Deserto do Siloli – Uyuni – parte 1

19 11 2012

Turistas no cemitério de trens

Pacote fechado, agora era a hora de entrar no 4×4 e começar a aventura. Foram três carros, só com brasileiros. No carro em que estava, além das duas brasileiras de São Paulo que conheci na manhã, foram mais três amigos de Minas Gerais. Povo bem-humorado e animado. A viagem prometia! Nosso motorista e guia, no entanto, era do time dos tímidos. Falava pouco, mas era simpático.

A primeira parada foi no Cemitério de Trens, um ferro-velho de maquinários ferroviários a 1 km da cidade. Parece uma bobagem (e pode até ser), mas é muito interessante ver aqueles vagões enferrujados no meio do deserto. Com a certeza de ter minha vacina de tétano em dia, subi em alguns dos vagões, junto com os outros tantos turistas, nessa espécie de parque de diversões do deserto. Sem dúvida, curioso.

Por dentro do vagão

Subi no vagão e tudo

Logo depois, paramos em um pequeno povoado chamado Colchani, onde há algumas casas construídas com sal e se pode comprar alguns artesanatos. Estávamos loucos para saber mais sobre como as pessoas moram em casas de sal (!?), mas nosso guia não era dos mais comunicativos, realmente. O jeito era perguntar para os moradores mesmo.

Leia o resto deste post »





A chegada em Uyuni

19 11 2012

Na viagem de ônibus entre La Paz e Uyuni, cerca de 10 horas, dormi muito pouco, como previsto. A maior parte foi quando saímos de La Paz, onde a estrada era um pouco melhor. Ao se aproximar da região mais desértica, esqueça do asfalto, boas estradas ou sinalização eficiente. Para passar o tempo, tentava tirar algumas fotos, mas ainda era de madrugada e a única luz que havia era de um ou outro poste no meio do caminho ou de casas na beira da estrada, o que não dava para quase nada. Mesmo assim, o pouco que dava para ver, já se mostrava bem bonito. A paisagem, completamente diferente da nossa realidade, me impressionou bastante.

O único porém era realmente o balancê do bumba. Para completar, de tempos em tempos, algum motorista que vinha no sentido oposto metia a mão na buzina. E tudo que eu pensava era se o motorista estava acordado (na verdade, eram dois motoristas que iam conosco, para se revezar).

Por volta das três e pouco da manhã, paramos em um boteco/restaurante bem pequeno no meio do nada. Era a parada do xixi. Mesmo que você não estivesse com muita vontade, era prudente ir (e como o banheiro do ônibus não era lá aquela maravilha, achei melhor encarar). Não sei dizer quão frio estava, mas posso garantir: estava frio pra caramba (!). O banheiro ficava nos fundos desse pequeno restaurante. Havia algumas pessoas comendo e bebendo nas poucas mesas do lugar e uma TV ligada. Por sorte havia porta e tranca nos banheiros, mas papel, logicamente, não tinha. Por isso, lembre-se do item mais importante de uma viagem como essa: papel higiênico. Leve-o para todo e qualquer lugar que for.

A caminho de Uyuni

O pit stop do xixi foi rápido e, como ainda tínhamos bastante chão pela frente, o motorista que esperava do lado de fora do lugar, apagou seu cigarro e a viagem continuou. Com o dia quase amanhecendo, o cenário ficava cada vez mais bonito e, se pudesse, pedia para pararmos alguns instantes para fotografar. Como não era o caso, o jeito foi tirar fotos de dentro do ônibus mesmo.

Para o Uyuni, não havia reservado nenhum hostel antes. Vi algumas opções no guia e pensei em chegar e conferir a hospedagem lá mesmo. Como a minha ideia inicial era apenas fazer o passeio de um dia, passaria pouquíssimo tempo no hostel: chegaria, conheceria a cidade, dormiria e, logo no outro dia, faria o passeio para o salar e já voltaria para La Paz. Mas acabei percebendo que não havia muito que ver na cidade de Uyuni – ela realmente funciona como o ponto de partida e chegada para os passeios no deserto.

