Madrid.

12 05 2010

Apesar de seus pouco mais de 3 milhões de habitantes, a capital espanhola lembra um pouco São Paulo, no sentido de cidade grande forrada de pessoas de vários lugares. Aqui se ouve inúmeros idiomas diferentes em cada esquina e a impressão que dá é que todo mundo teve a mesma ideia que você e foi passar o final de semana em Madrid.

Chegamos ao hostel Las Musas logo depois da hora do almoço e, particularmente, gostei bastante do lugar. Está em um edificio antigo de três andares logo ao lado do metrô Tirso de Molina; há um espaço para o café da manhã, uma cozinha à disposição, sala com TV, sofás e computadores. A diária nos saiu por 19 euros por pessoa, sendo quarto com banheiro e café da manhã inclusos. Esse é o preço que você vai encontrar por aqui e está bem bacana, levando em conta a localização e a média dos hostels e albergues das outras cidades.

O que mais fizemos por Madrid foi andar, é lógico, apesar do metrô cobrir praticamente toda a cidade, o preço de 1 euro por viagem não compensava, já que estávamos no centro e tudo podia se alcançar com um pouco de boa vontade e paradas estratégicas nas atrações turísticas. Acredito que conseguimos passar por uma grande parte delas, a ver: Museo del Prado, Plaza España, Palácio Real, Gran Vía, Plaza Mayor, Puerta del Sol, Centro de Arte Reina Sofia, Estádio do Real Madrid, Plaza de Toros, Mercado El Rastro, Mercado San Miguel, Parque del Retiro, Estación Puerta de Atocha, Plaza de Cibeles e, claro, El Corte Inglés.

Pela noite, saímos para alguns bares junto com um guía do hostel (um brasileiro, por sinal). Eles fazem um esquema no qual você paga um preço fechado e eles te levam a 3 bares e uma danceteria, tendo direto a 1 bebida em cada lugar. Tudo isso é feito a pé, lógico, e é bem divertido. A quantidade de brasileiros é assustadora, eles estão em todos os lugares! Mas também estão os franceses, portugueses, ingleses, espanhóis, sulcoreanos, colombianos e argentinos e por aí vai.

Alguns pontos para destacar:

1. Puerta del Sol: é a praça da Sé daqui, marca o ponto zero de Madrid, é a partir daqui que são medidas todas as medidas da capital e da Espanha. Há a simpática estátua El Oso y el Madroño, que eu pensava que era maior, mas tudo bem, ela tem seu charme.

2. Palácio Real: Aqui tudo é excessivamente luxuoso e exagerado, como bem deveria ser. Visitamos o que penso ser 1/5 de todo o edificio, porque a visita foi bem mais rápida do que eu esperava. Cada sala tem todas suas paredes decoradas com tapedes, quadros, pinturas e até bordados. Meus cômodos preferidos foram a sala de jantar de gala, com sua mesa sem fim e mais de 60 cadeiras ao redor, e a sala do trono, que tem um lustre do tamanho do meu quarto e algumas pinturas que parecem ser em 3D. Bem impressionante.

2. Centro de Arte Reina Sofia: Muito mais legal que o Museo del Prado, pelo menos para mim. Tirando “As meninas“, do Velazqúez, não me interessei por muitas coisas. Agora, no Reina Sofia, há bastante cubismo e surrealismo, com Picasso, Salvador Dalí e até encontrei um Magritte perdido por lá! Tem bastante material da Guerra Civil Espanhola, desde propaganda polìtica até fotografias incriveis. Com certeza o ponto alto foi ver Guernica ao vivo. Foi bastante emocionante, e pode até parecer bobo, mas quando estava dentro do museu, apesar de saber a direção em que estava o quadro, fiquei dando voltas e vendo outras coisas, só para aumentar a expectativa. É só uma pintura, claro, mas é tão surreal você estudar, a sua vida inteira, a Guernica numa página de caderno da escola ou até mesmo em uma foto na internet, e depois assim, finalmente ver aquele tamanho todo na sua frente. Foi de arrepiar. Fiquei imaginando que a partir daquele dia, sempre que pensar no quadro, não vou ter em mente a cópia impressa em algum livro de história, e sim, vou lembrar de todos aqueles detalhes que estavam ali. É um previlégio ter essa experiência.

Como não podia tirar foto na sala onde estava o quadro, tirei essa de longe mesmo. Até porque as guardiãs da Guernica (duas guardinhas que ficavam uma em cada lado dela) eram bem assustadoras e gritavam sempre que ouviam o menor ruído semelhante a um “sclish”: NO PHOTO!, ¡SIN FOTO¡ E a minha câmera não sabe ser discreta. Mas no pása nada, há momentos nos quais a gente pode ficar sem bater uma foto.

