Paris e o recomeço.

7 10 2010

Quando menos me dei conta já tinha saído da Espanha. Ainda no avião, decolando do aeroporto de Barajas, em Madri, olhava para o céu de lá e já pensava como era triste deixar aquele país que tinha me feito tão bem. Entretanto, esse pensamento passou rápido pela minha cabeça que, ao mesmo tempo, tentava se concentrar em manter a calma a bordo. Decolagens e pousos nunca foram o meu forte.

Cheguei a Paris de noite, e me dei conta de onde estava quando consegui ver lá do alto a torre Eiffel, toda iluminada e imponente, mesmo aparentando ser tão pequena. Depois de meses de planejamento, entre inúmeras opções de voos, albergues, bagagens a levar – e a deixar, pisei em solo francês com uma única mochila, que continha toda a minha vida até aquele momento, compactada em 18 quilos bem pesados. Como o meu limite para viajar para outro país era 20 quilos, tudo que comprei a partir daí foram cartões-postais e chaveiros.

Devo dizer que, resumidamente, a ida a Paris foi um pouco decepcionante. Dei um pouco de azar com as pessoas que conheci por lá, que quase nunca foram simpáticas ou demonstraram querer dialogar em inglês – já que o francês não está no meu currículo. Tive alguns problemas sérios para tentar sair do país, mas que não cabe escrever aqui, pois já é algo passado e superado. De qualquer maneira, a dica é: sempre preencha as passagens de avião com o seu último sobrenome. Não interessa se você tem 45 sobrenomes e gosta mais do décimo terceiro. Assine sempre com o último. Nunca se sabe quando seus outros 44 estarão abreviados no passaporte. Dureza, viu? Mas acontece.

De qualquer maneira, vamos falar de algumas das coisas bacanonas. Aproveitei bastante os museus da cidade luz, fui em três: Louvre, Centre Pompidou e d’Orsay. Andei bastante e vi que tem um mundo de obras que não conhecia, mas que pareciam super importantes (!). Paciência. As que eu, de fato, conhecia, foram muito bem aproveitadas e apreciadas.

Por lá andava sempre a pé ou de metrô (se comprasse 10 passes, tinha um desconto). A malha francesa é muito boa. Existe todo um outro universo embaixo da cidade. Os inúmeros cruzamentos e interligações fazem você ter que parar por alguns minutos e pensar em qual é o caminho mais rápido, já que existem muitas possibilidades. Confira o mapa aqui.

Em uma dessas idas e vindas subterrâneas, cheguei ao Elysee Montmartre, casa de shows localizada no “bairro da Amélie Poulain“, no qual pude ver a apresentação do Get Up Kids, uma banda norte-americana. Já tinha comprado o ingresso pelo site da FNAC antes de sair do Brasil, tinha ficado sabendo que eles estariam na cidade e não perdi a oportunidade de ver-los ao vivo.

O show foi bem bacana, eles tocaram todas as músicas que eu esperava ver e mais algumas outras novas. O público era meio sem gracinha, não compartilhava da empolgação dos músicos, mas paciência, eu gostei!

A grande despedida veio com a Fête de la Musique, uma espécie de Virada Cultural musical que acontece todo dia 21 de junho em diferentes lugares da França. Consegui ver algumas atrações, inclusive com músicos brasileiros. E chorei horrores. Não era muito pelo fato de estar fora do Brasil, até porque não estava viajando a tanto tempo assim, mas foi mais por ver como as pessoas respeitam e adoram a nossa música tupiniquim. Foi emocionante. Também, com “Chega de saudade”, queria mais o quê?

Já de madrugada, uma grande surpresa. Uma barulhada de metais e percussão e gritos e sei-lá-mais-o-que apareceu em uma ruela qualquer da cidade. Tempos depois, vim a descobrir que o grupo que empolgou e muito quem estava por ali se chamava Fanfare Texas Couscous. Os caras não paravam de tocar, e até mesmo foram acompanhados por um outro grupo menor, que parou o carro perto e já desceu com os instrumentos para se juntar à festa na rua. Improviso e qualidade musical. Foi ótimo!