Bom, meus planos mudaram assim que desci do ônibus. Eram sete da manhã e em Uyuni não havia rodoviária. Na cidade de 11 mil habitantes, todos os ônibus que chegam, estacionam na esquina da avenida Arce com a calle Cabrera, onde está a maioria das agências de turismo. Ao descer do ônibus para pegar as mochilas, fomos abordados por várias pessoas que ofereciam pacotes para visitar o salar e todo o entorno, entregaram prospectos e já queriam fechar negócio. Tudo que eu pensava em fazer era tomar um café e comer algo, com calma, para depois decidir. Vi que essa não era a opção do momento e comecei a pensar como iria escolher. Ouvi duas meninas falando em português sobre que pacote fechar. Perguntei se eram brasileiras e acabamos combinando de fazer o passeio juntas (normalmente, são necessárias 4 ou 5 pessoas para fechar um carro com guia). Elas queriam fazer o passeio de 2 ou 3 dias, e decidi ver quais eram as opções.

Fomos para o escritório de uma senhora que era bem convincente e falou de seus bons preços. Eu ainda queria ver outra agência, indicada pelo guia, já que não dava para saber se estávamos fechando um bom negócio mesmo. Conversa vai, conversa vem, combinei que iria ver outra agência enquanto as brasileiras esperavam mais dois amigos chegarem a Uyuni e, assim, poderíamos fechar o pacote todos juntos.

Perguntando para algumas pessoas, acabei encontrando outras agências até chegar no escritório daquela que queria, a Colque Tours. Já havia conseguido um preço bem melhor do que o da primeira senhora , mas queria ver com essa empresa quanto ainda dava para conseguir. Não é como se eles fossem a melhor empresa de Uyuni, mas era a referência que tinha, além das brasileiras também já terem ouvido falar dela, então me pareceu a mais segura.

O dono era simpático e já tinha fechado dois carros com brasileiros (detalhe: mesmo grupo que havia conhecido em Cusco), faltava apenas um, que sairia em menos de uma hora. O preço dele, 700 bolivianos (cerca de R$200) para o passeio de 3 dias, estava um pouco mais alto que a minha segunda opção, mas senti que ali era melhor. Na negociação, eles falam de tudo: quão bons são os motoristas, quão novo é o carro 4×4 que vamos (é o único tipo de carro que faz esses passeios), quão bons são os alojamentos da 1ª e 2ª noites no deserto, como teremos banhos quentes na 1ª noite (entenda que esse é um item de luxo e duvide de quem oferecer o serviço para as duas noites, sem nenhuma taxa extra), quão gostosas serão as refeições (com direito a coca-cola), etc.

Enfim, voltei e mostrei as opções para as meninas, e acabamos decidindo fechar com a Colque. O ônibus dos amigos delas ainda não havia chegado, então elas deixaram um bilhete para eles com a primeira senhora, explicando que já havíamos ido, mas nos encontraríamos provavelmente nos próximos dias. (Só um PS, a senhora era a maior pistoleira e ao encontrar os meninos, passou um preço mais alto para eles, disse algumas mentiras, entre outras cositas, que não merecem ser reproduzidas). Tem que ficar de olho bem aberto, sempre.

Bom, resumindo a história, nosso cronograma para os próximos dias ficou assim:

1º dia: Cemitério de Trens e Salar de Uyuni (sem a Isla del Pescado, que nessa época do ano, fica inacessível por causa das chuvas).

2º dia: Passeio pelo Deserto do Siloli, Vale das Rochas, visita a algumas lagunas (Cañapa, Hedionda, Colorada) e Árvore de Pedra.

3º dia: Geiser Sol de Mañana, Termas de Polques e mais algumas lagunas (Verde e Blanca).





Os últimos dias em Cusco e a volta para a Bolívia

12 11 2012

Após os incríveis dias em Machu Picchu, estava de volta a Cusco. Eu ainda teria mais dois dias antes de voltar para La Paz e viajar rumo ao deserto do Uyuni.

