Medicina sem fronteira.

7 11 2009

Trabalho na Amazônia traz experiência profissional e muita saudade de casa para o jovem Filipe, médico recém formado.

Estavam todos lá. A mãe, o pai, a irmã e a namorada. O aeroporto não poderia estar mais completo para Filipe. No dia que embarcava para a Amazônia, com toda esperada ansiedade e correria para arrumar suas coisas, estava feliz e triste ao mesmo tempo. Afinal, ele teve pouco meses entre a formatura na faculdade de medicina, a prova para ingressar na Marinha e a viagem para Manaus.

Era cedo, mas mesmo assim o aeroporto de Congonhas já tinha bastante movimento de pessoas, malas e despedidas. Muitas despedidas. Entre estranhos vindos de tantas partes do país, o aeroporto mantém seu ar frio. Diversos anúncios e avisos, lojas de roupas, de produtos importados ou apenas cafeterias e lanchonetes. Ambiente um pouco impessoal para reunir tantas despedidas. Mas o que faz dele o que é são as pessoas, e para Filipe, elas não poderiam estar em outro lugar.

Aqueles que mais amava estavam ali para que o rapaz pudesse distribuir abraços, lágrimas e saudade entre todos. O pai, Wilson, trazia seus óculos escuros, para quem sabe disfarçar as lágrimas que não hesitaram em cair. Já Marina, não desgrudava da mão do namorado, em uma tentativa de poder aproveitar ao máximo o momento que demoraria a se repetir. Seu rosto inchado entregava que também havia deixado algumas lágrima irem embora.

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Filipe nunca imaginou trabalhar camuflado. A roupa que hoje veste é uma mistura de variados tons de verde, uns mais fortes, outros mais fracos. Nada de roupa social, jaleco branco e sapato. Para ser médico do exército, no meio da floresta amazônica, o pé tem a proteção de uma grossa bota preta e o corpo, a cobertura de um pesado uniforme militar.

O rapaz forte e alto, dos cabelos escuros e curtos, nascido no interior de São Paulo, tem a fala calma, porém cheia de determinação. Com a companhia dos pais, enfrentou os desgastantes seis anos da faculdade de Medicina, em Taubaté, no Vale do Paraíba. Com a conclusão do curso, em 2008, a vida tomou novo rumo. Nunca havia morado sozinho e talvez por isso mesmo, optou pela oportunidade que apareceu de forma um tanto inesperada.

Seu Wilson recebeu a notícia da mudança do filho caçula em uma terça-feira de dezembro, dia dezesseis. Depois de ficar mudo por alguns instantes, disse “Mas como assim Manaus?”. O pai sempre foi muito apegado a Filipe e, a princípio, demorou a aceitar a nova fase da carreira do recém-formado Dr. Alborghetti. “Sou muito emotivo e a gente fica com o coração pequeno, mas tem que dar força para ele. Não é moleza, tem que segurar a onda”, diz.

Até mesmo o filho levou certo tempo para digerir a ideia. Sempre houve o pensamento de bater as asas, sair do conforto da vida em família e adquirir a independência, mas não tinha como prever que seria para tão longe. “Foi complicado, teve muita conversa, tentei passar bastante tempo junto com as pessoas que eu ia deixar logo mais. Eu tinha esse receio, essa preocupação de como seria a vida nova que eu ia começar”, diz Filipe.

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O palmeirense doente aprendeu a lidar com a saudade como pode, entre um telefonema e outro e algumas trocas de emails pela internet, tenta minimizar a distância e a falta que a família e a namorada, Marina, fazem. Mesmo assim, não é a mesma coisa, “esse contato virtual é bem difícil, falta a presença física das pessoas, o contato humano…”, desabafa.

Ao saber da notícia que realmente fora convocado para ir à Amazônia, a primeira ligação do recém-formado médico Filipe foi para o pai. Era dezembro e já fazia bastante calor tanto em São Paulo, onde estava Filipe, como na cidade mineira de Pouso Alegre, lugar onde Wilson trabalha em uma empresa de vidros.

