Enquanto o céu não desentope…

17 10 2008

Ok, é primaveira, uma estação de transição, com dias mais frios e outros mais quentes. Essa parte eu já entendi, mas fazer 34ºC numa tarde e ter ventos cortantes e escandalosos – que fariam inveja a qualquer equipe de efeitos sonoros –  numa noite, com alguns míseros pingos de água, já é um pouco demais,não? Tem momentos em que eu acho que as nuvens ressecaram ou só estão lá da mesma forma que estão no final do Show de Truman: pura cenografia.

Ontem, ao sair de casa para ir ao trabalho, esqueci meus óculos de grau. Sou míope. Nada que ultrapasse o 1 grau, mas já faz uma bela diferença. Saí do trabalho e fui pegar alguns documentos na faculdade. Percebi como fico (mais) distraída quando não enxergo direito. Para mim, todos os postes de luz e semáfaros estavam emabaçados, a imagem não pode ser outra: Janela da Alma e Ensaio sobre a cegueira. Fiquei “escrevendo” crônicas mentais na minha cabeça por causa disso. E percebi duas coisas:

1. Se a tecnologia avançar ao ponto de podermos “rascunhar” textos mentais enquanto andamos e depois salvá-los no nosso pendrive (acoplado como se fosse um fone de ouvido), minha vida seria BEM mais feliz.

2. Se isso realmente acontecesse, eu seria um incrível alvo de assalto. A distração em pessoa.

O que alegrou a minha caminhada do trabalho até a faculdade foi um certo rapaz, que acredito que estava com fones de ouvido – só acredito, não consegui enxergar -, ouvindo uma músiquinha bem pra cima, daquelas que deixa a gente com uma sensação bacana no estômago,sabe? Tipo essa nova da Marisa Monte, que só consigo achar no Youtube (Alguém tem em MP3?). Enfim, o rapaz ao pular uma divisão – leia-se valeta – na calçada, resolveu dar um saltito, uma volta no próprio eixo e depois continuou, tranqüilamente, seu caminho. Fiquei rindo sozinha, eu ali na Consolação, míope de tudo. Me pergunto o que ele ouvia.

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