Aproveitei para explorar um pouquinho mais a cidade, e no meio das andanças pelo centrinho, encontrei os brasileiros com quem havia viajado para MP. Eles conheciam um pequeno restaurante ao lado da catedral e lá fomos. Provei o ceviche como primeiro prato e a carne de alpaca como segundo.

Ceviche em Cusco

Ainda teve uma repentina apresentação ao vivo de três músicos que passavam pela rua. Dois deles eram argentinos e o outro, peruano. Tinham acabado de formar um trio. Assista a um trechinho da apresentação aqui.

Rua da cidade de Cusco

Me despedi dos brasileiros e continuei minha última voltinha pela cidade – ainda tinha algumas atrações do boleto turístico para gastar. Fui ao monumento ao inca Pachakuteq, grande governante e responsável pela expansão inca. O prédio é interessante e, do alto, pode-se ver Cusco de um ângulo privilegiado.

Monumento a Pachakuteq

Foto de dentro do monumento a Pachakuteq

Pela noite, encontrei com os brasileiros novamente e fomos jantar em outro restaurante, perto da Plaza de Armas. Dessa vez, a pedida foi uma massa, que estava bem gostosa. Esperamos a chuva passar para olhar algumas lojinhas e tirar fotos na praça, que fica ainda mais bonita à noite.

Camisetas divertidas

Plaza das Armas com Catedral, ao fundo

Arcos no entorno da Plaza das Armas

Último dia na cidade: descobri um restaurante indiano barato, que com 15 soles, comia-se à vontade. O lugar se chamava Maikhana e, para mim, a comida não foi das mais gostosas, mas a dona era simpática, o lugar era limpinho e a mesa posicionada no balcão, um charme só. (nota: uma amiga almoçou lá outro dia e amou! Talvez eu não tenha dado sorte). No dia, 15 de janeiro, comprei o jornal para entender que raios havia acontecido com um cruzeiro italiano que encalhou, descobri o incidente com o Costa Concordia, e fiquei fazendo hora até chegar a noite.

Detalhe do balcão do Maikhana

Durante a tarde, havia pesquisado algumas empresas de ônibus que faziam o trajeto Cusco-La Paz, e acabei optando por uma que tinha um bom preço, a Transportes Litoral Miramar. Pedi para o rapaz me escrever no flyer da empresa quanto sairia a viagem, só para deixar registrado. E assim ele anotou: 85 soles (guarde essa informação para algo que conto a seguir).

Em Cusco, você encontrará muitas pessoas na praça ou em pequenas lojinhas de viagem que oferecerão passagens. Há essa opção de comprar antecipado e “mais garantido”, como dizem, ou comprar na hora, na rodoviária. Optei por chegar mais cedo na rodoviária e comprar lá mesmo; fiquei encanada com a possibilidade de ter alguma porcentagem e ter algum prejuízo, apesar deles me garantirem que o preço era o mesmo. Leia o resto deste post »





Para conhecer Machu Picchu – parte 2

30 07 2012

A famosa Machu Picchu

O nosso simpático guia nos levou até um ponto, onde ele disse ser o mais famoso para as “fotos de facebook”. Todas as fotos que vemos espalhadas pela internet e afins, são feitas ali. O único problema era que não víamos nada da paisagem. A neblina ainda estava forte e não conseguíamos nem saber em que direção estava a famosa Huayna Picchu.

O complexo de Machu Picchu está a 2.450 metros de altitude e apesar de já ser conhecido pela população quéchua da região andina, foi “descoberto” para o resto do mundo em julho de 1911, quando o historiador americano Hiram Bingham, guiado por um garoto quéchua, encontrou o lugar. As ruínas estavam cobertas por vegetação e foi necessário um bom tempo para limpar toda a área e começar o seu mapeamento.