A ligação foi um tanto quanto repentina. Apesar de toda a família Alborghetti já saber da possibilidade de viagem do caçula para um ano de trabalho com a Marinha, o destino ainda não estava definido. E logo para o norte do país, tão longe.

Wilson conta que o caçula desde pequeno já sonhava com a profissão. Tinha até especialização escolhida: queria ser cirurgião. Montava e desmontava os brinquedos que tinha, para assim poder consertá-los, curá-los. Um ensaio do que faria no futuro, mas não mais por brincadeira. “A gente nunca induziu a uma profissão, sempre deixamos à vontade. E ele escolheu essa área, que é de bastante responsabilidade e cuidado”, diz o pai orgulhoso.

A descendência italiana faz com que a família seja bastante unida e queira, sempre que possível, passar um tempo junto. “O importante é não perder o vínculo familiar, isso não tem o que paga”, diz o pai de Filipe.

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O médico de roupa camuflada trabalha com o batalhão dos fuzileiros navais e, entre populações ribeirinhas e indígenas, já pode perceber, nesse pouco mais de seis meses, que a precariedade da realidade da saúde no país não é exagero. “As pessoas não tem energia elétrica, saneamento básico. E por mais que a gente saiba das condições do estado de São Paulo, aqui é pior. Muitas vezes, os pacientes são atendidos ao ar livre, com a luz do dia, pois não temos condições de atender à noite. Quando existe essa opção, é com o uso de velas”, diz.

Filipe aprendeu a trabalhar com as adversidades, como a falta de recursos para conseguir exames e remédios para seus pacientes, e também a confiar na bagagem adquirida durante a faculdade e a recente experiência profissional para atuar em um das mais belas paisagens do mundo. “As pessoas não têm recurso nenhum para conseguir um exame, um remédio.  Você tem que trabalhar com hipóteses, acreditar na sua intuição para tratar e orientar essas pessoas da melhor forma possível”, diz.

Ao final do mês de janeiro de 2010, quando completar um ano de Marinha, Filipe deseja voltar para tentar as concorridas provas de residência em diversos hospitais do país. O rapaz pretende entrar em cirurgia-geral e depois escolher alguma outra especialização que ainda não decidiu.

Até lá, o jovem médico enfrentará mais uma despedida, talvez não tão impactante quanto a primeira, do começo do ano. Mas com toda certeza, ela deixará as marcas de todas as experiências e situações vividas no quente clima amazônico. E como diz o pai, seu Wilson, “Filho é igual a pássaro. Cada um tem que voar e fazer a sua vida”. E assim, Filipe vai fazendo a dele.

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Diário de bordo – TCC represa da Guarapiranga – parte-quase-final (contagem regressiva)

9 10 2009

foto por: Camila Pastorelli

7 outubro de 2009.

Nunca achei que esperar pelo Sol pudesse demorar tanto. Depois de semanas torcendo para que as nuvens nimbus dessem um tempo para o mau tempo, consegui ver o céu azul na última manhã de quarta-feira. A razão? Precisava fotografar as águas da Guarapiranga durante o monitoramento semanal feito pela Sabesp. E para isso, o céu e o reservatório de São Paulo deveriam estar facilmente identificáveis, e não uma espécie de brancura sem fim.
Pois bem, às seis da manhã o céu estava extremamente azul com raios solares radiantes. Nem acreditei, e por isso, tratei logo de me aprontar para a sessão de fotos aquáticas. O sol brilhava tanto que na rádio, a repórter avisava “o motorista que trafega pela marginal Tietê encontra lentidão em função do Sol forte”. Onde já se viu sol ser motivo de trânsito? Essa cidade está perdida mesmo.
Para a minha tristeza, com a mesma intensidade que a manhã ensolarada chegou, ela foi embora, trazendo as nuvens de volta. OK, mas não tinha mais jeito, já estava lá na beirada da barragem, ao norte do reservatório, de câmera em punho e frio pelo todo o resto do corpo e iria completar a minha missão do dia.

