Para Andaluzia!

25 07 2010

A viagem começa no primeiro final de semana de junho, com um ônibus até Madri e depois um trem até o sul da Espanha. A diferença foi utilizar, finalmente, o trem de alta velocidade. Sim, ele é rápido. Eu só conhecia o outro, normalzinho, que é bem mais mal cuidado e bem mais lento, óbvio.

Ao chegar a Sevilha, o que mais se nota é o calor. Apesar de já estar passando por altas temperaturas em La Rioja, o bafo quente que você sente, lembra bastante algumas cidades brasileiras. E dava para sentir um cheiro meio de cana-de-açúcar (por mais que eu saiba que lá não tenha); era um cheiro que eu não soube identificar, mas era muito familiar.

Ao sintonizar as rádios locais, era claro que eu estava na terra do flamenco. Ele está por toda parte, na música, na roupa das pessoas, nas lojinhas de turista e no ar. Se eu quisesse assistir a uma apresentação, o caminho era pagar – e caro – para o pacote restaurante + flamenco. Por volta de 30 euros. Entretanto, como eu já tinha dado uma lida no meu incrível guia do viajante descolado na Europa, conhecia uma alternativa.

Era um local para músicos não profissionais se apresentarem; um galpão lotado de gente, onde não se cobrava para entrar (vou colocar o nome em breve aqui!). Turismo low cost é assim. E por não ser profissional não significa pouco talento, muito pelo contrário. Mesmo sem a roupa típica, o rapaz das palmas, o outro do violão e a moça que dançava, impressionaram. Eram um pouco bravos, é verdade. Aliás, bastante bravos. A mulher não gostava de nenhum falatório ou acompanhamento do público nas palmas, porque logicamente atrapalhava e desconcentrava. Foram vários momentos que os turistas não paravam de fazer barulho e ela fechou a cara e fez “pshiuuuuuu”. Deu medinho. Bando de turista sem noção.

Enfim, estava com um grupo bem heterogêneo que conheci no hostel, um casal de irmãos brasileiros, duas amigas portuguesas e uma italiana. Ficamos um tempo por ali e depois saímos para dar uma volta pela cidade. Sevilha à noite é ainda mais bonita.

No outro dia, parti para Granada, cidade próxima, ainda em Andaluzia. O grande destaque da cidade é o complexo palaciano de Alhambra. Ele é tão disputado que uma (boa) parte das entradas é vendida pela internet e uma outra (bem menor) é vendida na hora. Claro que só fui saber disso na noite anterior e quando entrei no site já estava tudo esgotado. A italiana que estava no hostel falou que eu poderia tentar na hora, vai que eu dava sorte? Como não tinha outra opção, fui na cara e na coragem.

Ainda na fila, sem saber se conseguiria entrar, ouvi um cara conversando com a mocinha da informação.

– Comprei esse ingresso a mais pela internet, como eu faço, posso ter a devolução do dinheiro?

– Não.

– Posso vender?

– Não.

– …

– …

– INGRESSO GRÁTIS, INGRESSO GRÁTIS!

Ao ouvir essas palavras mágicas, eu, mais do que rapidamente, levantei meu braço o mais alto que pude e deu certo! O cidadão já emputecido com toda a situação me entregou o ingresso e nem deu tempo para um “muito obrigada”. Saí da fila e fui direto para a entrada. 12 euros economizados!

O palácio árabe e todos seus arredores estão praticamente todos conservados, desde a época da dominação moura na Espanha. A maior parte da construção é datada de 1248 a 1354, e a área total do complexo, entre torres, pátios, palácios, jardins e tudo mais é de 142 mil m². Há quem diga que os mulçumanos ainda vão tomar esse palácio de volta para eles, quem sabe.

Passei umas boas horas caminhando por lá, vendo os interiores, a decoração árabe, que é incrível, mas na verdade, acho tudo um exagero e um desperdício de espaço. Detalhes luxuosos em excesso criados para a apreciação de tão poucas pessoas.

Sempre fico pensando que tudo pode desaparecer com um simples terremoto, maremoto ou tempestade a la O dia depois de amanhã. É lindo, não tem como negar, mas o que é realmente de tirar o fôlego está do lado de fora: a vista. Ah, a vista. Dá para ver toda a cidade de cima das torres da fortaleza de guerra do palácio. É espantoso. E ainda deu para ver um pouquinho de neve numa montanha distante. Muito irônico para quem estava ali tostando com o calor de 35 graus.

A cidade de Granada é bastante quente, assim como Sevilha, mas conheci pouco. Não tinha muito tempo e vamos combinar que a Alhambra já toma bastante tempo. No quesito alimentação, foi uma cidade muito receptiva, com preços acessíveis e boas opções.

No último dia em Sevilha, olhei no mapa o que eu ainda não havia conhecido, como a catedral lindona que eles tem por lá, a maior da Espanha, pelo que disseram (de acordo com meu guia, Cristovão Colombo está enterrado lá, mas não achei). O que faz dessa catedral ser única é o fato dela ter portas de estilo moçárabe – aquele que parece uma fechadura – em algumas de suas entradas. Ela foi construída em cima de uma antiga mesquita, partes foram preservadas. Uma igreja católica com portas árabes? Bem curioso. Achei um link no qual se pode fazer um passeio em 3D pela catedral, é aqui.

Para encerrar a viagem, como eu já tinha economizado os 12 euros em Alhambra, me dei ao luxo de fazer um passeio de barco pelo rio Guadalquivir. Com aqueles alto-falantes em três línguas diferentes, fui conhecer mais alguns outros lugares da cidade. O calor foi embora com o ventinho bacana que passava.

Dei adeus a Andaluzia e comecei minha longa viagem de volta para o norte da Espanha, com uma paradinha estratégica em Madri, para pegar o ônibus de volta para Logroño. É sempre bom rever o parque Del Retiro.

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