Sir Paul no Brasil. Eu vi!

3 12 2010

A gastrite da semana inteira, acompanhada de uma inesperada e repentina gripe, parecia que iria estragar com um dos shows que mais esperei nos últimos anos. Não foi bem assim, mas emoções não faltaram. Fui na segunda-feira, já que tinha perdido a venda relâmpago para o domingo, dia 21 de novembro.

Comprei junto com dois amigos que moram em Campinas e, no dia, como eu estava com os ingressos, esperei por eles na entrada do estádio. Minha família também foi, mas eles entraram antes, já reservando um bom lugar na pista. Com a chuva que caía, o trânsito não estava dos melhores, então, fiquei aguardando algumas boas horas. Tempo para bater papo com o policial, esclarecer dúvidas dos fãs que passavam perto de mim e que sei-lá-porque-motivo me achavam com cara de informação: “Não, com guarda-chuva não pode entrar”, “Essa é a entrada da pista; para a arquibancada, você vai ter que voltar”, “Essa camiseta dos Beatles não está à venda aqui, trouxe de casa”, “Não tô comprando ingressos, obrigada”.

No meio dessa confusão, em algum momento, achei um lugar para sentar ao lado de um rapaz que estava com a pior cara do mundo. Só entendi o motivo depois que alguns policiais vieram perguntar para ele o que havia acontecido.

 Ele tinha vindo de Poá, chegado bem cedo, na cara e na coragem, para comprar ingresso na porta do estádio mesmo. Ouviu que ainda tinham alguns à venda e decidiu arriscar. Foi sozinho. Comprou uma entrada para a pista, 400 reais na mão do cambista. Final da história? O ingresso era falso e ele não pôde entrar. De cortar o coração, de verdade. Imagina? Você vem de longe, paga a mais do que estava estipulado pela entrada e ainda por cima é barrado ali, na cara do Paul? E pior que não tinha nem o que falar para consolá-lo. Ele só tentava não pensar que tinha jogado 400 reais no lixo. Ódio aos cambistas do mal.

Passado isso, encontrei meus amigos e entramos e logo depois, nos juntamos ao resto da minha família. O show começou com Magical Mistery Tour, assim logo de cara, enganando todo mundo que pensou que o Paul ia seguir o set list tocado nas apresentações anteriores. Uma ótima surpresa. Depois foi uma mescla de Wings com Beatles. Sing the Changes, Eleanor Rigby, My Love, All My Loving, Here Today, Black Bird, Band on the run, Paperback Writer, Live and Let Die. Eu pulei e gritei bastante, foi muito especial.

Claro que eu poderia ser mais alta para poder enxergar melhor, e claro que as pessoas que ainda estavam de capas de chuva poderiam tê-las tirado, diminuindo o mini efeito estufa por ali, já que a chuva tinha parado, mas enfim. Isso acaba sendo irrelevante, quando você pára e pensa que está em um show de um beatle. Isso tem que ser escrito e falado em voz alta, porque parece surreal demais.

Eu jamais pensei que estaria em uma apresentação de nenhum deles. Comecei a ouvir Beatles com os discos de vinil que meu pai tinha em casa. Depois vieram os CDs, e a brincadeira era tentar conseguir completar toda a coleção, ter todos os álbuns. Fato que só aconteceu na semana passada, por sinal. Lembro muito bem de um CD que era uma homenagem aos Beatles, cantado por outras pessoas. A capa tinha uma mulher encostada em um carro antigo, com um vestido rosa que continha o rosto dos quatro rapazes de Liverpool. Uma das lembranças mais fortes que tenho, na verdade, é que logo no começo, pensava que os Beatles eram mulheres, porque quando ouvia, por exemplo, Here Comes the Sun, nesse cdzinho de homenagem, a voz era feminina. Portanto, devo ter demorado um pouco para associar a figura dos Beatles a John, Paul, George e Ringo. Vai entender.

Sir Paul foi e voltou duas vezes do palco naquela noite, no Morumbi, tempo para mais algumas músicas de bis. O show de quase três horas teve para todos os gostos. E o que me deixa mais feliz é pensar que muitas das músicas dos Beatles tocadas ali não foram criadas para serem executadas ao vivo, como A Day in the Life e Eleanor Rigby. Então, ter tido a oportunidade de escutá-las com um de seus próprios criadores, é algo a ser guardado para sempre.

Ao sair, todos os fãs ainda entoavam o refrão de Hey Jude. Linda, linda, linda noite.

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