“Você trouxe blusa?” – perguntou o simpático funcionário da Sabesp
“Ãhn…não.” – respondi.
“Shii….nem capa de chuva?” – insistiu ele.
“Ãhn….não.” – eu, de novo.
“Uhmmm….vai passar frio, hein?” – ele, tirando um sarro com a minha cara.
“Que isso, eu agüento. Gosto de vento!” – Camila, uma tolinha.
“Hahaha…já vou avisando, lá é bem frio, ainda mais com esse tempo.” – Jorge, mais experiente do que eu.

Jorge, durante a coleta de água.

Jorge, durante a coleta de água.

Achei melhor aceitar a capa de chuva que me arrumaram. Sabe como é, não sou uma explorada da natureza orgulhosa. E foi a melhor decisão que tomei. Tava um tremendo de um vento maravilhoso, que foi muito bem aproveitado com toda a proteção que a cobertura artificial da capa de chuva pode oferecer.
O passeio até que foi rápido, cerca de 40 minutos. Com um pequeno barco a motor, passamos por 5 dos 7 pontos que a Sabesp monitora na represa a cada 3 dias. Nas margens da Guarapiranga se vê de tudo, entre nobres e pobres. Casas com garagem para jet skies e barracos de madeira. Pude aproveitar bastante. Mesmo que não conseguisse boas fotos (algumas se salvaram), só o fato de ter estado lá e poder ter realizado o tour privilegiado, valeu à pena.
Os últimos meses foram difíceis e trabalhosos e ninguém melhor do que eu, sabe como é “viajar” tantas vezes para a Guarapiranga. Trajetos que levavam mais tempo do que as próprias entrevistas feitas. Dias de calor e de chuva. Finais de semana e dias de semana. Não foi fácil. E me lembrei de tudo isso enquanto estava sentada no pequeno barco no meio da água.
O sentimento que fica é que foi um trabalho do caramba, mas não podia ter sido de outra forma. Se fosse, o sentimento de dever cumprido daria lugar ao de decepção, de tempo perdido. Que bom que foi do jeito que foi. Mesmo sem ter finalizado completamente a reportagem e o relatório final (Deus do Céu, nem passei pela banca ainda!) estou feliz.
Tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da cidade em que vivo por apenas quatro anos. Tive oportunidade de entrevistar pessoas muito boas e outras muito ruins. Tive oportunidade de perceber que água, esgoto e moradia são problemas extremamente sérios, mas que são levados pouco a sério. E por fim, tive a oportunidade de sentir o vento e tocar as águas do segundo maior sistema de abastecimento da Grande São Paulo. É uma pena que ele esteja cada dia mais poluído.
O quase-final do temido trabalho de conclusão de curso não poderia ser melhor. Acompanhar a coleta de água da Sabesp me fez lembrar porque escolhi tratar de jornalismo socioambiental e porque falar de natureza é sempre muito gratificante. Fiz o melhor que pude. Pode ter certeza. Agora é só esperar dezembro chegar.

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Viva Coldplay no Brasil.

4 10 2009

Contagem regressiva para março, já que a banda anunciou seus shows no Brasil para os dias 28 de fevereiro, no Rio de Janeiro e 2 de março em São Paulo, no estádio do Morumbi. Os ingressos começam a ser vendidos em novembro. Comecem a fazer suas reservas, porque tudo indica que não serão baratas. Na última passagem da banda pelo país, o preço foi de 150 a 400 reais. Mas vamos combinar que vale à pena, não? Já existe até um site para o evento: www.showcoldplay.com.br

O clipe acima é um do novo cd Viva La Vida e se chama “Strawberry Swing”. Em estilo stop-motion, com fundo de giz, o quase curta-metragem é muitíssimo bem feito pelo coletivo inglês Shynola, que já realizou outros trabalhos com o Queen The Stone Age, Blur e o último, em 2005, com o Beck.

making of do clipe.

making of do clipe.

Aqui você encontra uma entrevista com um dos diretores, Kenny Kenworthy.





