ajudar mesmo?

20 01 2010

Os recentes – e numerosos – desastres naturais não deixam de me fazer pensar naquela história do sapo que ao entra em um recipiente com água fervendo, pula logo para fora dali; e de maneira oposta, o outro sapo que ao ser colocado em outro recipiente com água fria, que esquenta aos poucos, fica na água fervente até morrer. Não sei que raios mais é preciso ser feito para percebemos – e me incluo nessa – que o dia depois de amanhã talvez seja realmente depois de amanhã, e não daqui a 50 anos.

As enchentes em São Luís do Paraitinga, os deslizamentos de terra em Angra dos Reis, as fortes tempestades em todo o estado de São Paulo, as temperaturas mais do que baixas no hemisfério norte e as temperaturas mais do que altas no hemisfério sul fazem sim parte de um contexto único e interligado, que só não relacionam aqueles que não o querem fazê-lo. Vamos vivendo em nossas vidinhas cheias de iphones, fazendinhas, lady gagas, twitters e Starbucks e tudo vai bem até quando, um dia, quem sabe, algo acontecer. Daí quando acontecer, nós pensamos no que fazer.

Achei muito curioso, e claro, dolorosamente triste, o terremoto que devastou a cidade de Porto Príncipe, no Haiti. A parte curiosa é que se conseguiu arrecadar mais de 5 milhões de dólares em algumas semanas através de mensagens de texto pelo celular, vindas de pessoas comuns, entre outras centenas de milhões de dólares vindas de empresas e celebridades. Ou seja, o dinheiro existe, a pergunta é: quando é que se acredita ser necessário gastar com outras pessoas que não nós mesmos? A situação vivida pelos haitianos há dezenas de anos já não era suficientemente decadente e necessitada de financiamento e apoio?

A água fervendo não assusta. É a ebulição que causa a reação. Li em algum lugar que casos como esses do Haiti despertam o melhor de cada ser humano, algo como a generosidade e o amor ao próximo. Acredito nisso também, sem dúvida. Mas por que precisamos que cenas como aquelas aconteçam para deixarmos aflorar o nosso melhor?

As cenas que vi pela televisão, jornais e revistas me marcaram bastante, assim como as histórias das famílias que perderam seus parentes na virada do ano no litoral e dos moradores que perderam tudo em São Luís e no Jardim Romano, bairro da capital paulista que ficou mais de 40 dias debaixo d’água. O meu primeiro pensamento é sempre “O que eu tô fazendo aqui, se eu poderia estar lá ajudando?” Mas depois de ver algumas matérias gravadas em Porto Príncipe, pela equipe da CNN e observar capas de revistas como a da Época e da Veja (fotos iguais, diga-se de passagem), não vejo razão para ser mais um jornalista lá, relatando o que acontece, simplesmente.

Acho que não conseguiria ir para lá para relatar, entrevistar, fotografar e vir embora, impressionada com o que vi e senti, contando para os amigos e conhecidos como foram duros aqueles poucos dias com a realidade haitiana. Me parece muito pouco e um tanto quanto vanglorioso e exibicionista. Não concordo com algumas vinhetas hollywodianas de canais de televisão e comportamentos de jornalistas que vão para as ruas como se estivessem em um cenário de ficção. É tudo muito estranho. E para mim, a Veja e a Época erraram ao colocar em suas capas a foto que colocaram. Fotografar a morte como se fosse arte para impactar não é jornalismo. Ou talvez… seja mau jornalismo.
Enfim, acho que o final de ano passou e eu nem me dei conta. Tenho a impressão que não houve a conclusão de um ciclo e o início de outro. Tudo se juntou, por uma série de outros motivos, de uma maneira que as coisas estão um pouco desgastante. Espero que o sentimento passe logo. Afinal, é um ano par, é o final de um ciclo e o começo de outro na minha vida e na de tantos outros. Tenho que mudar o tópico “profissão” aí em cima da tela e começar preparar meu roteiro para os próximos meses. Que a água ferva logo e 2010 comece de uma vez.





TCC represa da Guarapiranga: a arte final.

19 11 2009

Com relatório final pronto e reportagem na gráfica, posso voltar a pensar em ter uma vida social.

Queria compartilhar com vocês a arte das três partes da reportagem: água, terra e homem.

Os créditos do planejamento gráfico vão para o Fernado Kataoka (mais conhecido como cara-torta…hehe), não faria nem 1/5 disso sem ele. Obrigada mesmo!