Detalhes da cidade inca

A “vieja montaña”, tradução das palavras quéchuas para Machu Picchu, é uma cidade inacabada. Sua construção teve que ser interrompida, em função de uma provável invasão que impossibilitou o término da cidade. Se pararmos para pensar que o que vemos hoje é apenas uma cidade incompleta, só podemos imaginar como eram as impressionantes construções finalizadas, como a própria cidade de Cusco, considerada a capital Inca da época.

Machu Picchu está dividida em duas partes: a região agrícola e a urbana. E como em outros sítios arqueológicos, podemos conferir a incrível organização e o cuidado com o solo e arquitetura com as pedras. Encaixes perfeitos formam casas, praças e santuários – como o Templo do Sol, bem ao centro. As três janelas também merecem destaque por representarem três dos símbolos caros à cultura inca: o condor (habilidade), o puma (força) e a serpente (inteligência). Essa mesma simbologia pode ser vista na própria cidade de MP: o puma seria Huayna Picchu; o condor seria a pequena montanha ao lado e a serpente, o contorno do rio Urubamba, que passa logo abaixo. Toda a história e a simbologia envolvidas em torno do parque podem – e devem – ser mais aprofundadas em futuras pesquisas e, quem sabe, novas visitas ao local. Ah, e não faça o tour sem um guia, pois o passeio perde a metade da importância.

Guia durante o passeio

Todo o grupo reunido

Com o guia, percorremos quase todos os caminhos de MP. Havia muita gente também no local, o que acabava tumultuando alguns dos pontos, já que havia outros guias falando ao mesmo tempo. Mas tudo isso faz parte, nem se estresse.

Havia chegado a hora de subir Huayna Picchu. Eu ainda estava um pouco na dúvida se daria conta, mas depois de ser convencida pelos outros que iam também, e pelo próprio guia, que disse ser um trajeto tranquilo, decidi encarar mais essa. E olha que eu não me perdoaria se tivesse deixado essa oportunidade escapar, pois a vista lá de cima compensou tudo!

Momentos antes de subir

De acordo com o guia, os incas que ali viviam, subiam Huayna Picchu para passar algum tempo longe da civilização com o objetivo de meditar e buscar iluminação espiritual. Os cerca de 200 metros são subidos com certa dificuldade por aqueles mais sedentários que vivem longe dos Andes (tipo, eu). A altitude, novamente, é sentida com o menor dos esforços – Huayna Picchu está a 2.667 metros de altura. Mas como eu já estava preparada – levei meu saquinho com folhas de coca para mascar no caminho – não foi nada muito absurdo. Com algumas paradas estratégicas para tomar fôlego, consegui completar o caminho sem grandes problemas.

Logo no começo da trilha, o primeiro susto: a equipe médica local trazia uma pessoa em uma maca. Pronto, o primeiro pensamento foi “quem morreu?”, nos perguntávamos num misto de humor negro e real preocupação. Felizmente, a turista havia “apenas” escorregado e batido a cabeça, e estava bem. Fiquei com pena dos dois homens que levavam a maca, pois se subir aquela montanha sozinho já é um esforço, imagina nessa situação?

Perguntei para a médica da equipe se ela ia voltar, pois talvez precisássemos dela, mas ela apenas riu e desconversou – e olha que eu não estava brincando(!).

Turista sendo levada na maca

Subi junto com dois brasileiros e um alemão, todos de nosso grupo inicial. Eles iam na frente e eu, a passos lentos, fazia o meu tempo. Todos os degraus são esculpidos na pedra, alguns curtos, outros bastante altos. Uma corda de aço foi colocada no caminho para servir de corrimão, o que ajuda bastante em vários momentos. Somente em algumas partes não há essa ajudinha extra – daí o esquema é contar com os joelhos mesmo.

Trajetos da trilha

Sempre que via um casal de idosos descendo, perguntava se o topo estava próximo, e eles diziam que sim! Daí que me animava mesmo. Levei por volta de uma hora para chegar até ao cume. O tempo, em média, é esse mesmo, entre 45 minutos e uma hora e meia.