Diário de bordo – TCC represa do Guarapiranga – parte 3

15 09 2009

foto por: Camila Pastorelli

9 de julho de 2009.

Por causa do feriado, o número de ônibus é menor e por conseqüência, a quantidade de pessoas dentro dele é maior. O dia está quente e ensolarado, o que para um ônibus cheio, não é o tempo ideal. O trajeto dura cerca de 1 hora, como o de costume, mas me sinto bem mais cansada. O desânimo deve ser por causa do calor e do fato de ser uma quinta-feira de um feriado e eu não estar em Pinda.

Ao pegar a lotação Rivieira, no terminal Santo Amaro, me informei com o motorista se havia uma parada em frente à entrada do Parque Ecológico Guarapiranga. Ele disse que sim, “nas duas”. Não sabia que existia mais de uma, portanto, tratei de ficar esperta para descer no lugar certo. Pela primeira vez, peguei uma dessas lotações, em uma situação que honra o nome: lotada. Era criança com sorvete de casquinha escorrendo, famílias com inúmeras sacolas de supermercado, crianças de colo, idosos, o tio querendo vender “pipoca doce, bacon fresquinho” e até um rapaz tentado ler um livro em meio todo o “apertamento”, calor e trilha sonora da rádio Tupi.

Por volta de duas e meia da tarde, cheguei ao Parque e me animei um pouco mais, afinal, havia saído da lotação e convenhamos, não tem como não gostar de entrar em um parque. Fui procurar o Marcos, gestor do lugar desde sua inauguração, em 1999. Não pensei em toda uma entrevista com ele, até porque, talvez ele não estivesse, mas quando conversamos pelo telefone, ficou de deixar um banner e alguns folhetos para mim.

Acontece que ele foi trabalhar no feriado e começamos a conversar um pouco sobre qual a ideia do parque, o que ele oferece e essas coisas todas. Descobri que entre o decreto para a sua criação e a real inauguração, houve um período de 10 anos. Por causa disso, a região que era para ter 330 hectares, foi para 250. Os outros 50 já estavam ocupados.

Quanto mais eu converso com as pessoas que moram ali, mas percebo o quão complicado é falar de meio ambiente num lugar, onde a prioridade não é o meio ambiente, mas sim a subsistência, como bem disse o Marcos. Não que a preocupação não exista. Em alguns casos, percebe-se a degradação da região e movimenta-se para que ela não avance. Como me contou a Maria, moradora do Bolonha, no Jardim Ângela. Com a iniciativa de seu amigo indígena, ela e alguns jovens ajudavam a apagar o fogo da mata, quando pessoas, por sabe-se lá que motivos, resolviam incendiar algumas áreas do Parque.

Contudo, o que há em comum entre Maria e Marcos, duas pessoas vindas de realidades bem diferentes, mas que atualmente vivem no extremo sul da cidade? O aprendizado.

….

Continua.





09/09/09 – Alguém quer me dar o Rockband?

9 09 2009

É hoje o dia!

Os 13 cds dos Beatles serão relançados todos remasterizados, além do jogo mais bacanão de todos os tempos: o Rock Band – Confira no site da Época.

Os cds já vou ganhar em um sorteio hoje, então, estou mais tranquila.

=)

O Blog fez um ano dia 08/08 e nem consegui fazer um post descente para cá. Uma pena. Mas a correira está tremenda. Não podia deixar o dia 09 passar em branco…enfim, fica a lembrança.

Abraços.





Represa da Guarapiranga é ameaçada pela poluição.

16 08 2009

Matéria bem realizada pela série Rios de São Paulo, da TV Globo.

Confira aqui.





Pensamento do dia.

23 07 2009

“A verdadeira arte de viver talvez seja tentar ser aquilo que você é. O que evidentemente é muito difícil.” Domingos Oliveira.

Apesar de tudo, viver é bom de mais, não é não?

