Aventuras na Catalunha – parte 1

14 08 2010

1. Girona

A viagem começa por Girona, cidade com construções medievais, com pouco mais de 95 mil habitantes. Aqui a dica é: mesmo que a cidade, a princípio, não tenha grandes atrações que justifiquem uma passadela, você deve dar um pulo em Girona. Primeiro, porque tem um dos melhores – para não dizer o melhor – hostels da Espanha. Isso eu pude descobri graças ao meu guia e depois, na prática.

Atendentes educados e atenciosos, quartos espaçosos, arrumados, limpos, ambiente mais do que agradável e café da manhã, praticamente, de hotel. Tudo isso com um preço super bacanão, para mochileiros mesmo. Anote aí: Albergue Juvenil Cerveri de Girona.

A cidade está bem localizada, perto de Barcelona, Figueres, de toda a Costa Brava e também da França. Tudo assim, fácil, fácil de chegar. Dessa forma, foi possível explorar um pouco mais da comunidade autônoma da Catalunha, e não ficar somente em Barcelona. O destaque para Girona foi para a “Festa na Floresta” que rolou por lá (não tinha esse nome, mas foi assim que eu chamei, tá?).

Os universitários de lá montaram toda uma estrutura de entretenimento em um parque muito bonito, com árvores altíssimas. Nele, bares e pistas de dança foram recriados tais como em um ambiente fechado. O único problema era a quantidade de mesinhas e cadeiras. A maioria do povo ficava lá, sentado e conversando. Brincadeira, né? Não deu para animar muito. Até porque o dia de maior movimento era o próximo, estávamos no meio da semana.

Ah, e foi em Girona também que presenciamos as gravações do filme franc0-espanhol “El Monge”. Só para registrar…

2. Figueres

A próxima parada foi em Figueres, cidade do pintor Salvador Dalí (1904-1989). Depois de conhecermos o castelo mais preservado de toda a viagem (com audio-guias pré-históricos, que mais pareciam um grande comunicador militar), eu e Marília, a outra brasileira que conheci por lá, fomos para o Teatro Museu do Dalí. Bem curioso e divertido, cheio de obras malucas para ver, fotografar e filmar – sim, lá é permitido.

Dentre os museus da Espanha, esse me pareceu o mais cheio de gente, ou eu que dei azar no dia. Difícil respirar com tanto desodorante vencido, mas tudo bem. O Teatro Museu foi fundado em 1974, sob as ruínas do antigo teatro da cidade, que havia sido bombardeado durante a Guerra Civil Espanhola. Com uma grande quantidade de obras de toda a carreira de Dalí, o lugar também possui salas criadas especialmente para o museu, como a sala Mae West. De perto, ela parece uma sala normal, com sofá, lareira, quadros e cortina, mas se você sobe uma escadinha e olha toda a cena de outro ângulo, através de uma grande lupa, vai poder ver o rosto de uma mulher.

3. Port Bou

Depois de nos informarmos no hostel de Girona sobre onde estava a famosa Costa Brava, que tanto víamos nos cartões postais, partimos de trem para o povoado de Port Bou, na divisa com a França. Entre montanha e praia, a vista é incrível em dias de sol. Foi lá que, meio sem querer, encontrei a tumba do Walter Benjamin, um dos teóricos da comunicação que mais ouvi durante a faculdade. E se você hoje fala em cultura de massa, é graças a esse homem. Tive que ir visitá-lo, óbvio. O túmulo está no cemitério municipal, no alto de um morro, ao ladinho do mar Mediterrâneo. Depois de sair da Alemanha, fugindo da perseguição nazista, Benjamin foi parar em Port Bou, onde ficou até sua morte.

Ao conversar com a mulher da secretaria de turismo, escutamos o que estávamos esperando: é possível cruzar a fronteira Espanha-França a pé. Yeah! São cinco quilômetros, por volta de uma hora de caminhada; meia hora para subir o morro (esse aí da foto acima), meia hora para descer. Tranquilo. Fomos pela estrada, sem acostamento. Um pouco perigoso (fato), mas o movimento de carros não era muito grande e bom…tô viva, não tô?

Continuando…

No meio da estrada podemos ver a placa “España” e logo alguns metros depois, temos a outra, “France”. Vou falar que é algo bem emocionante sair de um país e chegar em outro assim, caminhando. Até havia um posto policial, que pensamos que ia acabar com a nossa alegria, mas foi só cumprimentá-los com a nossa cara de “não-somos-imigrantes-ilegais” e continuar o caminho. Super natural. O engraçado foi que no meio do caminho, um senhor parou o carro e nos perguntou se queríamos carona. Dá para acreditar? Recusamos, é claro. Estávamos no ápice da aventura, pela-mor,né?

A estrada seguiu com muitas curvas e, aparentemente, sem um fim. Por isso, quando avistamos um cemitério que parecia ser um atalho, não tivemos dúvidas: ao cemitério. Cortamos caminho por ali mesmo, um pouco estranho, é verdade, mas necessário.

Finalmente, chegamos ao lado francês do morro: Cerbère! Que pode ser resumida em uma praia com alguns restaurantes e lojinhas para turistas. É estranho ver tudo na língua francesa, mas como o povoado está bem perto do território espanhol, lá também se fala castelhano e catalão.

Depois de comer o nosso sanduba e tomar um café por ali, partimos de volta para Port Bou (dessa vez, de trem) e logo depois para Girona, porque ainda teríamos que ir para Barcelona no mesmo dia. Ou seja, em 24 horas, estivemos em 4 cidades e 2 países. É o que eu digo, nada como ser jovem e ter bons joelhos.

Próxima parada catalã: Barcelona!

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One response

17 08 2010
Simone

A cidade de Dalí! Que demais!
Ainda a aventura pura de atravessar a fronteira a pé! Adrenalina na veia!hahahaha
E, pra completar, ainda viu o túmulo de Walter Benjamin…HISTÓRICO! Memóravel!

Estou viajando pelos teus relatos e sentindo ainda mais vontade de conhecer os ares espanhóis!

bjs

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