Havia levado um sandubinha e mais algumas bolachas para comer lá em cima. Foi um piquenique nas alturas, minha gente. Coisa fina. Tiramos muitas fotos e apreciamos aquela paisagem incrível. A cidade de Machu Picchu lá embaixo e a imagem dos turistas como formigas em um formigueiro, parecia surreal. As montanhas por todos os lados, mostravam um vale de beleza e paz únicas. De fato, deve haver algo de energético com essas montanhas. A minha vontade foi fazer como os quéchuas da época e passar algum tempo lá em cima para aproveitar mais do lugar. O amanhecer ali deve ser algo de outro mundo. Quem sabe numa próxima, não me empolgo e faço também a tal trilha inca?

No topo!

Vista impressionante

Para os mais animados, lá em Huayna Picchu, ainda há uma trilha extra para o Templo da Lua, o que leva mais alguns minutos e esforço, que decidi não encarar para, de novo, não acabar com o joelho. Ainda tinha a volta para fazer e não estava a fim de descer de maca. Há quem diz que não há nada de mais nesse templo, mas se você estiver com tempo e disposição, por que não?

A descida foi também tranquila – só é importante prestar mais atenção para não relaxar de uma vez, pensando que “a descida é fácil” e acabar se machucando. Saí de Huayna Picchu com o espírito renovado e feliz da vida por ter feito essa trilha.

Já no “térreo”, voltamos para alguns dos pontos já visitados anteriormente com o guia, só para aproveitar mais um pouco do lugar e tirar as últimas fotos. Simplesmente, um passeio inesquecível!

Ah, ainda estávamos com sorte: Machu Picchu estava no ano do centenário de seu descobrimento e, por isso, podíamos carimbar nossos passaportes com o selo comemorativo. DEMAIS! Passeio concluído com mais sucesso, impossível. Por volta das três horas da tarde, voltamos para o hostel. Tomamos um banho e fizemos uma horinha no restaurante do hostel, com uma porção de “choclo con queso” até dar sete da noite, quando partia o trem para Ollantaytambo.

Por volta das nove da noite, chegamos ao povoado e tentamos achar o motorista do ônibus, que nos levaria de volta ao hostel em Cusco. Momento de confusão pura: muitos e muitos guias e motoristas. Eles levavam plaquinhas com nossos nomes. Na plaquinha, eu era a Camila Lourenço. Levou quase meia hora para acharmos todos os nomes e subirmos no ônibus. De novo, o transtorno faz parte, minha gente. Abraça a aventura e vai.

Em pouco menos de duas horas, estávamos de volta a Cusco. Cansados, mas com muita história para contar.

Última foto antes de ir, feliz da vida!





Para conhecer Machu Picchu – parte 1

17 06 2012

Depois da noite anterior, na qual tivemos mais informações de como seria o passeio, o dia 11 de janeiro começou promissor. Logo às nove da manhã o grupo que iria para Ollantaytambo se reuniu na recepção do hostel Loki, em Cusco, e pegou o carro, uma espécie de van pequena, em direção ao povoado de onde sai o trem para Aguas Calientes.

Duas horas de viagem depois, já de conversa com os outros brasileiros do grupo – entre um tapa de fusca azul e outro – chegamos ao local onde eu já havia estado alguns dias antes. Em Ollantaytambo, há um dos sítios arqueológicos do Valle Sagrado e é passeio certo, quando você está em Cusco (leia mais aqui).

Vista de Ollantaytambo

Nós tínhamos cerca de duas horas até pegarmos o trem que nos levaria até Aguas Calientes, última parada antes de Machu Picchu. O jeito era, então, conhecer um pouco mais da cidade, que é bem pequena e basta uma hora para rodá-la. O pessoal do hostel havia comentado que poderíamos subir um pequeno monte, cerca de 20 minutos, onde a vista era muito bonita. Fomos então, nós, os brasileiros, mais um alemão que estava no grupo, para ver Ollantaytambo de cima. Eu já parei no meio do caminho, o joelho ainda estava ruim e queria guardar forças para MP. Esperei o pessoal voltar e fomos almoçar.