=)

Trecho retirado daqui: http://www.flip.org.br/blog_2009.php





Diário de bordo – TCC represa do Guarapiranga – parte 2

19 07 2009

foto por Camila Pastorelli

25 de junho de 2009

O ônibus Terminal Guarapiranga era daquele tipo sanfonado, que faz um mesmo motorista transportar praticamente dois ônibus de uma vez só. Era a segunda vez que andava num veículo daquele, e ele sempre vai me parecer uma invenção do Inspetor Bugiganga.

O dia estava frio e com um pouco de garoa. Afinal, já é inverno e os termômetros marcavam hoje cerca de 17ºC no centro. No caminho, toda encapotada de blusas e cachecol, a vontade que tinha era fazer o mesmo que muitos passageiros faziam: tirar um cochilo. Mas como não sabia exatamente quanto tempo tinha até chegar ao local combinado com Dona Maria – onde ela iria me pegar de carro – achei melhor tentar me manter acordada.

À primeira vista, Dona Maria não parece uma senhora de 92 anos, apesar dos movimentos contidos e da polidez das palavras. Ao chegarmos a sua residência, me acompanhou pelo jardim até às margens da represa. Lá, com toda certeza, faziam bem menos que os 17ºC do centro da cidade. O céu cinza e esbranquiçado se confundia com as águas calmas da Guarapiranga. Dali, é possível avistar a Ilha dos Amores e a Rivieira, onde um dos dois filhos de Dona Maria vive.

A leve subida do jardim, de volta à casa, me faz lembrar que estou com uma senhora de mais de 90 anos. Ela se cansa um pouco, acompanhada de perto pelo caseiro, Seu João, e pela esperta cachorra vira-lata de cor preta, que a senhora não se recorda direito o nome…

O jardim tem alguns pinheiros, plantados por Seu João Paulo, pai de Dona Maria, que comprou o terreno do sítio de uma família de alemães, por volta de 1918. O vento frio, a leve garoa e o cheiro de terra molhada nos deixou um pouco caladas por alguns momentos.





To be young.

6 07 2009

“É preciso de um bocado de maturidade para aproveitar o melhor da juventude.”
Daniel Piza – O Estado de S. Paulo, 5 de julho de 2009.

Entre reflexões sobre Michael Jackson e O Apanhador no Campo de Centeio, gostei do que esse cara escreveu. O resumo está aqui.





Diário de bordo – TCC represa do Guarapiranga – parte 1

29 06 2009

Foto por Camila Pastorelli

17 de junho de 2009

“Tem gente que mora aqui e nunca foi para o centro”. Depois de um percurso de quase duas horas que teve início na rua da Consolação, no centro da capital paulista, chegou até o Terminal Santo Amaro, e passava pela estrada do Rivieira, na zona Sul, a conversa entre os passageiros da lotação 6028 – Rivieira mostrava que a questão da moradia não era apenas de meu interesse.

A senhora de fala alta e despojada, com o filho ainda criança, comenta com o homem sentado ao seu lado, sobre como está difícil e caro encontrar casas para alugar por ali e diz também que só sai do bairro se for para morar no centro da cidade ou voltar para o norte – só que nesse caso, não o da cidade, mas o do país.

O caminho que o ônibus percorre até a região da represa do Guarapiranga – cerca de 30 quilômetros da zona central -, mostra as diversidades de uma cidade que não é apenas uma, e sim várias. O quase silêncio que reina entre os passageiros da avenida Paulista, concentrados em seu próprio livro, sono ou música no fone de ouvido muda a medida que o circular roda pelos emaranhados de asfalto a perder de vista.

O ar vai ficando mais puro e o cheiro do vento, antes ora com toques de fumaça , ora esgoto, fica mais gostoso de ser sentido. Da mesma forma, as pessoas, já sem os fones de ouvido, conversam e riem entre si. A pequena lotação transporta quase sempre conhecidos – vizinhos, talvez – que cumprimentam a cobradora e falam para ela passar o recado, “Pede para a sua mãe me ligar… quero ver se desocuparam a casa mesmo, porque o Cláudio tá querendo alugar.”

Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo. Sim, porque eu ainda quero o meu diploma.