Água

Terra

Homem





Diário de bordo – TCC represa da Guarapiranga – parte-quase-final (contagem regressiva)

9 10 2009

foto por: Camila Pastorelli

7 outubro de 2009.

Nunca achei que esperar pelo Sol pudesse demorar tanto. Depois de semanas torcendo para que as nuvens nimbus dessem um tempo para o mau tempo, consegui ver o céu azul na última manhã de quarta-feira. A razão? Precisava fotografar as águas da Guarapiranga durante o monitoramento semanal feito pela Sabesp. E para isso, o céu e o reservatório de São Paulo deveriam estar facilmente identificáveis, e não uma espécie de brancura sem fim.
Pois bem, às seis da manhã o céu estava extremamente azul com raios solares radiantes. Nem acreditei, e por isso, tratei logo de me aprontar para a sessão de fotos aquáticas. O sol brilhava tanto que na rádio, a repórter avisava “o motorista que trafega pela marginal Tietê encontra lentidão em função do Sol forte”. Onde já se viu sol ser motivo de trânsito? Essa cidade está perdida mesmo.
Para a minha tristeza, com a mesma intensidade que a manhã ensolarada chegou, ela foi embora, trazendo as nuvens de volta. OK, mas não tinha mais jeito, já estava lá na beirada da barragem, ao norte do reservatório, de câmera em punho e frio pelo todo o resto do corpo e iria completar a minha missão do dia.

“Você trouxe blusa?” – perguntou o simpático funcionário da Sabesp
“Ãhn…não.” – respondi.
“Shii….nem capa de chuva?” – insistiu ele.
“Ãhn….não.” – eu, de novo.
“Uhmmm….vai passar frio, hein?” – ele, tirando um sarro com a minha cara.
“Que isso, eu agüento. Gosto de vento!” – Camila, uma tolinha.
“Hahaha…já vou avisando, lá é bem frio, ainda mais com esse tempo.” – Jorge, mais experiente do que eu.

Jorge, durante a coleta de água.

Jorge, durante a coleta de água.

Achei melhor aceitar a capa de chuva que me arrumaram. Sabe como é, não sou uma explorada da natureza orgulhosa. E foi a melhor decisão que tomei. Tava um tremendo de um vento maravilhoso, que foi muito bem aproveitado com toda a proteção que a cobertura artificial da capa de chuva pode oferecer.
O passeio até que foi rápido, cerca de 40 minutos. Com um pequeno barco a motor, passamos por 5 dos 7 pontos que a Sabesp monitora na represa a cada 3 dias. Nas margens da Guarapiranga se vê de tudo, entre nobres e pobres. Casas com garagem para jet skies e barracos de madeira. Pude aproveitar bastante. Mesmo que não conseguisse boas fotos (algumas se salvaram), só o fato de ter estado lá e poder ter realizado o tour privilegiado, valeu à pena.
Os últimos meses foram difíceis e trabalhosos e ninguém melhor do que eu, sabe como é “viajar” tantas vezes para a Guarapiranga. Trajetos que levavam mais tempo do que as próprias entrevistas feitas. Dias de calor e de chuva. Finais de semana e dias de semana. Não foi fácil. E me lembrei de tudo isso enquanto estava sentada no pequeno barco no meio da água.
O sentimento que fica é que foi um trabalho do caramba, mas não podia ter sido de outra forma. Se fosse, o sentimento de dever cumprido daria lugar ao de decepção, de tempo perdido. Que bom que foi do jeito que foi. Mesmo sem ter finalizado completamente a reportagem e o relatório final (Deus do Céu, nem passei pela banca ainda!) estou feliz.
Tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da cidade em que vivo por apenas quatro anos. Tive oportunidade de entrevistar pessoas muito boas e outras muito ruins. Tive oportunidade de perceber que água, esgoto e moradia são problemas extremamente sérios, mas que são levados pouco a sério. E por fim, tive a oportunidade de sentir o vento e tocar as águas do segundo maior sistema de abastecimento da Grande São Paulo. É uma pena que ele esteja cada dia mais poluído.
O quase-final do temido trabalho de conclusão de curso não poderia ser melhor. Acompanhar a coleta de água da Sabesp me fez lembrar porque escolhi tratar de jornalismo socioambiental e porque falar de natureza é sempre muito gratificante. Fiz o melhor que pude. Pode ter certeza. Agora é só esperar dezembro chegar.

30A_0026 cópia