Almoço em Ollantaytambo antes do trem

Macarronada tradicional

O restaurante era bem familiar e a comida uma delícia! Pedi uma macarronada que há tempos não comia, acompanhada de uma tradicional cerveja Cusqueña. Nos apressamos para ir em direção à estação de trem – algo em torno de 10 minutos andando.


Com os bilhetes já comprados, fomos logo nos acomodando no trem – coisa finíssima. Comparado ao contexto latino-americano, ele é caro e para isso te dá uma impressão que está indo a algum país europeu (para o trajeto de ida e volta, o valor saiu por cerca 80 dólares). Não sei se precisava de tudo isso, mas enfim, querendo ou não é a única maneira de ir até Aguas Calientes. (Até há formas mais alternativas, como descobri depois, mas é BEM mais complicado).

Mapa dentro do trem Peru Rail

Peru Trail a caminho de Aguas Calientes

Fiquei toda animada com o serviço de bordo servindo café, mas a decepção veio logo depois com a bebida era fraca e morna. Delícia! Decidi ficar só nas fotos mesmo. A vista é incrível, passamos ao lado de rios e plantações de milho, entre outras. O passeio dura cerca de 1h45. Como combinado com o hostel de Cusco, uma pessoa estaria nos esperando na estação para nos levar até o hostel, a hospedaje Jairito. Tudo nos conformes!

Hospedaje Jairito

A hospedagem era bem simples, com um restaurante embaixo. Dividimos os quartos entre homens e mulheres e fomos explorar a pequeniníssima Aguas Calientes. O povoado se resume em subidas e descidas cercadas por hostels, hotéis, restaurantes, pequenos comércios e bares. Mais turístico impossível. Alguém comentou dos banhos termais, que como diz o nome do povoado, havia ali algo de águas quentes. Não me lembro quanto paguei, se foram 10 ou 15 soles, só sei que não valeu a pena. Os banhos são em pequenas piscinas, com uma água que cheira um pouco mal. Acabei nem me empolgando para entrar, então logo voltei para o “centrinho”.

Banhos Termais

A noite veio e ficamos ali no restaurante, entre uma porção de choclo com queijo e outra de pão com alho, até finalizar com uma pizza no forno à lenha da Hospedaje Jairito. Foi bem bacana! (Ah, para passar o dia em Machu Picchu, lembre de comprar todas as comidas e bebidas que precisa em Cusco, pois ali a inflação turística é impressionante. Acabei comprando alguns lanchinhos por ali, e me ferrei, além de ter pago a água mais cara da viagem – pechincha não existe em Aguas Calientes).

Por volta das oito da noite, chegou o guia que iria nos acompanhar no dia seguinte por Machu Picchu. Ele era bem baixinho e aparentemente sério, mas logo soltou algumas frases em português e se mostrou um cara muito bacana. Ele era recém-formado em Turismo, e adorava o “trampo” dele, como dizia. O tour com ele duraria cerca de duas horas, depois estaríamos livres para rodar por lá, até o horário de voltar. Quem tivesse pago a entrada para subir a Huayna Picchu (meu caso), também poderia subir depois do tour.

Hotéis e restaurantes

Para você que vai para Machu Picchu sozinho, sem uma agência, lembre-se de comprar a entrada para o parque de Machu Picchu com antecedência, pois na hora pode não haver. E caso queria subir a Huayna Picchu, também tem que comprar antes (US$9). Antigamente, era só chegar cedo e ficar na fila para subir nos dois horários disponíveis por dia, mas hoje você deve pagar antes. Só para constar, todo o passeio com a agência do hostel Loki, de Cusco, saiu por US$195, um valor bem OK, para quem não quer se perder ou ter dor de cabeça para buscar os transportes e as hospedagens por conta.