3. Parque del Retiro: Por falar em foto, quando visitamos o parque, pelo sábado, tive a feliz coincidência de poder participar de um concurso que estava acontecendo no dia. Era La Fiesta de la Fotografía, e tudo o que você tinha que fazer era tirar uma foto, de qualquer tema dentro do parque, desde que aparecesse o chapeuzinho do evento. Ele poderia estar em qualquer lugar, em qualquer situação. O prêmio principal? 9 mil euros. Esse pessoal sabe brincar. Enfim, estavamos entre 3 brasileiros e 1 colombiano, mas por algumas horas saí em busca de um bom cenário. Por fim, não deu em nada, mas quem precisa de 9 mil euros, não é verdade? Mesmo assim, saí no lucro: ganhei o chapéu! =) As fotos vencedoras, você encontra aqui.

5. Plaza de Toros, Corrida de Toros: Há quase três semanas, quando finalmente descobri que as touradas eram bem mais do que um cara com roupa engraçada segurando uma capa vermelha e fazendo “olé”, tive a impressão que se eu fosse ver, ao vivo, não iria gostar. Pois bem, vamos por partes.

A tourada é dividida em quatro etapas: 1. El picador (o touro é “picado” com algumas lanças para ficar mais fraco e irritado), 2. Las banderillas (alguns homens chegam bem perto do touro e arremessam umas bandeirinhas com lanças contra o animal, assim elas ficam enganchadas, machucando-o mais um pouco. Deve haver toda uma pontuação para isso, obviamente), 3. Bandoreto/El capote (é a parte que todo mundo conhece, o toureiro se encaminha todo cheio de pose e fica com sua capa vermelha para cima e para baixo), 4. Espada (é o ápice da tourada, quando o toureiro pega uma espada e depois de alguma graça enfia contra o dorso do touro – e enfia MESMO. O animal normalmente não morre de imediato, mas cai e fica ali parado até que venham outros homens que acabam por terminar o serviço). Depois de morto, o touro é amarrado a alguns cavalos (todos vestidos com uma roupa pomposa) e é arrastado para dentro, sumindo dos olhos da multidão, que nessa hora está super empolgada, aplaudindo.

São seis touros e três toureiros em cada evento e a plaza de toros, que é um lugar muito bonito, diga-se de passagem, fica completamente lotado. As pessoas levam algum lanchinho, como sementes de girassol ou sanduìches e ficam lá gritando e torcendo. É cultura, é tradição, tudo bem eu entendo, mas é muito difícil para quem é de fora conseguir se divertir num lugar daqueles.

Cada vez que o touro cai ou é acertado por uma lança, as pessoas riem e aplaudem, e é tudo muito estranho. Algo bastante covarde e humilhante que te faz pensar que talvez você tenha voltado no tempo, onde coisas como essas eram perfeitamente normais. E olha lá que eu nem sou a maior defensora dos animais desse planeta, tá? Sou carnívora, adoro um churrasco e tudo mais, só que isso é bem diferente. São seis animais mortos de maneira degradante em duas horas de “espetáculo”. Nós que pagamos 6 euros, o lugar mais barato, e ficamos láaaaa em cima, nem vimos tantos detalhes; dificil imaginar sentarse mais perto e ver tudo de camarote. Tem que ter estômago. No fim, a gente fica é torcendo para o touro pelo menos acerte o toureiro um pouquinho, o que de fato acabou acontecendo com o último. Um toureiro jovem, de 24 anos, levou uma e ficou deitado lá na arena por alguns segundos. Logo se levantou e saiu mancando um pouco. Já o touro, não teve a mesma sorte. Corrida de toros? Primeira e última vez.

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5 responses

12 05 2010
Karla

To adorando acompanhar sua viagem Camila.
beijo

13 05 2010
Bruna

Não encontrou a Marta???

Coitados dos touros!!!!

Bjs,

17 05 2010
Simone

Ah, Madrid!!
Você consegiu aproveitar bem!! Nossa, fez bastante coisa e conheceu lugares incríveis!!Até participou do concurso de foto. Demais!!
Ótimo passeio!!

Beijos

21 05 2010
Camila Pastorelli

Não encontrei! =( Um desses desencontros da internet…mas tudo bem, haverá proximas, Madrid é uma cidade para voltar!

24 05 2010
Rodrigo Urias

Esotu chocado e indignado com a história das touradas. Eu nem sabia que eles matavam mesmo o touro! Pra mim só ficava aquele cara de roupa apertada dando “olés” no touro com aquela pano. e pronto, super legal! Mas coitado do touro! Que absurdo juriarem do animal assim! Sério, não tem tipo, várias ONGs de defensores dos tourosfazendo propaganda contra na porta?
Fora isso, dá gosto (pra não dizer inveja) de ver como você está aproveitando cada coisa e viajando bastante.
Madrid parece ser demais, e a foto em frente ao Palácio Real ficou muito bacana!
Aproveite muito! E mande notícias sempre!
Beijão!

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