Essa foi a despedida de Paris. Depois dela, lá se foi uma semana para conhecer os parentes perdidos do norte da Itália. A viagem não podia acabar de melhor forma.

Daqui para frente.

Foram três meses fora e agora, já se passaram três meses desde o retorno. Só assim mesmo para perceber como o tempo é relativo. A impressão é que fiz centenas de coisas a mais enquanto viajava e que lá o tempo passou voando. Já aqui, a rotina e a vida que segue dão outra sensação.

E para o bem da minha sanidade mental pretendo encerrar por aqui todo esse papo sobre os lugares que conheci e o tempo em que passei fora. A ideia era a de relatar um pouco do que experimentei por lá e de que forma isso me fez ser uma pessoa mais completa – pessoal e profissionalmente – e mais aberta para o mundo. Claro que me serviu também como registro, já que a memória um dia vai embora e é muito interessante reler esse blog/diário.

Escrevi bem menos do que planejava, entretanto fico feliz que tenha sido assim, já que isso comprova que tive muito que fazer “off line”, e pouco tempo restou para organizar as histórias aqui.

O fato é que ter tido essa oportunidade de passar um tempo fora foi muito importante para mim. Fui aberta para o que me esperava e tentei aproveitar ao máximo. Quis andar por todos os cantos; me inserir na rotina da cidade em que morei; dormir o menos que conseguia, comer e beber até dizer chega; falar com todos e todas – seja em que língua fosse, falando bem ou não; ouvir, tocar e cantar músicas; ver filmes; estudar; fotografar; observar tudo e todos e, acima disso, ter os olhos abertos para o diferente. Viajar com olhos e alma de viajante. Isso é uma das coisas que aprendi e que não quero perder tão cedo, seja morando em São Paulo, Pindamonhangaba ou em qualquer outro lugar: é preciso estar aberto e disponível para o que a vida lhe oferece. O resto vem fácil.

Se você tem a vontade de viajar por aí, colocar uma mochila nas costas se jogar nesse mundo de meu Deus, não pense duas vezes. Vá. Mesmo que a chance para que isso aconteça seja mínima. De alguma forma, faça essa chance aumentar e se mande! Vai te fazer toda a diferença – e para melhor, tenha certeza.

Há algumas semanas, meu amigo Pedro, também com alma de viajante, me mostrou esse post do blog de uma brasileira que, atualmente, mora na França. Achei bacana, apesar de um pouco triste, pois fala de uma parte da história que poucos acabam comentando: sobre como conhecemos tantas pessoas super-mega-blaster interessantes, que têm tudo a ver com a gente, mas que logo mais, passados alguns meses, e cada um no seu próprio país, esses contatos se perdem, já que o ponto em comum era, na verdade, aquele momento que todos compartilhavam.

De fato, conheci muita gente, nos mais distintos lugares e situações, e com muitas dessas pessoas não troco nem mais um recado por email ou facebook. Cheguei a ficar muito triste com isso, mas logo entendi que é assim mesmo que as coisas funcionam. E hoje fico satisfeita com aquele um ou outro que ainda realmente converso graças às maravilhas da internet.

Enfim, o que quero dizer é: as coisas têm que terminar em algum momento, e tudo o que é bom, vocês sabem… O que importa são as experiências vividas e de que forma elas vão te fazer uma pessoa melhor daqui pra frente. E é nisso que quero pensar. Um mundo de possibilidades se abriu e há um outro mundo esperando para ser aberto. Não dá para ficar esperando. Bóra?

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One response

14 11 2010
contaecinema

Olá! Adorei seu blog 🙂

Topa uma parceria?

http://www.contaecinema.wordpress.com

Aí você deixa um comentário lá no meu, obrigado :]

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