Praça de Aguas Calientes

Fui dormir super ansiosa. Imagine só, depois de tanto planejamento, tantas possibilidades, tantas fotos já vistas e leituras em blogs e guias, eu finalmente ia ficar cara a cara com Machu Picchu! Quase não dormi direito. Bom, na verdade, não dormi mesmo, tive cólica no meio da noite, meu joelho ainda dava umas fisgadas e ainda de madrugada, ouvi um barulho forte de chuva. Pronto, a única oportunidade de ver uma das novas maravilhas do mundo, e essa era a situação.

Rezei para os meus santos e para todos os deuses incas que havia conhecido nos últimos dias – eu estava apelando geral. Acordamos cedinho, às seis da manhã. Peguei um remédio para cólica com a outra brasileira da viagem (a minha farmacinha havia ficado em Cusco), passei mais cataflan no meu joelho e enfaixei. Ainda chovia, mas era uma garoa mais fina. O dono da pousada garantiu que quando chegássemos lá em MP, o dia já estaria melhor. Nós, por precaução, já compramos uma das capas de chuva que ele vendia por ali mesmo. Tomamos o café da manhã e logo estávamos na fila para o ônibus que vai até a entrada do parque. São mais U$9 na ida e US$9 na volta para o ônibus (você pode ir a pé e não pagar nada, ok?). O caminho é uma rápida serrinha em zigue-zague, que leva meia-hora. A neblina estava forte e a garoa, diminuindo.

Pronto. Ali estava eu, na entrada do parque, quase não acreditando. Esse era um dos pontos altos da viagem e eu estava muito feliz. Encontramos nosso guia, com sua bandeirinha roxa – “mas não igual àquela dos gays da Paulista, lá de São Paulo”, dizia ele, na brincadeira.

“Vamos começar?”. E assim entramos no Santuário Histórico de Machu Picchu.





Exposição Jazz nos Fundos

24 04 2012

Amigos,

Gostaria de convidá-los para conferir algumas fotos minhas expostas no bar Jazz nos Fundos (Rua João Moura, 1076 – Vila Madalena). São fotografias que tirei na Bolívia, lugar que estive no começo do ano, como vocês podem conferir em alguns posts passados e alguns, futuros!

O tema da exposição é “fotos de viagem” e não poderia caber melhor, não é mesmo? Também estarão expostas as fotos de Gabriel Bianchini, Sándor Kiss e Ilan Schleif.

Espero que todos possam ir e prestigiar! A exposição começou em abril e vai até o comecinho de maio.

Para quem não conhece, o Jazz nos Fundos é um ótimo bar, com ambiente aconchegante e música ao vivo de qualidade! Quando você chegar no endereço e der de cara com um estacionamento, fique tranquilo: é ali mesmo….nos fundos!

Abraços!

Camila





Cusco, umbigo do mundo – parte 2

19 04 2012

11/jan

O que mais você vai encontrar em Cusco são agências de turismo oferecendo transporte para os sítios arqueológicos do Valle Sagrado. Os agentes de turismo – homens e mulheres de diversas idades – ficam na praça principal da cidade (Plaza de Armas) abordando todo e qualquer turista para oferecer pacotes de um dia, uma tarde e – claro – o passeio mais procurado por todos: Machu Picchu.

Se você não tiver uma indicação, não tem muito segredo: vá perguntando e tente achar o melhor preço e qualidade, na medida do possível. Eu escolhi um lugar pequeno que fica ao lado da catedral, se chama Ñustas Del Inka. O vendedor me pareceu confiável e o preço estava bom. O passeio foi para os sítios de Pisaq, Ollantaytambo, Chinchero, com uma parada em uma feira de artesanato e o almoço em Urubamba. Tudo me saiu por 50 soles (25 do transporte + 25 do almoço). Partimos às 9h e voltamos às 19h.

Foi um passeio bacana, mas o guia não era nada espetacular. A impressão que deu era que ele ligava o piloto automático e ia falando sem parar sobre os Incas, as ruínas, o glorioso império e tudo mais, mas sem emoção nenhuma. Ok, essa é a rotina dele e sabe-se lá quantas vezes ele faz isso por semana. Até que é compreensível. Tirando o fator guia desmotivado e o almoço, que é a maior enganação – se puder, não pague adiantado, mesmo que o agente diga que na hora é mais caro, porque primeiro: não é mais caro e segundo: você pode tentar comprar algo melhor ao lado do lugar que vocês pararem para comer. Fica a dica.

Enfim, pegadinhas latinoamericanas a parte, acredito que a sensação de ver um sítio arqueológico Inca pela primeira vez é incrível. Apesar de já ter lido e visto algumas fotos, poder ver aquelas moradias, desenhos e funcionalidades agrícolas é realmente impressionante. Eu fiquei toda boba quando cheguei Pisaq (30km de Cusco). O dia estava lindo, quase sem nuvens, o que deixou o cenário ainda mais bonito.

Depois do almoço, a parada seguinte foi Ollantaytambo (97km de Cusco). Muitos turistas, já desembarcam ali mesmo e continuam seu caminho a Machu Picchu, já que é nessa cidade que você pega o trem para Aguas Calientes. O sítio de Ollantaytambo é também muito impressionante, principalmente pela inclinação – a quantidade de degraus que temos que subir é impressionante – e pelos templos feitos de pedras maciças que pesam toneladas e que vieram de montanhas próximas. Do alto, além do ventinho-maravilha, é possível ver na montanha à frente, o perfil de um Deus Inca esculpido na pedra. É lindo e um pouco difícil de acreditar que foi feito pelo homem. Muitas casas da cidade são da época do Império Inca e hoje são seus descendentes que moram ali. Demais, né?

Voltamos para a van que nos transportava, rumo a última parada do dia Chinchero (28km de Cusco), onde a grande atração é uma Igreja Católica construída sobre um templo Inca. Ali, também há uma parada estratégica para os turistas, na qual mulheres vestidas com roupas típicas peruanas – dentro de uma grande tenda que vende de tudo um pouco – demonstram como são feitas as malhas de lã de alpaca. Todo o processo: lavar, ferver, colorir e tecer. Aqui, de novo, elas ligam o piloto automático, o texto decorado, e é isso. Depois, todos podem ficar à vontade para comprar. Gostei menos dessa parte.

Em Chinchero, o por-do-Sol estava maravilhoso! O friozinho da altitude e aquele cenário encerraram bem o passeio, junto com uma porção de choclo bem quentinho. O milho branco e “gigante” é tradicional do Valle Sagrado e é uma delícia.

Começamos a voltar para Cusco. Na van, um músico local nos acompanhou cantando e tocando flauta + bumbo durante todo o trajeto. Difícil. Mas ele estava ali, honestamente, tentando viver de música…antes assim.

Já no hostel, a agência de turismo marcou um encontro com todos que iam para Machu Picchu no dia seguinte. Era mais para saber como iria funcionar o passeio, entregar nossos bilhetes de trem, entrada ao parque, essas coisas. Por coincidência, no grupo de seis pessoas, todos ali eram brasileiros, com exceção de um alemão.

O itinerário foi o seguinte:

Dia 1

9h – Todos na recepção para pegar o carro que nos levaria a Ollantaytambo.

11h – Chegada em Ollantaytambo.

13h – Trem de Ollantaytambo com destino a Aguas Calientes.

19h30 – Encontro com o guia no hostel para explicar o dia seguinte no parque. Dormir em Aguas Calientes.

Dia 2

6h – Partir para Machu Picchu. O ônibus leva 30 min até o parque. Passar o dia todo ali.

15h – Volta para o hostel em Aguas Calientes.

19h – Trem de Aguas Calientes para Ollantaytambo

20h45 – Chegada em Ollantaytambo. Ônibus nos leva de volta a Cusco

23h – Chegada em Cusco.

 

No próximo post , conto como foi! Até lá!